Capítulo 5: A Bela sob a Luz da Lua Deve Falar de Dinheiro
No exato instante em que seus pensamentos se fixaram, o olhar de Qin Yin tornou-se frio e impassível como ferro. Seu corpo girou abruptamente e, empunhando o machado, desferiu um golpe para trás.
Aquela postura, tal qual um tigre enfermo surpreendido, carregava consigo o intento de matar.
Sob o véu da noite, um lampejo gélido irrompeu.
Neste golpe, Qin Yin infundiu toda a força cultivada ao longo de meio ano; o machado de lenha uivava no ar.
Mesmo um tronco de madeira com dois pés de espessura não resistiria à sua lâmina!
Um golpe mortal, sem hesitação, sem resquício de indecisão.
Assim era o caminho de ataque de Qin Yin.
Todavia, nos olhos da figura atrás dele, brilhou uma centelha de astúcia e um leve traço de admiração.
Ela estendeu três dedos delicados como jade, recolhendo-os, e então, com brusca precisão, fez um movimento de estalo, tocando com a ponta alva, fina como cebolinha fresca, exatamente a superfície do machado.
Naquele instante, Qin Yin sentiu-se como se tivesse sofrido uma devastação; seu sangue e energia agitaram-se incontrolavelmente, e seu corpo torcido foi lançado com violência a uma jarda de distância, caindo pesadamente ao chão, enquanto o machado girava e cravava-se no solo, rente ao seu rosto.
"Neste vilarejo há alguém tão vigilante... excelente," soou uma voz feminina, débil e preguiçosa.
Apenas ao ouvir aquela voz, podia-se imaginar que a mulher era envolta em encanto infinito.
O que mais perturbava Qin Yin, contudo, era a força avassaladora que, no instante anterior, o atingira sem escapatória — parecia ter sido arremessado por um elefante colossal, sua mente ecoando em torpor.
Mas o golpe fora preciso: a força penetrou seu corpo, apenas através da pele, desaparecendo ao alcançar os músculos, sem deixar rastros, sem intenção de matar ou ferir.
Tal domínio da força ultrapassava até mesmo as limitações do qi oculto.
Todo o corpo, cada fibra, podia liberar energia conforme a vontade...
Um mestre de energia transformada?
Enquanto Qin Yin ponderava e desejava olhar para trás, sentiu como se uma corda envolvesse sua cintura, e todo seu corpo foi erguido ao ar.
Enfim, virou-se.
Viu a silhueta graciosa sob as vestes negras de quem se move na noite, apenas os olhos à mostra, sedutores e enigmáticos, envoltos em bruma, com um magnetismo que cativava o espírito.
Ao tocar o chão, a mulher abriu os dedos, e a sensação de constrição em Qin Yin dissipou-se de imediato, o prateado do luar desaparecendo sem deixar vestígio.
Ele, porém, fitava, atônito, sua própria cintura e a mão da mulher, reluzente como jade.
"Agora há pouco... não era uma corda."
"Claro que não, apenas uma simples manifestação de energia espiritual. Você, rapaz, é realmente curioso," respondeu ela, numa voz rouca, preguiçosa e impregnada de sedução.
Se fosse um homem comum, teria o sangue fervendo, desejando rasgar-lhe o véu e vislumbrar sua face.
Mas Qin Yin deteve-se nos quatro termos...
Manifestação de energia espiritual.
Foi então que Qin Yin despertou.
Este não era, de fato, o mundo que conhecera.
Qi claro, qi oculto, qi transformado...
Nada disso existia mais neste mundo.
No pátio à noite de verão, até o canto das cigarras silenciara.
Qin Yin ergueu as pálpebras e fitou os olhos da mulher, que, embora parecessem sedutores, guardavam uma tranquilidade profunda. "Não lançou um golpe mortal... O que deseja de mim?"
"Preciso de sua ajuda; será bem recompensado."
Os olhos dela encontraram os de Qin Yin, e em sua voz havia um sorriso. No instante seguinte, Qin Yin ouviu em seus ouvidos murmúrios de inúmeras mulheres sedutoras; sua alma quase se elevava, e tudo ao redor parecia dissolver-se, restando apenas uma voz irrecusável ecoando em sua mente.
