Capítulo III – Percepção pela Força Mental (Revisado)
Capítulo 3 – Percepção da Força Mental (Revisado)
“Céu e terra, misteriosos e amarelos; o universo, vasto e primevo!”
No escritório da seita Huashan, Lu Yun encontrava-se diante de uma pequena escrivaninha, a recitar com aplicação um exemplar do “Clássico das Mil Palavras”. Sobre ele, o Daoísta Xuanyou, herdeiro da linhagem de Wumeng, contemporâneo patriarca do Dao de Huashan, assumira temporariamente o papel de mestre-escola, ostentando uma expressão severa, tal qual um erudito rigoroso.
Desde que se tornara discípulo de Xuanyou, este intentara ensinar-lhe a “Arte da Névoa Púrpura”, mas logo se deu conta de que Lu Yun simplesmente… não sabia ler!
Sim, não sabia ler…
Lu Yun, é claro, era versado nos idiomas modernos, mas nesta dinastia Song, como poderia reconhecer os caracteres?
Assim, o primeiro aprendizado já não era o segredo das artes marciais, mas sim, o domínio da leitura e da escrita…
Sem saber ler, como estudar os manuscritos das artes divinas?
Xuanyou, dedicado ao seu discípulo, empenhou-se a fundo e iniciou-lhe nas letras…
Lu Yun, porém, não estava só. Ao seu lado, encontrava-se a pequena irmã sênior, Su Qingwan, mas esta, ao que parecia, não compreendia os esforços do mestre. Entediada ao extremo, fitava distraidamente o primeiro caractere “Céu” no Clássico das Mil Palavras, absorta em devaneios.
Em sua idade, Qingwan era afeita a brincadeiras; a leitura era-lhe um suplício. Contudo, diante do mestre, só lhe restava suportar, aguardando que o tempo passasse, já planejando caçar algumas borboletas assim que estivesse livre.
“Yun’er, memorizou bem?” Xuanyou levantou-se, o olhar pousado em Lu Yun, provocando-lhe aquela sensação confusa de rever o velho professor da infância.
Recordava-se do seu mestre de língua e literatura, sempre tão sério e exigente.
“Mestre, memorizei tudo!” Embora sua mente vagueasse, Lu Yun ergueu-se imediatamente e respondeu de modo reverente.
“Yun’er, recite!”
“Céu e terra, misteriosos e amarelos; o universo, vasto e primevo.
O sol e a lua crescem e minguam; as constelações se dispõem em ordem.
O frio vem, o calor parte; outono colheita, inverno armazém.
O ano se completa com o mês intercalares; as escalas afinam o yang.
O ouro nasce na água bela; o jade vem do monte Kunlun.
A espada se chama Juque; a pérola, Luz Noturna…
…”
O Clássico das Mil Palavras totaliza mil caracteres. Bastaram três leituras para que Lu Yun, sob o olhar estupefato de Xuanyou, recitasse-o integralmente.
Desde que conquistara a força mental, ganhara também a faculdade da memória fotográfica. Contudo, recitar de cor após uma única leitura seria demasiado sobrenatural.
Por isso, leu-o três vezes…
No semblante de Xuanyou lampejou uma satisfação mal disfarçada; a inteligência deste discípulo excedia suas expectativas. Se cuidadosamente cultivado, tornar-se-ia o pilar da tradição Huashan, e talvez restabelecesse a glória de sua escola. Assim, mesmo ao encontrar-se com os ancestrais do Dao de Huashan, poderia afirmar não ter traído a confiança de seus antepassados!
“Yun’er, és de talento notável, mas não te permitas o orgulho. Lembra-te: há sempre alguém superior, e céus além destes!” O semblante jubiloso cedeu lugar à rigidez habitual.
“Sim, mestre, gravarei isso no coração!”
“Teu corpo ainda é frágil. A partir de amanhã, pela manhã, pratica meia hora de postura do cavalo; à tarde, estuda os Quatro Livros, os Cinco Clássicos, toda sorte de tratados!” Xuanyou lançou-lhe um olhar severo, franzindo levemente a testa.
“Hihi, pobrezinho do meu irmãozinho!” Su Qingwan mostrou-lhe a língua, cheia de compaixão.
“Wan’er, você também começará o treinamento!” Bastou uma palavra do mestre para que ela logo se retraísse.
Assim teve início a dura rotina de Lu Yun, dividida entre letras e artes marciais na austera Huashan…
As letras, para ele, não eram obstáculo.
