Capítulo Três: A Chave — A Chave Misteriosa
A tempestade de areia envolvia tudo, e a mão da figura vestida de branco estava prestes a se fechar em torno da garganta de Jiang Yikang. Este, incapaz de enxergar seja o que for, continuava a agitar os braços a esmo, fendendo o vento e a areia diante de si. No exato instante em que sua mão se deslocou para frente, a figura branca também se lançou contra ele; como se tudo estivesse previamente orquestrado, a palma de Jiang Yikang e o rosto da figura convergiram num único ponto, colidindo com força.
Um estrondo seco ressoou.
A figura vestida de branco voou para longe, em direção ao horizonte, com velocidade ainda maior que a de sua chegada.
— Que ventania colossal! — murmurou Jiang Yikang, batendo as palmas. — Parece que minha mão encontrou uma rocha enorme. Nunca vi um vento capaz de levantar pedra tão grande.
Dizendo isso, prosseguiu em seu caminho, como se nada houvesse acontecido.
Após alguns passos, voltou a parar. — Ainda não consigo ver o caminho. Melhor acender algo para iluminar. — E, sem que se saiba de onde, sacou um enorme isqueiro, pressionando o botão.
Imediatamente, uma chama se ergueu, ardendo vigorosa.
No exato instante em que a chama nasceu, uma tira de linho branco, silenciosa como uma serpente, voou em direção ao pescoço de Jiang Yikang. Contudo, ao passar sobre a chama, incendiou-se de súbito.
O fogo explodiu, propagando-se rapidamente pela tira, adentrando as profundezas da tempestade de areia. À luz da chama, viu-se que a outra extremidade do linho estava enrolada no braço da figura branca de antes.
Esta figura era um múmia, envolta da cabeça aos pés por tiras iguais. Claramente, o múmia não esperava que suas tiras se inflamassem, ameaçando consumir-lhe todo o corpo.
— Ah! Fogo... Maldito fogo! — gritou, abandonando qualquer aparência sobrenatural, e tentou desesperadamente apagar as chamas em seu braço.
Felizmente, era fogo comum, e logo se extinguiu sob os golpes do múmia. No entanto, o estado dele era lamentável: as tiras do braço direito haviam sido consumidas, expondo a pele seca e enrugada, semelhante a madeira morta.
Ao extinguir o fogo, o múmia percebeu que Jiang Yikang o observava friamente, mesmo com a cortina de areia entre ambos.
Enfurecido, o múmia bradou:
— Você consegue me ver?
— Hmph, truques insignificantes... ousa exibi-los diante de mim? — A voz de Jiang Yikang era gélida. Assim que terminou de falar, a areia ao seu redor girou rapidamente, formando um vórtice cada vez maior, que varreu toda a poeira entre eles, tornando o múmia visível diante de Jiang Yikang.
O vórtice, feito de areia, girava por trás dos dois, como uma grande tigela, aprisionando-os.
O múmia tocou o rosto onde recebera o golpe, a ira queimando em seu peito. Embora o tapa parecesse comum, ele sabia que se removesse as tiras, veria claramente uma marca de cinco dedos.
Múmias não temem golpes físicos, sendo cadáveres, mas Jiang Yikang utilizara algum tipo de magia, dissipando a energia morta de seu rosto e deixando a marca.
A energia morta das múmias e zumbis, a energia vital dos monges taoistas, a energia demoníaca dos monstros — todas são, para essas criaturas, tão essenciais quanto o sangue é para humanos.
A energia perdida no tapa era fruto de longos anos de cultivo, agora desaparecida sem explicação.
— Você me enganou! Você já me via o tempo todo! — gritou o múmia, furioso.
Jiang Yikang, com expressão inocente, respondeu:
— Quando eu disse que não podia ver você?
— Canalha! Você é um canalha! — exclamou o múmia.
— Você é quem me atacou pelas costas. Quem é o canalha afinal? — retrucou Jiang Yikang.
