Capítulo Seis: A Bela Sob a Luz da Lua

Dewa Agung Pohon Xu Xuanmo 3361kata 2026-03-15 14:38:48

        De fato, Tian Xiaonian era um verdadeiro conversador; insistiu em permanecer na pequena cabana arruinada de Xu Mu por mais de uma hora, só então se retirando a contragosto, ainda com muito a dizer. Se Xu Mu não tivesse demonstrado repetidamente sua intenção de cultivar, Tian Xiaonian provavelmente teria engatado uma conversa que atravessaria a noite.

        Ao finalmente despedir-se de Tian Xiaonian, Xu Mu soltou um suspiro de alívio, com um sorriso carregado de amargura. “Este Tian Xiaonian...!”

        Balançando a cabeça, Xu Mu pôde enfim desfrutar de um raro instante de tranquilidade.

        De súbito, como se algo lhe ocorresse, Xu Mu enfiou a mão no peito e retirou três cristais esbranquiçados, do tamanho de punhos de recém-nascido.

        Pedras espirituais—todo mês, a seita concedia três delas aos novos discípulos para auxiliá-los no cultivo.

        Xu Mu ainda não as utilizara, tencionando acumulá-las antes de se lançar ao cultivo intensivo, mas as palavras de Tian Xiaonian naquela tarde despertaram nele, sempre tão calmo e sereno, uma súbita sensação de urgência.

        Zitan já havia atingido o segundo nível do Reino de Domínio do Qi fazia alguns dias; provavelmente, Ning Zhiyuan e Hao Ye também não tardariam a romper esse limiar.

        Xu Mu, depositário de tamanha expectativa pelo Daoísta Changming, não podia permitir-se ser deixado muito para trás.

        O cultivo comum dos praticantes consistia em comunicar-se com o qi do Céu e da Terra, conduzindo-o e absorvendo-o pelo controle das técnicas, num esforço ativo de extração da energia ambiente.

        As pedras espirituais, contudo, continham em si vastos montantes de qi; cultivando com seu auxílio, dispensava-se a etapa de comunicação e condução do qi externo, bastando absorver diretamente a essência contida nelas—a velocidade de progresso era incomparavelmente maior.

        Além disso, uma única pedra espiritual oferecia energia suficiente para que um discípulo abaixo do Reino de Domínio do Qi cultivasse por cinco ou seis dias.

        Em suma, absorver toda a energia de uma pedra equivalia a mais de meia lua de cultivo rotineiro.

        Ao segurar as frias pedras em mãos, Xu Mu sentiu, mesmo sem começar a absorvê-las, o vigoroso qi do Céu e da Terra que nelas residia.

        Aproximando as três pedras do rosto, Xu Mu fechou os olhos e inalou profundamente duas vezes o aroma sutil que delas emanava—refrescante, clareador da mente.

        Então, ele abriu os olhos, nos quais se refletiam as três pedras espirituais. “É chegada a hora de fazer uso de vocês.”

        Tian Xiaonian logo percebeu: Xu Mu tornara-se ainda mais diligente. De dia cultivava; à noite, ao passar diante da cabana arruinada, via-o através das frestas, sempre imerso em cultivo—um verdadeiro fanático.

        Mesmo quando Tian Xiaonian trouxe a notícia de que Ning Zhiyuan e Hao Ye haviam, ambos, atingido o Reino de Domínio do Qi, Xu Mu estava em cultivo.

        Como se contagiado pela dedicação de Xu Mu, Tian Xiaonian passou a procurá-lo cada vez menos—pois também ele, enfim, começara a cultivar com seriedade...

        O tempo na montanha fluía célere e silencioso. À medida que se aproximava o fim dos três meses de estadia dos novos discípulos em Ziwu Shan, a montanha tornava-se mais e mais deserta.

        Todos se empenhavam ao extremo, desejosos de alcançar uma última ruptura antes do início da vida como discípulos externos da seita.

        Apenas uma pessoa destoava.

        Faltavam três dias para o término do prazo de três meses.