Com o auxílio da força mental, cada questão árdua tornava-se trivial diante de si. Embora não pudesse utilizar de imediato todo o potencial de sua força, o dom da memória absoluta bastava para lhe abrir portas.
Todavia, havia desafios que nem a força mental resolvia—como, por exemplo… a postura do cavalo!
A postura do cavalo regula a energia vital, ajudando o praticante a despertar a sensação do “qi”. Para o Daoísmo, o primeiro passo do cultivo é nutrir e acumular o qi; uma vez alcançada a percepção do qi, o restante é apenas questão de tempo.
Embora dotado da força mental, se a desenvolvesse plenamente seria aterrador, mas Lu Yun não negligenciava o cultivo do corpo físico.
A força mental, ou consciência divina, é energia do espírito.
Já a postura do cavalo, fundamento do cultivo, trabalha o corpo físico.
Qual dos dois seria mais importante?
O corpo pode tornar-se santo, o espírito pode ascender ao divino.
Na concepção de Lu Yun, ambos se completam e se unificam. Ele desejava dominar ambos.
Afinal, se cultivasse apenas o espírito e, ao transitar para um mundo como o dos X-Men, deparasse-se com equipamentos que bloqueiam poderes mentais, estaria perdido, restando-lhe apenas um corpo frágil e impotente.
Por isso, dedicava-se honestamente à postura do cavalo.
Contudo, com o corpo de uma criança de seis anos, meia hora era impossível; mal passava um quarto de hora e já não aguentava mais.
Justo quando cogitou mover-se, um ramo de bambu lhe atingiu as pernas. O golpe não fora forte, mas para suas pernas já rígidas, era como lançar óleo ao fogo. Ao olhar para trás, viu o mestre.
“Yun’er, antes de completar uma hora, não há descanso.”
Acenou com a cabeça, resignado, mas suas pernas tremiam sem cessar.
Prosseguir era uma tarefa quase impossível…
“Yun’er, atente para as diretrizes: respire naturalmente; agache fundo, mantenha-se nivelado e estável; contraia os músculos abdominais, tensione os músculos das pernas…” Xuanyou orientava ao lado, mas os músculos de Lu Yun já estavam rígidos, quase sem sensações.
“Força mental, ó força mental, não vais me ajudar?” Lu Yun resistia ao limite, tentando mobilizar sua força mental recém-adquirida.
Quando o ser humano é levado ao extremo, seu potencial se manifesta. No limiar do colapso, em meio à dor insuportável, sua mente retumbou e, de súbito, uma clareza e leveza o invadiram! Lu Yun percebeu que sua força mental havia dado o primeiro passo rumo à transcendência!
O primeiro avanço da força mental: ele conquistara a Percepção da Força Mental!
Fechou suavemente os olhos; sua força, como um scanner, delineou todo o estado de seu corpo em sua mente. Num instante, mesmo de olhos cerrados, Lu Yun viu a si mesmo.
Não apenas se viu, sentiu o próprio estado, mas também avistou o mestre e, do outro lado, a pequena irmã Su Qingwan, igualmente a se debater…
A irmã esforçava-se para suportar; o mestre, atento, vigiava ambos, pronto para intervir.
Afinal, eram apenas crianças…
“Vamos ver… como fazia o mestre?”
Na mente de Lu Yun, as lembranças fluíam: os gestos exemplares do mestre Xuanyou. Comparou-se minuciosamente, desdobrando cada movimento, e logo percebeu uma série de erros. Reprimiu o cansaço e, pouco a pouco, corrigiu as próprias falhas.
A postura do cavalo também tem seus segredos; executada corretamente, o corpo sente-se confortável, sem tanto sofrimento.
O mestre Xuanyou praticara por décadas, cada postura dotada de propósito especial. Bastava que Lu Yun ajustasse seus movimentos aos do mestre, e o desconforto logo diminuía.
O praticante comum, ao treinar, não consegue observar seus próprios movimentos. Agora, com a primeira superação da força mental, Lu Yun já podia ver!
A força mental, no cultivo do corpo físico, traria a partir de agora benefícios incalculáveis.
O espectador percebe melhor; o envolvido se perde. Lu Yun, ainda que parte da cena, tornara-se também… espectador de si mesmo.
“Esta sensação… é realmente maravilhosa!”
PS: Agradeço a Qingyu135 pelos 1000 qi dian bi, Xianyun Yehe Q, Xingchen Mengdie 600, Lingxiu Rensheng 500, goodhunter 100, Zhouzhou Yuntian 100, Luoying Shuchong 300 pelas recompensas. Feliz feriado nacional!