05. Roubo de Sombras no Vazio
Sistema iniciado com sucesso, em fase de depuração…
Após lavar a louça, Gao Baiyi ouviu o anúncio do sistema iniciando com uma onda de excitação, e correu para seu quarto, tomado de expectativa e entusiasmo, como se aguardasse um presente de aniversário. Meia hora se passou, e não ouviu o esperado “ding”, nem a voz do sistema solicitando a vinculação.
“Talvez a depuração seja mais lenta. Vou tomar um banho para dar um ar de cerimônia.”
Consolando-se, Gao Baiyi foi se banhar, mas outra hora se escoou sem que o sistema desse qualquer sinal. “Calma, saltar da janela ou pisotear pequenos animais são atos insensatos. Um sistema maduro se ativa por si só.”
Refreando sua ansiedade, Gao Baiyi sentou-se na cama, tentando aquietar o coração à espera do momento milagroso, como alguém aguardando um prodígio. Mais uma hora se passou…
“Estou enlouquecendo! Esse sistema está brincando comigo!”
Gao Baiyi andava de um lado para o outro como uma formiga em chapa quente. Já tinha o sistema, mas a ativação parecia um tormento; suspeitava que só um evento sangrento poderia, talvez, ativá-lo.
Depuração do sistema encontrou um erro, reiniciando…
“Eu…”
Finalmente, Gao Baiyi ouviu um aviso, mas era sobre um erro no sistema. Furioso, pisou sobre o peitoril da janela. Que tal um reset de fábrica?!
Mas ao lembrar-se da adorável Xin Nuo, serenou de imediato. Mesmo que o sistema não ativasse, ainda tinha Xin Nuo; se saltasse e o reset não funcionasse, quem cuidaria dela?
Xiao Hui, vendo Gao Baiyi agitado na janela, também inquietou-se, voando diante dele como se quisesse impedir que pulasse.
Gao Baiyi suspirou, retornou à cama e puxou o cobertor: “Não é nada, só estou um pouco deprimido. Vou dormir.”
Xiao Hui pousou ao lado do travesseiro, quieto, sem compreender o motivo da tristeza de Gao Baiyi.
Claro que Gao Baiyi estava triste: este mundo conecta-se a milhares de outros, a humanidade recebeu oportunidades nunca vistas, mas ele era um abandonado, rebelando-se contra o destino.
“Irmão, o sol já torrou seu traseiro, levante-se!” Xin Nuo abriu as cortinas, puxando a orelha de Gao Baiyi com energia.
Gao Baiyi, esfregando o rosto e o traseiro ardente, perguntou: “Que horas são?”
“Onze. Já é hora do almoço e você ainda está preguiçoso.” Xin Nuo fez um bico.
“Culpa minha, já vou preparar a comida.” Gao Baiyi sentou-se apressado, ouvindo o estômago de Xin Nuo roncando e sorrindo: “Se estava com fome, devia ter me chamado antes. Se for urgente, pode sair para comprar algo.”
“Não, quero comer a comida do irmão.” Apesar da fome evidente, Xin Nuo mantinha-se firme em seu desejo.
Gao Baiyi acariciou a cabeça dela, levantou-se e vestiu as calças: “Macarrão é rápido, não se apresse. À tarde compro ingredientes para te preparar algo saboroso.”
“Sim. Com comida do irmão, vale a pena até passar fome.” Xin Nuo assentiu, radiante.
Gao Baiyi lavou o rosto e sumiu na cozinha; meia hora depois, serviu macarrão à mesa.
Xin Nuo, feliz, devorou duas tigelas, depois pegou a mochila: “Vou treinar com meus amigos. Quando for comprar ingredientes, espere que eu volte para ir junto.”
“Vá, mas tome cuidado.” Gao Baiyi recolhia os pratos, pensando que cuidar de Xin Nuo diariamente não era tão mau.
Todavia, após lavar a louça e arrumar a casa, sem nada para fazer, Gao Baiyi voltou à depressão. Quando, afinal, esse maldito sistema irá ativar? O mundo lá fora aguarda sua exploração.
Ele não sabia usar o reforçador, não havia informações, era um produto duvidoso. O sistema era tão poderoso, por que recorrer a algo furtado e obscuro?
Abriu a televisão por tédio; no canal de animação, passava Popeye. Gao Baiyi, sem ânimo para assistir, deitou no sofá, afundando na melancolia. Xiao Hui, ao contrário, parecia fascinado.
