Capítulo Dois: O Jovem Marechal da Família Long
Capítulo 2 – O Jovem Marechal da Família Long
"Ouvir as nuvens?" Ao pensar nisso, Long Xuankong não conseguiu evitar, mais uma vez, de pronunciar essas duas palavras, e em sua mente surgiu a imagem de uma jovem etérea, vestida com um vestido branco, cuja presença parecia alheia ao mundo. Seu semblante, contudo, estava ensombrado pela melancolia; embora o tempo que passara com aquela jovem tivesse sido breve, Long Xuankong fora inegavelmente cativado por sua beleza e aura, apaixonando-se por ela profundamente.
"Meu neto, o que disseste?" A velha senhora franziu as sobrancelhas.
Long Xuankong não respondeu à pergunta da avó; antes, concentrou o olhar em suas próprias mãos—tão alvas e delicadas, os braços macios e finos, quase comparáveis aos de uma donzela.
"Não era para eu ter renascido como o jovem marechal do Clã Long? O que está acontecendo? Não terei me tornado uma garota, será?" Pensou, alarmado, abraçando repentinamente o próprio peito, começando, enfim, a averiguar sua condição.
"Felizmente, o peito é plano." Long Xuankong respirou aliviado.
Em sua vida anterior, já havia atingido o domínio da introspecção, e pretendia examinar-se internamente; contudo, como da vez anterior, não conseguiu—era como se os meridianos em seu corpo permanecessem num silêncio sepulcral.
Seu semblante tornou-se ainda mais carregado. Num ímpeto, saltou da cama, apenas para perceber que o controle sobre seus membros era frágil, quase como o de uma criança aprendendo a caminhar.
Felizmente, o espelho estava próximo à cabeceira; dois passos bastaram para alcançá-lo, e ao se deparar com o reflexo, Long Xuankong ficou atônito.
Diante de si, via-se um rapaz de treze ou quatorze anos, cabelos longos atados ao topo da cabeça, rosto alvíssimo, trajando um pijama de seda branca—um jovem absorto e confuso.
"Sou realmente eu? Eu?" Pensou, mas a resposta surgiu quase de imediato, pois informações afluíam-lhe à mente.
"Viajei para o Continente Tianyi, no Império Xuantian? E renasci como o jovem senhor da Cidade de Xuanzhou? Não, mais precisamente, tomei posse deste corpo? Maldição, eu realmente consegui atravessar os mundos? E mesmo assim, por que não fui parar quinhentos anos no futuro, e sim neste lugar arcaico, semelhante à Antiguidade? Isto não é praticamente uma sociedade primitiva? Eu era o principal agente do Grupo Dragão, e minha Tingyun... aquela era minha última missão, minha deusa dos sonhos!"
Long Xuankong sentia-se sobrecarregado de perguntas; um sorriso amargo aflorou-lhe aos lábios.
"Xuer, o que há contigo?" A mulher a quem chamava de mãe, ao vê-lo sorrir de modo tão amargo, sentiu o coração apertar-se de preocupação.
Long Xuankong conteve o sorriso, sentando-se lentamente à beira da cama, e pensou consigo: "Ao menos continuo sendo homem, do contrário, preferiria esmagar-me contra a parede."
Em voz audível, porém, disse: "Mãe, estou bem. Gostaria apenas de ficar um pouco sozinho."
A expressão da velha senhora e da mãe de Long Xuankong era permeada de perplexidade; ambas haviam percebido que o olhar de Long Xuankong já não era o mesmo. Antes, ele não passava de uma criança—quando, porém, o olhar lhe parecera tão profundo e entristecido?
O tom, o olhar—era como se tivesse se tornado outra pessoa, amadurecido dez anos numa única noite.
"Seria o sofrimento o prelúdio do crescimento?", pensou a velha senhora.
"Meu neto, tens certeza de que o ferimento na cabeça não te causa mais incômodo?" A inquietação da avó apenas crescia diante das anormalidades do neto; levantou a mão e tocou-lhe a testa, como a querer certificar-se de que estava recuperado.
"Está tudo bem agora", respondeu Long Xuankong, embora ainda sentisse dor latejante na cabeça. Contudo, para o Long Xuankong de outrora, dor era coisa corriqueira, e ele não lhe deu importância.
"E lembras-te do que aconteceu antes?" A velha senhora insistiu, ainda preocupada.
Long Xuankong assentiu: "Claro que me lembro, não esqueci de nada."
E, batendo no próprio peito com orgulho, acrescentou: "Sou o jovem marechal da Cidade de Xuanzhou!"