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        Anoitecia no topo de Ziwu Shan, com a lua cheia suspensa no alto. O céu, límpido como lavado, não ostentava sequer um fiapo de nuvem; toda a cadeia montanhosa era banhada por uma camada prateada, de beleza incomparável.

        A porta da cabana onde Zitan residia abriu-se, e uma figura graciosa de rara beleza deslizou suavemente para fora—seus passos eram tão leves que não produziam som algum.

        A luz prateada da lua caía sobre o rosto de Zitan, tornando-a ainda mais deslumbrante; uma beleza, contudo, que ninguém estava ali para admirar.

        As noites em Ziwu Shan eram rigorosamente frias, mas Zitan, trajando apenas um fino véu, não parecia sentir o menor incômodo.

        Ela acabara de romper para o segundo nível do Reino de Domínio do Qi, sendo a primeira dentre os novos discípulos a alcançar tal feito, em apenas três meses.

        Daqui a três dias partiria de Ziwu Shan; decidiu então sair para uma caminhada, aproveitando o esplendor da noite enluarada—um cenário digno de contemplação.

        Lentamente, Zitan descia sozinha do topo ao sopé da montanha; sob seus delicados pés, galhos secos estalavam de vez em quando, ecoando no silêncio.

        De repente, ao chegar à encosta, sentiu uma ondulação de energia espiritual, sutilíssima—a qual só notara por estar recém promovida ao segundo nível, do contrário seria impossível perceber tal flutuação insignificante.

        Com a onda de energia, um leve aroma começou a permear o ar. Sim, um aroma—delicado como o perfume de ameixeiras no inverno, altivo sob a geada e a neve, puro e elegante, sutil sem ser enjoativo.

        Talvez movida pela curiosidade, ou atraída pelo perfume, Zitan dirigiu-se na direção de onde vinha aquela fragrância.

        Ao aproximar-se, percebeu que tanto o aroma quanto a ondulação de qi provinham de uma cabana de palha.

        De pé sob a lua alva, a silhueta etérea de Zitan ostentava em seus olhos a curiosidade de quem deseja saber quem ali residia.

        Enquanto conjecturava, a ondulação de energia espiritual intensificou-se subitamente, enquanto o aroma de ameixa recolhia-se por completo; uma vitalidade exuberante, como a florada da ameixeira em pleno inverno, explodiu dentro da cabana!

        “Alguém fez uma ruptura!”—seus delicados arcos franziram-se discretamente. Zitan conjecturou consigo mesma.

        Com o prazo de três meses se esgotando, quem só agora atingia o Reino de Domínio do Qi provavelmente possuía um talento de raiz espiritual inferior.

        “Criiic...” A porta da cabana rangeu, e a silhueta de um jovem surgiu. Era um rapaz de beleza incomum, cujo rosto, pálido de aparência doentia devido à debilidade crônica, não conseguia esconder a aura refinada e distinta.

        “Xu Mu!”—ao reconhecer o recém-chegado, Zitan viu que era o mesmo que, tempos atrás, fora o primeiro a sair da Formação de Névoa.

        No momento seguinte, uma súbita percepção assaltou Zitan—em seus olhos brilhou um lampejo de surpresa e incredulidade, e seus lábios murmuraram: “Segundo nível do Reino de Domínio do Qi!”

        Não havia como errar; talvez pelo efeito da técnica de cultivo Longeviver, a vitalidade que emanava de Xu Mu era perceptível mesmo à distância—um contraste absoluto com o jovem debilitado e apático que conhecera no passado.

        Xu Mu abrira a porta, sem sequer ter tempo de admirar a noite digna de poesia e pintura, pois fora imediatamente cativado pela figura diante de si: uma beleza sob a lua, de tal esplendor que parecia capaz de arruinar reinos.

        Tendo acabado de romper para o segundo nível, Xu Mu também percebeu nitidamente o estágio de Zitan—estava, como ele, no segundo nível!

        “Hu!”—ele exalou suavemente, o sopro carregado de qi de atributo madeira; Xu Mu sorriu levemente, e com toda cortesia, saudou Zitan do lado de fora: “Parabéns, irmã Zitan, por romper o segundo nível do Reino de Domínio do Qi!”

