Capítulo Quatro: O Vaso de Jade Puro

Sang Panglima Muda yang Mendominasi Langit Feng Yu Xue, 2808kata 2026-03-14 14:31:49

Capítulo Quatro – O Vaso de Jade Puro

Através das memórias do antigo Long Xuankong, ele compreendera que o grau de fascínio por artes marciais neste mundo superava em muito aquele dos homens modernos da Terra. Este lugar assemelhava-se à China dos tempos antigos, na era das armas frias, onde guerras eclodiam por toda parte e a vida humana não passava de formigas sob os pés dos poderosos. Sem força pessoal avassaladora ou respaldo de uma linhagem influente, restava ao homem apenas ser abatido como gado; a lei, aqui, não era senão um instrumento de dominação dos fortes sobre os fracos.

Ademais, entre os cultivadores desta terra, reinava uma hierarquia severa. O mais iniciante era denominado Wusheng, o Discípulo Marcial; depois vinha o Wushi, o Guerreiro; em seguida, o Wushi, o Mestre Marcial; depois, Wushuai, o Comandante Marcial; e, por fim, Wuzong, o Patriarca Marcial.

Quanto ao que existia além do patamar de Wuzong, se algo mais elevado havia, as recordações de Long Xuankong não traziam luz. Embora fossem apenas cinco níveis, a distância entre eles era abissal, e cada nível subdividia-se ainda em três graus: inferior, médio e superior.

O antigo Long Xuankong apenas frequentara a Academia Marcial Xuantião por um mês, evitando deliberadamente o estudo das artes marciais. Por isso, o conhecimento transmitido ao Long Xuankong presente sobre tais matérias era escasso. Não lhe era possível distinguir, tampouco, entre o “Qi primal” deste mundo e o “Qi verdadeiro” cultivado pelos praticantes da Terra, nem compreender as diferenças entre o “Qi espiritual” que surgia ao atingir o reino do Inato.

Durante todo aquele dia, Long Xuankong permaneceu imerso em ponderações acerca do caminho que deveria trilhar, valendo-se das informações dispersas em sua mente. Exceto por algumas idas ao banheiro, sequer cruzara o batente do quarto.

Oriundo da Terra, onde já atingira o patamar de Grão-Mestre do Inato, Long Xuankong possuía uma compreensão própria e refinada sobre as artes marciais. Detinha seu próprio método de cultivo, e não seria insensato a ponto de recomeçar do zero.

Embora ignorasse o método deste mundo para refinar o “Qi Profundo”, poderia ao menos tentar aplicar as técnicas de sua vida pregressa. Na existência anterior, bastava-lhe força espiritual suficiente e a correta técnica meditativa para localizar aquele fio sutil de “Qi do Meridiano Cardíaco”.

Uma vez identificado esse fio — aquilo a que se chamava Qi Verdadeiro ou Energia Interna — o progresso no cultivo tornava-se exponencial, e o esforço não se daria mais às cegas.

Naquela noite, Long Xuankong não se deitou para repousar, pois o sono lhe era estranho.

Sentado em postura meditativa sobre o leito, ingressou no estado de profunda introspecção, utilizando a técnica do coração de sua vida passada para perceber o fio do “Qi do Meridiano Cardíaco” em seu interior. Ademais, tal estado de quietude meditativa era, por si só, o mais elevado tipo de descanso: três horas de meditação profunda equivaleriam a oito horas de sono comum.

Sua experiência anterior ensinara-lhe que, desde o nascimento, o homem e o “Qi” coexistem; no corpo, deve necessariamente haver um fio de energia sutil — o Qi do Meridiano Cardíaco. Sem Qi, não há vida; vida e Qi se entrelaçam e sustentam. Contanto que o espírito seja vigoroso, é possível sentir esse fio de energia, vulgarmente chamado de Qi Verdadeiro ou Energia Interna. Ao transcender para o reino do Inato, tornando-se Grão-Mestre, passa-se então a perceber o Qi do Céu e da Terra, e o Qi Verdadeiro evolui para Qi Espiritual.

“Será que o Qi Verdadeiro e o Yuanqi deste mundo são a mesma coisa? De todo modo, devo ser capaz de cultivar aqui também”, murmurou Long Xuankong em seu íntimo, entregando-se ao silêncio interior.

Na quietude profunda da noite, o vasto Solar Long jazia mergulhado em silêncio absoluto.

O coração de Long Xuankong alcançara um estado de serenidade extrema; sua mente era um espelho translúcido, e até mesmo a dor latejante em suas têmporas cessara por completo.

Esse estado singular, entre o sono e a vigília, só poderia mesmo ser alcançado por alguém originário da Terra, como Long Xuankong. Neste mundo, poucos compreendiam a arte da meditação profunda, menos ainda dominavam as técnicas mentais correspondentes.

Por fim, transcorridas duas horas de silêncio absoluto, apoiado pela força espiritual de um Grão-Mestre Inato, Long Xuankong finalmente percebeu um fio de energia próximo ao átrio do coração. Tão sutil quanto um fio de cabelo, mas incessante, essa energia emergia do coração, dissolvia-se no sangue e, assim, nutria todo o corpo.

Ao sentir, por fim, esse fio, Long Xuankong exalou um suspiro de alívio — era a prova de que os habitantes deste mundo também podiam cultivar pelos métodos de sua vida anterior. Era um auspício promissor.

Contudo, antes que pudesse regozijar-se plenamente, algo inesperado surgiu em sua mente: um vaso de jade branco, no qual havia inserido um ramo de salgueiro.

