Capítulo Sete: A Arte do Caminho Desimpedido
Os dois saíram juntos do túmulo principal e, num instante, saltaram para fora de toda a tumba, chegando à entrada. Olharam ao redor—mas onde estava o túmulo? Toda a estrutura havia desaparecido, como se jamais tivesse existido.
Wang Chang’an verificou e, felizmente, o saco de pele roxa ainda estava consigo.
Desta vez, pode-se dizer que havia lucrado imensamente, sem grandes perigos. Contudo, tal jornada apenas aguçara ainda mais a sua curiosidade acerca da linhagem dos Coelhos Demoníacos do Taiyin—o que teria levado aqueles “Olhos Azuis” a poupar-lhe a vida?
— E então, velho coelho, venha comigo para a mina. De agora em diante, junte-se a mim — disse Wang Chang’an, fitando Yin Wudi com um olhar carregado de significado.
— Está bem, já que não é fácil para ti, o Coelho Venerável terá piedade e te protegerá daqui em diante.
— Ora, vá à merda! Preciso lá da tua piedade! — replicou Wang Chang’an.
Ao retornarem à mina, já era meio-dia. Wang Chang’an procurou Da Zhuang e os outros, apresentando-lhes Yin Wudi. Este, por sua vez, não se mostrou arrogante e logo se integrou ao grupo, conversando alegremente com todos.
— Xiao An, o Clã Hanshan enviará alguém. Ouvi dizer que querem investigar as estranhezas da mina vizinha. Falam que virá o jovem mestre do clã, portador de olhos extraordinários, de natureza sobrenatural.
— Podem investigar à vontade. Se for preciso, o Coelho Venerável se esconde num salto — quero ver como vão descobrir alguma coisa. Mas, Da Zhuang, disseste que esse jovem tem olhos diferentes?
— Sim. Segundo rumores entre os Cavaleiros Lobo, seu jovem mestre nasceu com olhos de tom azul-esverdeado, capazes de ver através de muitas coisas, e possui um talento excepcional para o cultivo; já abriu seis orifícios.
— Seis orifícios? Que grande coisa! O Coelho Venerável também vai alcançá-los em poucos dias.
— Velho An, tu devias apressar o passo. Em breve, vamos virar esta mina de pernas para o ar!
— Combinado.
Wang Chang’an de fato pretendia cultivar; agora que já conhecia a localização dos nove orifícios, bastava romper as barreiras.
Escavou uma pequena câmara de pedra e pôs-se a praticar, ativando a técnica do Moinho Negro e Branco. Ao fazê-lo, sentiu a energia espiritual ao redor entrar em convulsão, convergindo a uma velocidade impressionante.
Era como se saqueasse o ambiente—esta técnica era, deveras, tirânica, absorvendo a energia circundante e reunindo-a no dantian.
Seu sangue começou a ferver, o Moinho brilhava em preto e branco.
Dentro do corpo, as duas energias se entrelaçavam, fios de aura espiritual emergiam, e uma torrente de energia investia contra os orifícios.
Um estrondo.
O primeiro orifício foi rompido com facilidade surpreendente.
No orifício sanguíneo, uma neblina rubra se adensava, condensando-se, enquanto as duas energias, negra e branca, se infiltravam no local. Todo o orifício tornou-se abrasador, irradiando um leve fulgor dourado; conforme a energia penetrava, transformava-se em ouro puro, como se fundido em ouro maciço.
O vigor de Wang Chang’an aumentava, sua força corporal ultrapassava as cinco mil jin.
A energia espiritual continuava a fluir, e rapidamente Wang Chang’an concluiu sua ascensão.
— O Mestre estava certo—com este corpo, na era da energia espiritual, não apenas não há declínio, como o cultivo é várias vezes mais veloz que o comum.
Organizou cuidadosamente suas experiências, certo de que, no futuro, poderia criar uma técnica ainda mais poderosa que a Técnica da Eterna Juventude.
Yin Wudi também havia progredido sem dificuldades; para seu talento, nada disso era obstáculo.
Wang Chang’an procurou os anciãos do clã—no momento, o Clã Xinggu contava com quatro anciãos de maior prestígio e poder.
O Grande Ancião, Wang Xiahóu, já havia aberto sete orifícios; Wang Xia’er, Wang Xiajun e Wang Xiu, cada um deles, atingira seis.