O múmia hesitou, depois assentiu, gaguejando:
— Então... devo ser eu.
Jiang Yikang não esperava essa admissão; concluiu que o múmia devia ter sido um tolo em vida, e permaneceu tolo na morte. Olhos atentos, mudou de assunto:
— Foi o Faraó Gaa que te enviou?
O múmia ficou surpreso e perguntou:
— Como você sabe?
Jiang Yikang prosseguiu:
— Você veio por aquele objeto, não foi?
O múmia, ainda mais tolo, assentiu:
— Sim, sim. Por aquele objeto.
Jiang Yikang assumiu ar grave:
— Mas esse objeto é um segredo. Tem certeza de que sabe o que deve buscar?
O múmia ergueu o queixo, desafiador:
— Claro que sei, é aquela chave! — Mal terminou de falar, percebeu que revelara demais e fechou a boca apressadamente.
Jiang Yikang, impassível, assentiu:
— Então você realmente sabe. — E retirou de suas vestes uma chave de bronze, antiga e enferrujada, sem qualquer atrativo.
— É ela! — Os olhos do múmia brilharam, esquecendo-se de sua indiscrição.
Jiang Yikang apenas a mostrou por um instante e logo a guardou.
Desde que chegara ao Egito, conquistara muitos objetos, mas apenas aquela chave lhe pertencia. Ao ouvir o múmia mencionar uma chave, imediatamente pensou nela.
Era discreta; Jiang Yikang a portava há muito tempo sem saber seu propósito, mas sentia nela uma energia morta profundamente oculta, e por isso a conservava.
O múmia desejava essa chave com tanta urgência que era evidente: ela não era tão simples quanto aparentava. O verdadeiro uso ainda precisava ser arrancado do tolo.
Com isso em mente, Jiang Yikang declarou:
— Na verdade, entregar essa chave ao Faraó Gaa não me incomoda, mas temo que vocês desconheçam seu verdadeiro uso. Seria inútil, um desperdício.
Entretanto, por mais que Jiang Yikang tentasse, o múmia não revelava para que servia a chave.
Jiang Yikang, astuto, propôs:
— Que tal assim: se você me disser para que serve a chave, eu a entrego a você. Que me diz?
O múmia balançou a cabeça:
— Não posso. E se eu contar e você não me der?
Jiang Yikang, solene, jurou:
— Juro pela catástrofe dos zumbis: se você revelar o propósito da chave, eu a entregarei. Caso contrário, que eu seja fulminado por mil relâmpagos e reduzido a cinzas na próxima calamidade.
— Sério? — indagou o múmia.
— Não ouviu meu juramento? Se não falar, vou embora — respondeu Jiang Yikang.
O múmia, embora não fosse um zumbi, conhecia o peso desse juramento e sabia que ninguém ousaria quebrá-lo sob pena de morte.
— Espere! Eu conto. Essa chave serve para abrir o portal do tesouro.
— Tesouro? Onde está o tesouro? — indagou Jiang Yikang.
— Já lhe revelei a função da chave. Quanto ao tesouro, isso não faz parte da resposta. Agora entregue a chave! — O múmia sorriu maliciosamente, nada restando de seu ar tolo.
Jiang Yikang arregalou os olhos, surpreso:
— Você estava me enganando o tempo todo?
— Ora, você tentou me enganar há pouco; por que não posso fazer o mesmo? Entregue logo a chave, a menos que não tema ser reduzido a pó pela calamidade — replicou o múmia.
Furioso, Jiang Yikang tirou a chave do bolso e atirou ao chão:
— Está bem, você venceu. Tome.
O múmia estendeu a mão intacta, e as tiras voaram até a chave, enrolando-a e trazendo-a de volta.
— Hahaha! Consegui um grande feito! — bradou, só para interromper o riso ao notar que segurava uma chave comum, fabricada na China.
— Que chave é essa? — perguntou, desconcertado.
— É a chave do meu dormitório — respondeu Jiang Yikang.
— Você é um mentiroso! Não teme a calamidade? — gritou o múmia.