A pálpebra de Qin Yin tremeu; sua mão direita, atrás do corpo, abriu-se como uma garra de águia, os tendões saltaram, e ele mordeu com força a ponta da língua, libertando-se da ilusão.
"Mais uma vez, mesmo que me mate, não ajudarei."
Sua voz tornou-se glacial.
Por fim, um traço de surpresa brilhou nos olhos da mulher; ela sorriu suavemente e, com o corpo flexível, dirigiu-se para o interior da casa, sua voz sedutora soando:
"Enganei-me em meu julgamento. O senhor é magnânimo; siga cortando lenha, eu me esconderei por um tempo. Logo voltarei. Se revelar minha presença... então, desejará estar morto."
Qin Yin fitou seu corpo sinuoso e respondeu com serenidade: "Posso ajudá-la. Mas, quero dinheiro."
A mulher já empurrava a porta de madeira, uma perna delicada prestes a cruzar o limiar; ao ouvir, suspendeu o movimento, e sua risada leve e sedutora ecoou: "Interessante, está bem."
Então, entrou, e a figura desapareceu no interior da casa, a porta permanecendo entreaberta, como se ninguém tivesse passado por ali.
Nem mesmo um vestígio de pegadas onde ela caminhara...
E, no instante em que a mulher sumiu, Qin Yin finalmente baixou sua guarda.
Ao estabelecer uma condição, reduzia ao máximo a possibilidade de ela alimentar intenção de matar.
Felizmente, o acordo fora selado.
Agora... Qin Yin lançou o olhar sobre três pontos do pátio.
De seu ângulo, eram locais onde, sob o luar, havia... discretos vestígios de água.
A mulher não percebera aqueles detalhes.
Bang!
Bang!
Dois golpes alternados do machado, e um pedaço de madeira partiu-se em quatro.
Parecia um movimento casual, mas três dos fragmentos caíram precisamente sobre as marcas de água, eliminando qualquer vestígio no pátio.
O jovem de dezessete anos continuou a suar, cortando lenha.
Na tarde anterior, arrastara uma árvore inteira; esta noite precisava terminar de cortar, para poder levá-la ao mercado logo pela manhã.
Mas, após sete respirações, fora do vilarejo Galocanto, um latido curto de cão ressoou.
Qin Yin semicerrou os olhos.
O assunto que a mulher não detalhou... parecia prestes a acontecer.
Seu semblante tornou-se agora um tanto... apático, a serenidade anterior substituída por uma concentração quase feroz.
Bang!
Bang!
O som do machado ecoava ao longe.
Ao luar, uma figura de manto azul, com quatro nuvens brancas bordadas, surgiu e saltou sobre o pátio, o jovem cortando lenha sob o suor era claramente visível.
Com um leve toque de pés, o homem de manto azul desceu do céu, pisando com força diante do jovem.
Crek.
Duas madeiras partiram sob seu peso.
O olhar do homem era sombrio ao fitar o jovem.
"Ah!"
O rapaz pareceu tomado de um enorme susto, saltando de repente.
Mas, ao cair, Qin Yin não se desequilibrou; ao contrário, virou-se e encarou com ferocidade o homem de manto azul e nuvens bordadas, segurando firme o machado.
"Ladrão?"
Sua postura indicava que atacaria sem hesitar.
O homem de manto azul franziu o cenho, pensando que o jovem era um tolo.
"Cale-se, garoto! Diga-me, viu uma mulher por aqui?!"
Após o grito, o homem olhou ao redor, atento ao chão, e ao ver a porta da lenha entreaberta, parecia querer entrar.
"Esta é minha casa!"
O jovem protestou, o rosto rubro de raiva.
O homem parou, fitando-o de lado, com olhar de desprezo: "Procuro uma mulher. Ser sua casa não me importa."
Qin Yin pareceu furioso com o desprezo, e, com um golpe, cravou o machado no tronco.
"Se eu tivesse mulher, estaria cortando lenha? Minha mãe ainda lavaria roupa?"
"Sabe quanto custa casar hoje em dia?"
"Está querendo brincar com o senhor Qin?"
O insulto era especialmente rude; com seu tom de ‘senhor’, a expressão do homem de manto azul mudou instantaneamente.
Com um movimento brusco, a luz da espada cintilou.
Antes que Qin Yin pudesse soltar outro insulto, foi lançado ao chão, atingido violentamente.