O Clã Xinggu era pequeno e vivia cercado de perigos. A vila, chamada de tribo, não passava de pouco mais de dois mil habitantes.
Comparado à vastidão do mundo, eram como grãos de areia no oceano.
***
A Terra Antiga de Da Cang era de perigos inumeráveis, seus seres vivos, dotados de força singular.
Uma aranha venenosa do tamanho de uma palma, com um simples sopro de seda, perfurava a pedra; um movimento de suas patas podia riscar rocha sólida.
Haviam feras cujo rugido soava como trovão, capazes de despedaçar montanhas com um único golpe.
Aves ferozes elevavam-se ao céu, cruzando milhas, e com suas asas cortavam rios.
O Clã Xinggu erguia-se neste território selvagem, cercado por montanhas e rios sem fim, sua extensão desconhecida.
O clã era minúsculo, cercado por bestas selvagens, seus membros fracos, lutando até mesmo pela subsistência; recursos para cultivo eram um luxo, e as técnicas, rudimentares.
Sem recursos nem técnicas adequadas, romper os limites era tarefa árdua.
Wang Chang’an, manipulando as energias negra e branca em seu corpo, ajudava Wang Xiahóu a desobstruir os meridianos—os quatro anciãos haviam sido gravemente feridos pelo clã Hanshan, suas lesões eram profundas.
— Puf.
Wang Xiahóu cuspiu sangue negro, o suor encharcando-lhe o rosto, mas a expressão era de alívio.
— Irmão! — Wang Xiajun exclamou em ansiedade.
— Não se preocupem. Hahaha! Há muito não me sentia tão bem. Xiao An não apenas curou minhas feridas, mas também eliminou antigas lesões ocultas. Sinto-me renovado!
— O quê? Xiao An, tens mesmo tal habilidade?
— Sim, avôs, é verdade. Esta grande mina Hanshan não é lugar seguro; precisamos fugir o quanto antes.
Em um dia, Wang Chang’an curou as feridas dos quatro anciãos, e eles já começavam a recuperar seu cultivo.
Distribuiu algumas pedras espirituais, deixando-os surpresos—jamais imaginaram poder cultivá-las um dia.
— Xiao An, estas pedras são valiosas demais. Fica com elas.
— Não se preocupem, grande avô, tenho muitas. O importante agora é garantir a fuga do nosso povo.
***
Wang Chang’an começou a reunir todos os guerreiros do clã que já tivessem aberto seus orifícios. Excluindo os anciãos, havia apenas setenta pessoas aptas ao cultivo; a maioria abrira apenas um orifício sanguíneo, os melhores tinham três.
Felizmente, cinco membros haviam aberto três orifícios: Wang Qingfeng, Wang Qingzhuang, Wang Qingshou, Wang Qingjue e Wang Qingluo.
Todos eram caçadores do clã, acostumados a batalhar contra feras, e haviam recebido a melhor formação possível—tal fato trouxe alívio a Wang Chang’an, pois já superavam a média dos Cavaleiros Lobo.
Wang Chang’an percebeu também que muitos membros da geração mais jovem possuíam excelente aptidão.
Xiaofeng, Da Zhuang, Xiaoning, Xiaojue e Xiaoluo eram todos notáveis—algo raríssimo no Clã Xinggu.
De mais de mil pessoas, menos de um décimo podia cultivar; não era só questão de recursos, mas a Técnica da Eterna Juventude era realmente deficiente, difícil de despertar o sentido do qi e adentrar o caminho do cultivo.
Wang Chang’an, aprimorando a técnica com base nos métodos da seita terrestre de sua vida anterior, na experiência de Yin Wudi e dos próprios membros do clã, criou uma nova arte.
A linhagem de Yin Wudi era poderosa—embora de corpo demoníaco, o método de cultivo não diferia tanto. Só por isso, a nova arte já superava em dez vezes a antiga.
Era vigorosa, extremamente sensível à energia, dotando o praticante de força densa e estável como uma montanha.
E, por ter sido forjada nas minas, decidiu-se, após consulta aos anciãos, batizá-la de Arte do Caminho Vasto—Kuang Dao Gong.
Kuang Dao, homófono a mina, representava uma técnica de excelência.
