Capítulo 6: Quem Toma, Não Devolve
— Eu estava prestes a trocar de roupa agora há pouco, por que não podia trancar a porta?
Meng Jia engoliu em seco; há instantes dissera aquilo de propósito, acreditando que Tang Xin, como antes, pediria desculpas e depois lhe ofereceria algum agrado para aplacá-la.
Mas o resultado... era essa atitude?
Ao recordar os boatos que ouvira ao sair de manhã, a expressão de Meng Jia tornou-se intricada. No campo, atualmente, não havia praticamente nenhuma atividade de lazer; e o pátio da família Li não era um recinto fechado, de modo que o acontecido da noite anterior já havia se espalhado por todo o Dazhong de Fenshou.
No início, apenas os jovens educados e os vizinhos da família Li sabiam do episódio, mas, como todos saíam cedo para trabalhar, era natural que, entre uma tarefa e outra, as conversas corressem soltas. Assim, depois de uma jornada de labor, tudo o que era para ser sabido — e o que não era — já estava na boca do povo: a bela Tang, a jovem mais formosa que aportara ao Dazhong de Fenshou, pretendia casar-se com o rapaz da família Li.
Os camponeses rústicos dali jamais ousariam sonhar com tal coisa, porém, além de Lu Liqin, não poucos jovens educados nutriam simpatia por Tang Xin.
Linda, de boa família, com origens prósperas — quem não desejaria desposar uma moça assim? Se Tang Xin era um tanto delicada, preguiçosa até, que mal havia nisso? Jovens belas têm o direito de se poupar. Quem a tomasse por esposa não teria coragem de mandá-la ao campo; seria tratada como uma deusa.
Agora, no entanto, Tang Xin decidira casar-se com um matuto, e isso enfurecia a todos, a ponto de quererem pular de indignação.
Meng Jia, à parte, sentia-se tomada de raiva; não suportava ver os outros homens elogiando Tang Xin com tanto fervor.
Especialmente desde a noite anterior, quando Lu Liqin não cessava com seu humor irônico, de rosto fechado, como se lhe devessem uma fortuna.
Não passava de uma mulher apaixonada decidindo, de súbito, casar-se com outro; Lu Liqin, certamente, acreditava que Tang Xin só falava por despeito. Meng Jia, porém, tomara sua decisão: faria tudo o que estivesse ao seu alcance para que esse casamento se concretizasse!
Assim, ajustando seu ânimo, Meng Jia disse:
— Desculpe, Tang Xin, não pensei nisso tudo. Mas ontem à noite, de fato, fiquei muito preocupada com você, mal consegui dormir. Você sabe o quanto sempre fui boa para você.
Sua mãe gostava de repetir: "Ai, nossa família Meng é tão sofrida... Veja só agora..." — era uma forma de lembrar mãe e filha Tang de que seu marido morrera salvando o pai de Tang, um favor imenso.
Mas Meng Jia era astuta; tais palavras só eram ditas diante de Tang mãe e filha. Diante do patriarca Tang, mostrava-se dócil e sensata, a perfeita donzela.
Já os bordões de Meng Jia eram "minha Tang Xin", "faço tudo por você", "você é minha irmãzinha", sempre adoçando a personagem original, tornando-a dócil e obediente.
Infelizmente, a Tang Xin de agora já não era a mesma; em seu corpo habitava uma nova alma, e ver aquele rosto falso de Meng Jia lhe causava profundo asco.
Tang Xin acenou com a cabeça e disse:
— Já que você sempre foi tão boa comigo, vamos calcular, afinal, o quanto foi boa.
— Nestes dois anos no campo, minha mãe me enviou muitas coisas boas. Você sempre dizia que estava apenas pegando emprestado, mas nunca devolveu nada. Relógio, sapatos, roupas novas, tudo isso eu nem menciono; mas até os cupons de racionamento, a carne defumada que minha mãe me mandava, tudo você tomou e nunca devolveu.
Meng Jia tanto se esforçara para se tornar a melhor amiga de Tang Xin, tudo para poder se encostar nela e garantir uma vida mais confortável para si.
Jamais imaginara, contudo, que a Tang Xin, agora de gênio tão mudado, fosse vir assim, cobrar-lhe as contas. Queria que tudo fosse devolvido, por tão poucas coisas...