Jiang Yikang abriu os braços, com semblante honesto:
— Na verdade, não temo. E não menti: quando jurei, pensei exatamente isso. Se você me dissesse o propósito da chave misteriosa, eu daria a chave do meu dormitório. Não quebrei minha palavra.
— Canalha astuto! — O múmia, enraivecido, atirou a chave ao solo e avançou contra Jiang Yikang, as mãos erguidas. Do braço esquerdo, as tiras voaram para enredar Jiang Yikang, enquanto a mão direita, seca, transformou-se em garra.
As tiras, como se tivessem olhos, enrolaram-se rapidamente nas pernas de Jiang Yikang.
O múmia não esperava que Jiang Yikang, antes tão imponente, caísse assim tão facilmente. Seu corpo afundou no chão, e as tiras começaram a se enredar ainda mais, como serpentes, ao redor de Jiang Yikang.
— Eu sempre disse que vocês múmias são profissionais sem talento. Só sabem brincar com mangas, nada além disso. Observe, vou te mostrar como se brinca com mangas! — Jiang Yikang, indiferente ao fato de ter uma perna totalmente enrolada, girou sobre si mesmo, usando a perna presa como eixo, como um pião.
Com o giro, as tiras se enrolavam mais rápido.
O múmia, inicialmente, riu friamente ao ver Jiang Yikang "procurar a própria morte", mas logo percebeu algo estranho: quanto mais as tiras se enrolavam, menos havia no corpo do múmia. Primeiro, perdeu as tiras dos braços; depois, as do corpo.
Por dentro, o múmia era um cadáver seco, por fora, enrolado em linho. Quando as tiras se foram, expôs sua pele rachada.
Ele tentou recuperar as tiras, mas, ao se enrolarem em Jiang Yikang, tornaram-se inertes, sem resposta.
Percebendo o perigo, hesitou em abandonar suas tiras, que eram tanto armas quanto armaduras. Durante essa hesitação, perdeu ainda mais tiras do torso.
Por fim, o múmia, desesperado, cortou as tiras com a mão em forma de lâmina, salvando as do baixo ventre e evitando a vergonha da nudez. Mesmo assim, exibia um aspecto grotesco: torso seco e ossudo, pernas enroladas em linho, como se vestisse calças longas.
Jiang Yikang cessou o giro, retirou as tiras da perna e, rindo, as segurou:
— Para você, são tesouros; para mim, lixo. Quer de volta? Seja honesto: onde está o tesouro?
— Espere, você vai pagar por isso em dobro! — ameaçou o múmia, ciente de que não era páreo para Jiang Yikang. Girou sobre os calcanhares e fugiu.
— Fugir? Impossível! — Jiang Yikang, olhos sombrios, acelerou o vórtice de areia atrás deles.
O múmia sabia que escapar do vórtice não era fácil, mas ficar seria morte certa. Então, lançou-se como um projétil contra o vórtice.
No exato momento, vozes urgentes ecoaram ao longe:
— Jiang Yikang! Onde está você?
Junto ao grito, soava uma sirene estridente.
— Su Ling! — Jiang Yikang estremeceu. Se havia algo temível no deserto do Egito, era Su Ling. Ao ouvir o chamado, ficou paralisado.
O vórtice de areia, refletindo sua hesitação, desacelerou. O múmia já estava na borda, e com um impacto seco, saiu do vórtice, caindo na areia e cuspindo um pedaço de carne negra. Cambaleando, fugiu e sumiu de vista.
O vórtice cessou, a areia caiu. Jiang Yikang, sem perseguir o múmia, ouviu a sirene se aproximar e coçou a cabeça, resignado.
— Yikang! — O som de carros parando e a voz de Su Ling vieram de trás.
— Meu demônio pessoal... Agora fui descoberto. Como vou explicar o que aconteceu? — murmurou Jiang Yikang, virando-se e vendo Su Ling acompanhada de dois policiais, correndo em sua direção.