“Um vaso de jade branco?” Ao sentir a presença desse objeto, Long Xuankong estremeceu. Lembrava-se claramente de que, no instante em que morrera para salvar Tingyun, sua alma fora protegida por esse mesmo vaso e o ramo de salgueiro, livrando-o do extermínio total.

Esse episódio estava vívido em sua memória; por um momento, chegou mesmo a crer que a própria Bodisatva Guanyin descera ao mundo mortal para salvá-lo, brandindo o Vaso de Jade Puro e o ramo de salgueiro.

Ao concentrar-se, o vaso com o ramo de salgueiro emergiu subitamente de seu corpo, repousando em sua palma, crescendo até atingir um chi de altura, estabilizando-se em seguida.

O ramo de salgueiro sobre o vaso de jade reluzia em um verde esmeralda tão vívido quanto gotas de orvalho, circundado por uma névoa branca, tornando o conjunto ainda mais enigmático.

Aproximando o rosto do ramo, Long Xuankong inspirou profundamente. Um frescor inebriante inundou-lhe o peito; sua mente pareceu elevar-se a um ápice de clareza, e sua força espiritual atingiu alturas incomensuráveis.

Ergueu a cabeça, surpreso, e exclamou: “Que maravilha é esta!”

Logo, porém, uma dúvida lhe assaltou o espírito: “Seriam verdadeiras as lendas? Existem de fato os imortais? Será este o Vaso de Jade Puro da Bodisatva Guanyin, capaz de ressuscitar os mortos e reviver a Árvore dos Frutos Divinos, junto ao ramo sagrado?”

A tais pensamentos, seus dedos relaxaram gradualmente, e, como esperava, o vaso de jade ficou a flutuar serenamente no ar, imóvel.

Fixando o olhar naquela nuvem branca repousada sobre o ramo de salgueiro, Long Xuankong foi tomado por uma vaga sensação de familiaridade. Aquela substância, ou talvez vapor condensado, já a sentira outrora em Tingyun; era, sem dúvida, algo que superava até mesmo o Qi Espiritual.

“Seria o lendário Qi Imortal?” tornou a conjecturar, estendendo a mão para agarrar a nuvem alva, mas logo percebeu que era impossível capturá-la.

Seus próprios meridianos ainda estavam completamente bloqueados, impossibilitando-o de cultivar as técnicas divinas da vida anterior para absorver o Qi do ramo de salgueiro. Restava-lhe, pois, abandonar a tentativa.

Ainda assim, Long Xuankong podia afirmar: sentia-se ligado por laços de sangue ao vaso de jade e ao ramo sagrado em seu interior.

“Doravante, chamar-te-ei de Vaso de Jade Puro. Embora não espere que me devolvas ao meu mundo, ao menos serás responsável por minha segurança. A verdade é que sempre me faltou senso de segurança, por isso me dedico tanto ao cultivo”, murmurou, entre irônico e resignado.

Com um pensamento, o vaso de jade encolheu rapidamente, convertendo-se em um raio de luz branca que penetrou pela testa de Long Xuankong, recolhendo-se ao palácio de sua consciência.

Porém, no exato instante em que recolheu o Vaso de Jade Puro, sua alma estremeceu violentamente. Long Xuankong sobressaltou-se: “Alguém invadiu o Solar Long? Que coincidência…”

Graças ao vaso, sua força espiritual agora abrangia quase cinquenta metros do pátio interno, captando qualquer mínima perturbação. Um vulto, vestido de negro como a noite, movia-se ágil como um gato selvagem, aproximando-se furtivamente de sua direção.

A rota do intruso era engenhosa, mantendo-se oculto nas sombras, o sopro vital reduzido ao mínimo, tão etéreo quanto uma brisa. Sem percepção espiritual, alguém apoiado apenas nos olhos jamais o distinguiria naquela noite escura como breu.

“Conseguiu ludibriar até os guardas mortais do Solar Long; deve ser, no mínimo, um mestre no auge do caminho marcial”, pensou Long Xuankong, surpreso. Mas, nesse instante, notou que o invasor já estava junto à sua janela.

“Maldição! Teria vindo assassinar-me? Não sabem acaso que sobrevivi? Droga, estou mais fraco que um filhote de galinha”, inquietou-se. Contudo, num átimo, virou-se e colou-se agilmente atrás da porta, ao mesmo tempo em que sua força espiritual se projetava abruptamente na direção do intruso.

O ar, reunido sob o influxo de seu poder espiritual, ondulou de súbito, colidindo quase materialmente com o corpo do invasor.

A figura ágil como um gato selvagem estacou subitamente, recuou rolando várias vezes e ficou prostrada no chão a apenas cinco ou seis metros da janela de Long Xuankong, o suor frio escorrendo-lhe da testa. Uma voz aterrorizada ecoou em sua mente: “Que pressão avassaladora — teria o Fantasma Felino sido descoberto? Impossível, a não ser… que haja um Patriarca Marcial na família Long.”

O pátio retomou o silêncio, ainda que, na verdade, jamais houvesse ruído algum.

Long Xuankong, sereno como a água de um lago em calmaria, não se deixou perturbar pela chegada do estranho. Ao contrário, sob o domínio de sua força espiritual, seu coração batia tão lento e leve quanto possível. Imóvel atrás da porta, manteve-se sem emitir o menor som.

O invasor, por sua vez, permanecia em alerta absoluto, atento à presença desconhecida daquele mestre oculto.