Wang Chang’an distribuiu a cada guerreiro uma pedra espiritual de grau inferior; mesmo uma só dessas pedras bastava para um mês ou mais de cultivo.
***
Na Terra de Da Cang, mesmo o Clã Hanshan não podia se dar ao luxo de usar pedras espirituais assim.
Os anciãos empenharam-se a fundo, ensinando a Arte do Caminho Vasto; o Clã Xinggu manteve tudo em segredo, proibindo qualquer menção à nova técnica.
No dia seguinte, a rotina de escavação seguia normal, mas, à noite, todos cultivavam em segredo; Wang Qingzhuang e outros, com cobertura da tribo, dedicavam-se ao avanço.
Três dias depois, uma patrulha de Cavaleiros Lobo surgiu à distância: cem guerreiros escoltavam um jovem com capa de pele de animal, cujos olhos brilhavam com um fulgor azul-gélido.
Wang Chang’an, curioso, observou atentamente. Bastou um olhar para que o jovem sentisse sua presença; imediatamente, voltou o olhar para Wang Chang’an, que baixou a cabeça, evitando contato visual.
Yin Wudi, oculto entre as pedras, viu tudo com clareza e esboçou um sorriso.
— E então, viu alguma coisa? — Wang Chang’an perguntou.
— Deve ser a Pupila da Espada Azul, uma das Trinta e Seis Pupilas Singulares. Notável, embora ainda não seja a verdadeira. O jovem só domina a superfície.
— Tal talento não é mau, mas ainda está aquém do Coelho Venerável.
— Deixa de bobagens. Esse dom ocular é mesmo tão forte?
— Forte é, mas está incompleto. Mesmo que venha a se aperfeiçoar, num lugar tão árido, não pode mudar o destino sozinho.
Yin Wudi falava com convicção. Wang Chang’an não respondeu. Após a inspeção, o jovem nada encontrou e a mina contígua voltou à atividade, com mais mineiros ingressando.
O jovem mestre do Clã Hanshan chamava-se Luo Qing. Permaneceu dois dias na mina, investigando repetidas vezes, mas em vão, partindo enfim, impaciente.
Das conversas dos Cavaleiros Lobo, Wang Chang’an soube que o Clã Hanshan disputava um veio espiritual com o poderoso Clã Heishui—um conflito intenso.
Quando Luo Qing partiu, levou consigo mil mineiros e cem Cavaleiros Lobo de outra galeria.
Restaram apenas três chefes e trezentos Cavaleiros Lobo na mina—Wang Chang’an via ali uma oportunidade.
O tempo passou—em um mês, muitos membros do clã haviam progredido; os cinco caçadores já estavam no quinto orifício—avanço notável.
O clã ganhou trinta e cinco novos guerreiros; entre a juventude, Wang Dazhuang foi o primeiro a romper limites, seguido por outros.
Seu talento era realmente assinalável, ao menos dentro do clã.
Wang Chang’an seguia uma política de elite: só quem avançava recebia pedras espirituais. Assim, os guerreiros valiam mais que muitos comuns.
Os quatro anciãos, acumulando forças, também avançaram; Wang Xiahóu já estava com oito orifícios, rivalizando em poder com os chefes inimigos.
Wang Chang’an descobriu que os Cavaleiros Lobo ali não eram elite do Clã Hanshan, mas tropas desprezadas, relegadas à guarda da grande mina.
Ele e Yin Wudi progrediam rapidamente, ambos já no quarto orifício. Se Wang Chang’an quisesse, podia romper o quinto de imediato, mas preferiu consolidar sua base, tornando-a sólida como ouro—quatro orifícios reluziam em seu corpo, sua força ultrapassava dez mil jin, suficiente para enfrentar qualquer chefe.
Bastava o clã fortalecer-se um pouco mais, e viria o momento de sublevar a mina Hanshan.
Wang Chang’an e Yin Wudi não descansaram—exploravam a mina, extraindo grandes quantidades de ferro espiritual; sempre que Yin Wudi se exauria, Wang Chang’an o curava com as energias negra e branca.
Mais de mil membros extraíam minério diariamente, entregando uma parte, enquanto o restante Wang Chang’an guardava.
Com esses recursos, tão logo escapassem da mina Hanshan, poderiam forjar rapidamente um novo clã.