Capítulo 7: Uma Nova Travessia
— Bei Zi, onde você está? Ouvi dizer que você largou o estágio?
Ao escutar a voz retumbante de Song Tao, o veterano do dormitório, Bei Mingyu instintivamente afastou o celular do ouvido. Que vozeirão!
— Estou no quarto, de molho!
Percebendo que o outro lado da linha silenciara, Bei Mingyu aproximou novamente o aparelho e falou a Song Tao:
— O que foi? Apaixonou-se por outra garota e quer que eu vá te dar cobertura?
— Besteira! Para com isso, já mudei!
Song Tao encolheu o pescoço, olhou ao redor e, vendo que sua namorada não estava por perto, soltou um suspiro de alívio. Hoje em dia, mulher é fera, difícil de agradar!
— Chega, vamos ao que interessa!
Acendendo um cigarro e tragando fundo, Song Tao continuou:
— Em poucos dias teremos que voltar à faculdade para buscar o diploma, não é? Já estava combinado: faremos um jantar de despedida. Não esqueça.
— Fique tranquilo, está anotado! — Bei Mingyu torceu os lábios com desdém. — Só não vá cair depois de uma garrafa de cerveja como da última vez!
— Que absurdo! Daquela vez, se não fosse a bebida estar adulterada, eu teria aguentado vocês cinco sozinho!
Song Tao corou até as orelhas. Naquele primeiro ano de faculdade, os quatro colegas de quarto foram jantar juntos; Song Tao insistiu em dar o primeiro gole, mas antes que os outros terminassem seus copos, ele já havia virado uma garrafa inteira... e não se lembra de mais nada.
No dia seguinte, correu pelo campus a história de um calouro que fora parar no hospital por causa de bebida falsificada!
— Deixa que você escolhe o lugar desta vez, só não me apareça com outra dessas! — Bei Mingyu riu sozinho, recordando o episódio.
Ao ouvir a risada do outro lado, Song Tao resmungou:
— Vou desligar, estou comendo!
— Certo, já entendi!
Depois de guardar o celular, Bei Mingyu serviu o frango cozido que preparara e levou-o para o quarto.
— Pequeno Elfo, o plano dimensional ainda não está pronto? Já estou quase dominando o segundo nível do “Dragão-Elefante-Bodisatva”!
Comendo uma coxa de frango, Bei Mingyu murmurava:
— Já faz mais de um mês que voltei do mundo de “Mr. Vampire” e você ainda não encontrou um novo destino?
— Logo que voltamos, localizei um, mas não era adequado ao mestre, por isso nem avisei.
— Que mundo era esse? — Bei Mingyu perguntou, curioso.
— “O Grito”!
— Um filme de terror?
Bei Mingyu engasgou-se, tossiu por um bom tempo até conseguir engolir o osso preso na garganta.
Enxugando as lágrimas provocadas pela tosse, tomou longos goles de água até recuperar-se:
— Melhor não irmos para lá!
— Não se preocupe, mestre. No “Tao Celestial” há muitos talismãs contra espíritos. Mesmo encontrando o “Grito”, ainda temos meios de resistir!
— Deixa disso, continue procurando um novo mundo, por favor. — Bei Mingyu torceu os lábios. Ele sabia bem dos seus próprios limites: no máximo, poderia enfrentar um fantasma menor do mundo de “Mr. Vampire”, quanto mais as entidades sinistras de “O Grito”!
— Entendido, procurarei imediatamente... achei!
De repente, o pequeno elfo parou e exclamou, excitado:
— Mestre, encontrei um mundo perfeito para você!
— Que mundo é esse? — Bei Mingyu perguntou, ansioso. Se não conseguisse dinheiro logo, passaria fome!
— “X-Men”! — respondeu o elfo. — Um universo repleto de superpoderes!
— Quando posso entrar?
— Dentro de três dias, a qualquer momento.
— Três dias para me preparar? — Bei Mingyu franziu a testa, esquecendo até do frango, e foi pesquisar na internet.
A série “X-Men” possui uma linha do tempo extensa, cheia de ramificações. Os quadrinhos, então, frequentemente mergulham em destruições universais e reinícios de cronologia. Não seria fácil compreender todas as relações em tão pouco tempo.