        “O mesmo digo, irmão Xu. Não imaginei que, sempre tão retraído, também romperias o segundo nível!”—disse Zitan, mantendo a polidez, mas por dentro tomada de um turbilhão de emoções. Recordava-se claramente: Xu Mu fora avaliado como possuidor de uma raiz espiritual mediana, nada mais.

        Um discípulo de raiz espiritual mediana, romper quase ao mesmo tempo que ela o segundo nível do Reino de Domínio do Qi—ela, Zitan, tida como a melhor raiz espiritual do século no Guiyuan Zong.

        “Não pode ser...! Ning Zhiyuan e Hao Ye, ambos de excelente linhagem, ainda não pisaram no limiar do segundo nível; como pode ele, com uma raiz mediana, progredir tão vertiginosamente?”

        Mil e uma hipóteses fervilhavam-lhe na mente. Zitan cravou os dentes no lábio inferior. Ela era um prodígio, era natural deixar todos para trás; mas Xu Mu, de talento apenas razoável?

        Poder acompanhar-lhe o ritmo era não só um choque, mas também um golpe.

        Se ele possuísse uma raiz espiritual tão sublime quanto a dela, não estaria já anos-luz à frente?

        Xu Mu, alheio ao vendaval de pensamentos que assaltavam Zitan naquele breve instante, talvez apenas sorrisse amargamente se soubesse.

        Seu progresso até o segundo nível naquele dia era fruto de uma conjunção de fatores, mas acima de tudo, de sua indômita perseverança.

        Primeiro, cultivava a técnica Longeviver, escolhida pessoalmente pelo Daoísta Changming, perfeitamente adequada a si—só isso já lhe conferia velocidade de cultivo cinquenta por cento superior à de outros com raízes similares.

        E talvez mais ainda, pois na ocasião em que Changming escolheu sua técnica, até Pu Yuan e Li Qing não esconderam o olhar invejoso.

        Depois, havia sua mente límpida, capaz de entrar rapidamente em estado meditativo puro, esquecendo-se do eu e do mundo—a velocidade de cultivo dobrava sob tal estado.

        Por fim, sua dedicação incansável; cultivava quase sem cessar, empregando o dobro do tempo de qualquer outro na montanha.

        Por estar em estado meditativo, seu corpo repousava, nutrido pelo qi, trazendo-lhe benefícios superiores ao sono comum.

        Assim, Xu Mu, de raiz mediana, colhera um efeito total seis vezes superior ao ordinário. Com a ajuda de nove pedras espirituais em três meses, sua ruptura não foi sorte, mas o resultado de esforço incessante.

        “Irmão Xu, vou recolher-me para descansar. Com sua licença!”—despediu-se Zitan, a mente em desalinho, sem saber como prosseguir a conversa. Virou-se e partiu, sem intenção de permanecer.

        Xu Mu, já habituado ao temperamento reservado de Zitan, não se incomodou; sorriu levemente sob o beiral da cabana, acompanhando com o olhar sua figura esguia, e ainda comentou com seriedade: “Altiva e elegante, digna de uma atriz primorosa!”

        Logo, Xu Mu tossiu constrangido: “Agora que estou saudável, começo a fazer galanteios... Será que, como meus dois irmãos, acabarei assoviando para as belas moças? Os tempos estão mesmo mudados!”

        Desde pequeno, sob rigorosa educação materna, Xu Mu fora instruído nas letras e nos ritos, lendo no lazer os clássicos dos eruditos. Era, de fato, versado nos Quatro Livros e nos Cinco Clássicos.

        Seu coração puro e transparente devia-se, em grande parte, ao pouco contato com o mundo exterior; não se deixara contaminar pelo pó vermelho dos mortais, preservando uma alma inocente.

        Mas o mundo da cultivação é um grande caldeirão, capaz de macular tudo—conseguirá ele, de fato, manter-se puro em meio à lama?

        Nem o próprio Xu Mu saberia responder.

        Fechou a porta, espreguiçou-se com prazer. Decidiu que, naquela noite, dormiria profundamente, sem cultivar—três meses de nervos em tensão exigiam, afinal, algum descanso.