Ao dizer isto, pensou consigo: "Ora, se é para atravessar, que assim seja. Ainda que em outro mundo, saberei prosperar."
"Muito bem. Xuankong, descanse. A avó tem assuntos a resolver; deixarei sua mãe aqui contigo." A velha senhora se levantou e saiu do quarto, com o semblante indicando que assuntos urgentes ainda a aguardavam.
A mãe de Long Xuankong permaneceu sentada a seu lado, dizendo: "Xuankong, desta vez o céu foi piedoso, não quis que eu perdesse meu filho, e devolveu-te a mim. Se um dia não quiseres mais ir à academia, basta dizer à mãe; depois do que aconteceu, tua avó certamente não te forçará mais a praticar artes marciais, entendes?"
"Mãe, estou com fome..." Long Xuankong franziu o cenho, respondendo de forma evasiva, um tanto envergonhado, pois realmente sentia fome.
"É verdade, meu filho está há dois dias sem comer! Xiao Yi, traga um caldo para o jovem senhor, depressa!"
"Sim, senhora!", respondeu uma voz feminina do lado de fora, com passos que se afastavam.
A mãe de Long Xuankong voltou a falar: "Xuankong, daqui em diante deves ser mais cuidadoso, entendes? Não podes mais ser tão insensato a ponto de desafiar outros para duelos. Não sabes que começaste a treinar artes marciais há menos de um mês?"
"Mãe, não se preocupe. Realmente fui precipitado antes." As palavras de Long Xuankong fluíam como se fossem instinto, sem precisar de reflexão.
A mãe assentiu, e nesse momento, a criada Xiao Yi trouxe o caldo de ginseng, já previamente preparado.
Sob os cuidados maternos, Long Xuankong primeiro bebeu um pouco de água, depois começou a tomar o caldo. Com uma tigela de sopa quente no estômago, fingiu-se de sonolento, e ao vê-lo assim, sua mãe deixou-o, restando Long Xuankong sozinho no quarto.
Assim que a mãe deixou o recinto, Long Xuankong sentou-se em posição de lótus na cama, massageando as têmporas, enquanto organizava em sua mente as novas informações que assimilara.
A terra onde se encontrava chamava-se Continente Tianyi, pertencente ao Império Xuantian, cuja capital situava-se na Cidade de Daliang.
Sua identidade: filho do senhor da Cidade de Xuanzhou, no Império Xuantian. Xuanzhou e suas redondezas, num raio de trezentas milhas, constituíam o feudo hereditário dos Long, uma concessão do primeiro imperador do Império Xuantian, Liu Jing, em reconhecimento aos feitos do primeiro patriarca da família Long, Long Xiaotian. A cidade localizava-se no noroeste do império, próxima a Youzhou e com o Monte Taibai a oeste.
Long Xiaotian auxiliou Liu Jing a fundar o império, tornando-se o maior marechal do reino, expandindo suas fronteiras; contudo, tombou em batalha em Youzhou, defendendo o império contra seu maior rival, o Império Cangying.
O segundo patriarca, Long Xingtian, não herdou o posto de comandante do pai, preferindo recolher-se ao feudo. Porém, há mais de vinte anos, uma guerra obrigou-o a atender ao chamado imperial, e ali encontrou a morte, longe de casa.
A esposa de Long Xingtian, a avó de Long Xuankong, é respeitosamente chamada de Velha Senhora Long, hoje com noventa e oito anos. Ela e Xingtian tiveram cinco filhos e uma filha, mas os cinco filhos, assim como o pai, foram convocados pelo imperador após a morte de Xingtian, lideraram exércitos e tombaram em combate pelo país.
O pai de Long Xuankong, Long Yuntian, partiu de Xuanzhou no segundo dia após o casamento, morrendo em batalha, sem que o corpo retornasse à terra natal. Mas deixara um herdeiro, um filho varão—o único descendente masculino desta geração.
A tia de Long Xuankong, Long Yunwu, já conta quarenta anos, mas jurou jamais casar-se, dedicando-se totalmente às artes marciais e ao cuidado da mãe idosa—o que, naturalmente, é motivo de angústia para a velha senhora.
Diante de uma família assim, o atual Long Xuankong não pôde senão curvar-se em respeito; à velha matriarca, sua admiração era absoluta—afinal, aos cinquenta e oito anos, ainda dera à luz uma filha.
Justamente por todos os homens da família Long terem perecido sucessivamente no campo de batalha, restando apenas Long Xuankong, pode-se imaginar a importância que lhe era conferida.