O tempo passou. No terceiro dia, após devorar um caldeirão de ossobuco, Bei Mingyu examinou seu espaço de armazenamento de apenas um metro cúbico: roupas limpas, comida e água de reserva, uma Desert Eagle modificada sem munição, uma kukri afiada (conhecida como faca “cão”), e, por fim, um computador recheado de informações sobre os X-Men.
Quando tudo estava pronto, Bei Mingyu disse ao pequeno elfo:
— Estou preparado. Vamos começar!
— Então, vamos lá.
Antes mesmo que a frase do elfo se completasse, Bei Mingyu percebeu-se envolto por pontos luminosos prateados; sua consciência turvou-se, só retornando muito tempo depois.
Fitando os estrangeiros de olhos azuis e cabelos dourados em meio ao barulho do bar, Bei Mingyu hesitou — já estava no exterior!
Dirigiu-se ao balcão, pediu uma cerveja, e, prestes a beber, sua atenção foi atraída por uma loira solitária. Não que fosse a mais bela, mas havia nela algo diferente. Bei Mingyu sentiu, claramente, que a energia vital daquela mulher era muito mais intensa que a de uma pessoa comum: seu corpo certamente possuía força sobre-humana.
— Está sozinha?
Sentando-se diante da bela mulher com a cerveja na mão, Bei Mingyu sorriu. Descobrira, instantes antes, que o sistema lhe concedia habilidades de tradução. Ao menos, não precisaria mais preocupar-se com seu inglês macarrônico.
— Sim, sozinha! — A loira lançou um olhar ao jovem galante que conversava animadamente com outra mulher no balcão, respondeu entre dentes:
— Vai me oferecer uma bebida?
— Não tenho dinheiro. — Bei Mingyu deu de ombros e tomou um gole. — Na verdade, estava pensando em terminar esta cerveja e sair de fininho.
— Então aproveite devagar.
A loira torceu os lábios e, pegando a bolsa, preparou-se para partir.
— Raven. Mística, Raven!
Ao ouvir Bei Mingyu, a loira hesitou:
— Como sabe meu nome?
— Uau, acertei! Assim nem preciso fugir — Bei Mingyu abriu um sorriso. Ao observar o ambiente do bar, sentira uma estranha familiaridade; agora, confirmando tratar-se de Mística, tinha certeza do momento em que se encontrava na linha do tempo dos X-Men: “Primeira Classe”, 1962, época em que o Professor Xavier estudava na Universidade de Oxford. Os X-Men ainda não estavam formados; Magneto, Erik, perseguia Sebastian Shaw pelo mundo, ainda livre de listas negras internacionais, sem ser um criminoso procurado.
— Se não quer contar, esqueça. Não tenho ânimo para conversar com estranhos.
Raven franziu o cenho, pronta para ir embora.
— Raven, você sabe que a raiva envelhece, não? Embora seja especial, rugas de preocupação aparecem! Quanto ao motivo de eu saber sobre você... ora!
Bei Mingyu sorriu, recolocou a cerveja no espaço de armazenamento e olhou fixamente para Mística:
— Neste mundo, você não está sozinha.
— Charles! Charles!
Ao ver a garrafa desaparecer, os olhos de Mística brilharam. O assombro dissipou sua mágoa, e ela chamou, virando-se para o Professor Xavier, que conversava com outra moça no balcão.
— Com licença, preciso atender algo — disse Charles, afastando-se da bela jovem de olhos bicolores, e aproximou-se de Raven, olhando então para Bei Mingyu.
— Mestre, ele tenta ler sua mente, mas o sistema bloqueia. Sua privacidade está protegida — alertou o pequeno elfo.
— Da próxima vez que alguém tentar ler meus pensamentos, me avise.
Bei Mingyu transmitiu o recado ao elfo e, tirando a cerveja do armazenamento, disse:
— Amigo, poderia parar de bisbilhotar minha mente? Se insistir, vou me irritar!
— Desculpe, é costume — respondeu Charles, os olhos brilhando diante da cerveja que surgira do nada. — Você é especial. Não consegui ler nada.
— Todos somos especiais.
Bei Mingyu proferiu a frase carregada de sentido.
— Sim, todos somos especiais — concordou o Professor Xavier, assentindo com gravidade.