Ao tocar o peito, percebeu um corte profundo, sangue jorrando.
Para o homem de manto azul, o jovem estava em choque, sentado, tremendo ao olhar o ferimento.
"Que azar, encontrar um idiota desses," murmurou, com desdém.
"Qiu Ping, o que faz aí? Se não há ninguém, não perca tempo!" Uma sombra branca passou pelo céu, repreendendo-o.
O homem de manto azul ergueu o olhar, respondendo com respeito: "Elder, a bruxa não está aqui, apenas um tolo me atrasou."
Dito isso, alçou voo, sem sequer olhar para Qin Yin, ferido por sua espada.
Não o matara, mas se não cuidasse do ferimento, seu destino seria incerto.
Não era de admirar que Wei Qiu Ping fosse tido por cruel.
No pátio, restou apenas o jovem, atordoado de medo, cambaleando ao se erguer.
Após cinco respirações, uma voz feminina, sedutora e com certo espanto, soou do interior: "Rapaz, você realmente se sacrifica..."
"Cale-se, esconda-se!"
Qin Yin respondeu em voz baixa, os olhos semicerrados.
Antes de sair, o homem de manto azul olhou novamente o pátio.
Ao buscar alguém sem sucesso, certamente voltaria ao local mais suspeito.
E cortar lenha à noite era o que menos fazia sentido.
A voz na casa cessou de imediato.
Qin Yin apertou os olhos, e a tristeza tomou-o, chorando e xingando.
"Mãe, fui atacado..."
...
"Vou morrer..."
...
"Nunca tive mulher nesta vida..."
Entre lágrimas e insultos, com mãos trêmulas, Qin Yin apanhou uma teia de aranha do canto do galpão para estancar o sangue — método rápido de contenção.
"Quero casar... não quero morrer assim... buuu..."
Naquele instante, o jovem chorava de modo pungente.
Qin Yin encarnava perfeitamente o papel de um idiota.
Ao mesmo tempo, uma figura de manto azul voltou ao pátio, desta vez pisando suavemente, sem quebrar madeira.
"Buuu... hã?"
O choro cessou de repente; ao reconhecer o homem de manto azul, Qin Yin expressou terror, encolhendo-se no canto.
"Senhor, não me mate... por favor... minha mãe só tem a mim, não quero morrer, suplico!"
O homem de manto azul examinou o chão novamente, sem encontrar nada estranho, irritado com o choro de Qin Yin, ameaçou: "Mais um som, te corto hoje."
Qin Yin calou-se, balançando a cabeça, aterrorizado.
O homem fitou seus olhos, mas continuou em direção à casa.
A expressão de Qin Yin era a mesma: pânico e desespero, sem qualquer anormalidade, e assim, o homem abaixou totalmente sua guarda.
Ao chegar à porta da lenha, viu móveis velhos e chão irregular, expressando desprezo e olhando sem interesse.
"Parece que não está aqui."
Outra figura de manto azul chegou: "O elder está apressando, irmão, vamos."
"Sim."
Ambos saltaram, voando como gaviões pela noite, restando Qin Yin no canto, calado e tremendo.
Um fôlego...
Dez fôlegos...
Meia hora depois, ao ver que o ferimento cessara de sangrar, Qin Yin ergueu a cabeça, o olhar agora indiferente.
"Pode sair."
Ergueu-se, ignorando a carne exposta, caminhou até a porta da lenha.
Apanhou o jarro de aguardente sob o beiral, coberto por uma tigela quebrada.
Era a bebida comprada por Qin Zhao para fortalecer Qin Yin.
Retirou o pano grosso da tampa, o aroma forte invadiu-lhe a mente.
Com uma mão, ergueu o jarro e despejou sobre o peito.
O álcool ardente lavou a ferida.
No pátio pobre, o rosto de Qin Yin contorceu-se, veias saltando no pescoço, mas manteve-se em silêncio, a mão firme sem tremer.
Ao luar, a silhueta esbelta da mulher surgiu discretamente à porta da lenha.
A cena, clara aos olhos.
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PS: Por se tratar de um período inicial do novo livro, ainda sem recomendação, Lao Dang não pode atualizar muito por ora. Quando chegar a vez da recomendação, acelerará as atualizações. Peço compreensão.