Se o sistema ativasse, que tipo seria? Um sistema de matança, onde tudo depende de derrotar monstros para subir de nível? Um sistema de boas ações para o virtuoso? Um sistema de cartas com sorteio ilimitado? Ou um sistema de missões variadas?
Ding. Sistema inicializado com sucesso. Por favor, confirme o vínculo para ativação.
“Estou tendo alucinações?!”
Gao Baiyi esfregou os ouvidos, convencido de que enlouquecera de tanto desejar o sistema. Não podia ser tão simples assim.
Por favor, vincule e ative o sistema, ou ele entrará em modo de hibernação.
“Xiao Hui, você ouviu isso?” Gao Baiyi perguntou, desconfiado.
Chi. Xiao Hui, confuso.
Sistema entrando em hibernação em 10... 9...
“Vincular!” Ao ouvir a contagem, Gao Baiyi despertou num instante, quase gritando de emoção.
Vinculação bem-sucedida.
Hospedeiro: Gao Baiyi.
Habilidade concedida: Roubo das Sombras do Vácuo.
“Consegui, consegui! Finalmente tenho um sistema!” Gao Baiyi pulava, extasiado.
Mas não ouviu mais nada. Perguntou, intrigado: “Não tem mais nada? Kit de iniciante, loja, nem mesmo missões?”
Este sistema adota um estilo minimalista: apenas a habilidade Roubo das Sombras do Vácuo.
“O quê?” Gao Baiyi coçou a cabeça, perplexo: “Só uma habilidade?! Sem kit de iniciante, nem loja?!”
Não.
Gao Baiyi, atônito: “Isso é minimalismo extremo. E o que essa Roubo das Sombras do Vácuo pode fazer?”
Roubar!
“Roubar?!” Gao Baiyi, ainda mais confuso: “Não pode ser menos minimalista? Diga detalhadamente como usar, o que pode fazer?”
Roube tudo que seus olhos veem. O hospedeiro deve compreender por si.
“Está bem.” Gao Baiyi sentou-se no sofá para “compreender”, mas não conseguiu nada; a mente estava vazia.
Diante de um sistema tão peculiar, só restava a Gao Baiyi resignar-se.
Chi, chi. Xiao Hui, animado, assistia à televisão.
“O que há de engraçado nisso? Preciso de espinafre…”
Gao Baiyi olhou a TV e imitou, com desdém, o personagem. Era o desenho que assistira aos três anos.
[Item disponível para roubo.]
O sistema emitiu um aviso repentino.
“Roubar o quê?” Gao Baiyi olhou ao redor. Era sua casa, nada de valor, e roubar seria desnecessário.
Ao retornar o olhar à televisão, percebeu um estranho efeito 3D; a velha animação de Popeye parecia incrivelmente real, como se o vidro da tela desaparecera, abrindo uma janela para um mundo exótico e palpável.
Intrigado, Gao Baiyi se aproximou. O navio de Popeye cortava o mar, e ele sentiu as ondas quase lhe atingirem o rosto. No navio, surgia um contorno vermelho.
[Energia insuficiente para roubar o navio.]
O aviso surpreendeu Gao Baiyi: “Será que posso roubar coisas da TV?”
Curioso, continuou observando; ao focar em Popeye, as roupas e o cachimbo do personagem ganharam contornos verdes.
[Disponível para roubo: uniforme e cachimbo de Popeye.]
“Não pode ser, está brincando comigo?”
Gao Baiyi, espantado, pensou: será mesmo possível roubar objetos do desenho?
Quando se preparava para tentar roubar as roupas e o cachimbo de Popeye, o personagem sacou uma lata de espinafre e pronunciou sua célebre frase.
“Preciso de espinafre!”
Neste momento, a lata de espinafre brilhou com um contorno dourado.
[Disponível para roubo: espinafre de Popeye.]
“Roubar!” Gao Baiyi estendeu a mão para a televisão; o espinafre era o maior poder de Popeye—quem o consome torna-se invencível, até um avião abastecido com ele vira supermáquina. Quando criança, comia espinafre para se fortalecer e enfrentar o gordinho que o intimidava. Se era para roubar, que fosse isso.
Num flash de luz, a mão de Gao Baiyi não entrou na TV, mas ao abri-la, encontrou uma lata de metal idêntica à que Popeye iria consumir.
Na televisão, Popeye ergueu a mão e inclinou a cabeça, pronto para espremer a lata e devorar o espinafre, mas, nesse instante, a imagem congelou—sua mão estava vazia.