Quanto mais pensava, mais ira sentia Meng Jia. Nem mesmo tendo renascido conseguia gostar de Tang Xin, achava-a mesquinha ao extremo.
Tinha tanto dinheiro, mas não queria dividir nada com ela.
Meng Jia, então, desatou a chorar, sentindo-se injustiçada:
— Tang Xin, como pode dizer isso? Não foi tudo porque você não queria mais e jogou pra mim? Eu é que vivia recolhendo o lixo que você descartava. Você esqueceu o quanto sempre fui boa com você todos esses anos?
Tang Xin nada mais disse; apenas indagou, fria:
— Vai devolver?
Meng Jia sentia tanta raiva que, se pudesse, mataria Tang Xin ali mesmo para tomar seu lugar e viver uma vida feliz em seu lugar.
Mas, lembrando-se de seus planos, sabia que não podia romper com aquela tola agora.
Não pretendia devolver nada; afinal, sua mãe também não vivera dias fáceis na casa dos Tang. Só podia confiar em si mesma para ter uma vida um pouco melhor.
Pensando assim, lágrimas quase transbordando dos olhos, respondeu, lastimosa:
— Eu... eu não posso devolver agora, mas faço uma nota promissória para você.
Ergueu o rosto, obstinada:
— Eu sempre considerei você como uma irmã de sangue, por isso faço a nota. Mas, Tang Xin, você sabe que não foi assim que aconteceu.
Mesmo nessas horas, não perdia a chance de lançar lama em seu nome; Tang Xin, diante do caráter de sua "melhor amiga", já não achava palavras.
Ela assentiu:
— A nota deve ser feita, mas lembro que, da última vez, sua mãe não lhe mandou leite em pó? Traga-me esse leite primeiro.
Meng Jia, o rosto já rígido de tanto chorar, forçou um sorriso:
— Tang Xin, aquele leite em pó...
Ela não conseguia continuar; como poderia dizer que o leite, na verdade, fora tirado de Tang pai pela mãe dela?
Mas, morando no mesmo quarto, assim como ela sabia das coisas boas da outra, Tang Xin, naturalmente, sabia que Meng Jia ainda não tivera coragem de consumir o leite todo.
Meng Jia, claro, não queria entregar o leite.
Nesse momento, outras pessoas passavam e ouviram a conversa, não resistindo a intervir:
— O que houve? Leite em pó é coisa boa!
Tang Xin expôs serenamente os fatos:
— Eu lhe emprestei muitas coisas, e agora quero de volta. Ela diz que não pode devolver e vai me dar uma nota promissória, então pedi que me desse o leite em pó como adiantamento.
Todos sabiam que Tang Xin vinha de família abastada e recebia regularmente bons produtos. Todos no alojamento dos jovens educados viam isso. E, antes, não eram Tang Xin e Meng Jia melhores amigas? Por isso Meng Jia ficava com o melhor.
Agora, ouvindo Tang Xin dizer que emprestara, todos olhavam Meng Jia de modo diferente.
Meng Jia se desesperou, esquecendo as lágrimas, e gritou:
— Tang Xin!
Como podia ela falar essas coisas diante dos outros, sem pudor algum?
Tang Xin, com ar inocente, respondeu:
— Eu disse algo errado? Sempre que via que eu tinha algo bom, você pedia para eu lhe emprestar. O quê? Só pensava em pegar, nunca em devolver?
Meng Jia, já sem se conter, berrou:
— Você mente! Você é quem jogava fora, eu só recolhia!
— Cupons de racionamento, carne defumada, roupas novas... Por que eu jogaria fora? — retrucou Tang Xin, fria.
Todos assentiram.
Ninguém ali dava crédito às palavras de Meng Jia. Naqueles tempos, todos passavam necessidades; quem em sã consciência desprezaria carne e roupas novas? O mais certo era que, como Tang Xin dissera, tudo fora apenas emprestado.
E, sendo empréstimo, naturalmente devia ser devolvido. Naqueles dias, as pessoas ainda eram muito corretas.
[Cometi um erro conceitual: naquela época, não se chamava 'vila' ou 'vilarejo', e sim 'comuna' e 'equipe de produção', e os habitantes eram chamados de 'membros da comuna'. Já corrigi os anteriores, peço desculpas! Prestarei mais atenção daqui em diante.]