Capítulo Cinco Que pecado!
“Quem é você?”
Apressado, enviei uma mensagem.
Logo veio a resposta, mas não havia qualquer esclarecimento sobre minha pergunta. Apenas dizia: “Se deseja saber a resposta, encontre-me às três da tarde, no Café Ilha.”
“Quem afinal é você?”
Tornei a enviar uma mensagem, e esperei longamente, mas não obtive retorno.
Não resisti e liguei, mas o telefone já estava desligado.
Franzi as sobrancelhas, tomado por inquietação.
Debati-me internamente: deveria ou não comparecer ao encontro? Que intenções teria o interlocutor?
Por fim, decidi ir.
Fosse qual fosse o mistério por trás disso, não haveria outro modo de desvendar o enigma senão comparecendo.
Saí de casa meia hora antes do combinado, tomando um táxi rumo ao local estipulado.
No caminho, repentinamente, ouvi um estrondo, seguido de uma freada brusca.
Felizmente, usava o cinto de segurança; do contrário, teria me ferido.
Ao descer do carro, percebi que, adiante, ocorrera um acidente.
O motorista do táxi virou-se para mim e disse: “Amigo, houve um acidente à frente, acho difícil que a gente possa avançar tão cedo. Melhor seguir a pé; está quase chegando mesmo.”
“Está bem!”
A estrada estava tomada por veículos, formando uma longa fila.
Muitos motoristas desciam de seus carros para averiguar o ocorrido; eu não fui exceção.
Afinal, a curiosidade é própria do ser humano.
No local do acidente, já se aglomerava uma multidão.
Eu passei a fazer parte dos curiosos.
Os comentários se multiplicavam:
“Pobre moça, que desgraça.”
“É, no trânsito, todo cuidado é pouco.”
No início, não dei maior atenção. Mas, quando vi os bombeiros retirarem a vítima do carro, fiquei pasmo.
Eu a conhecia.
Ou, para ser mais exato, conhecia-a há pouco, pois a acidentada era justamente a mulher que, dias antes, encontrara-se com minha esposa num hotel — Liu Rusie.
Mas como seria possível?
Esfreguei os olhos, tentando me aproximar, desejando enxergar melhor.
Sim, era ela; não me enganara.
Liu Rusie jazia coberta de sangue, e aquele belo rosto estava marcado por um profundo corte.
Para uma mulher, tal desfiguração é sem dúvida um golpe fatal.
Contudo, jamais imaginei que, após examinar a vítima, os paramédicos cobririam seu corpo com um lençol branco.
Quando isso ocorre, significa apenas uma coisa: a morte.
Engoli em seco. Morta? Como assim, morta?
“Que infortúnio! Tão jovem, e se foi assim...”
“Uma pena, realmente uma pena...”
Os presentes suspiravam, tomados pela tristeza.
Eu também sentia um gosto amargo, impossível de descrever.
O destino, de fato, se compraz em zombar dos homens.
“Minha esposa?”
Desviei o olhar do cadáver de Liu Rusie e, ao acaso, percorri a multidão.
E então, entre os curiosos, avistei minha esposa.
O que ela fazia ali?
Seu semblante, agora, não era o habitual — a doçura e o sorriso acolhedor haviam cedido lugar a uma expressão fria, distante, enquanto fitava a cena do acidente.
Aquela frieza era estranha, como se fosse outra pessoa, alguém que não se parecia em nada com a Lin Xinyu que eu conhecia.
Empurrei-me através da multidão, tentando alcançá-la.
Mas, quando finalmente cheguei ao local onde a vira, ela já não estava.
Olhei ao redor, busquei desesperadamente, mas não a encontrei.
O que acontecera? Teria sido apenas uma ilusão de ótica?
Sim, devia ser isso.
Se minha esposa estivesse realmente ali, se visse sua amiga em tal estado, como poderia permanecer impassível?
Um ser humano normal, ao ver uma amiga em desgraça, não deixaria de se abalar.
Mas teria sido mesmo apenas uma ilusão?
Perguntei-me, inquieto.
Eu não poderia confundir minha própria esposa...
Naquele instante, uma ideia assustadora insinuou-se em minha mente.
E se eu não tivesse me enganado? Se minha esposa realmente estivesse no local do acidente?
Ao lembrar-me de seu rosto gélido, de seu olhar impiedoso, um frio percorreu minha espinha.
“Chen Yang, não se assuste à toa”, procurei acalmar-me. Talvez, devido ao estresse dos últimos dias, minha mente me pregasse peças — seria compreensível.
Procurei recompor-me e fui ao Café Ilha, aguardando ansiosamente pelo misterioso remetente da mensagem.
Ao mesmo tempo, observava atentamente cada cliente que entrava ou saía.
Quando finalmente o relógio marcou o horário combinado, ninguém apareceu.
Resignei-me a esperar ainda por mais meia hora — em vão.
O telefone do desconhecido seguia desligado.
Maldição, estariam zombando de mim?
Senti-me tomado pela irritação. Por que alguém marcaria um encontro e, então, não compareceria, deixando-me simplesmente esperando?
Voltei para casa. Minha esposa ainda não havia chegado. Só depois das seis da tarde retornou.
Assim que entrou, brindou-me com um beijo apaixonado.
Contemplei seu rosto radiante e comparei-o, em pensamento, àquela expressão fria que eu julgara ter visto antes.
Convenci-me de que devia ter sido imaginação.
Afinal, não conseguiria acreditar — ou aceitar — que a mulher que vira naquela cena era, de fato, minha esposa.
No entanto, quanto mais investigava, mais me dava conta de que a identidade de minha esposa era ainda mais misteriosa do que eu poderia supor.
A curiosidade, uma vez despertada, é como um abismo: quanto mais se olha, mais se é tragado.
A cena do acidente não cessava de se repetir em minha mente.
Na manhã seguinte, tomei uma decisão: iria testá-la.
Queria observar sua reação.
Afinal, um acidente tão grave, com morte, certamente seria noticiado no dia seguinte.
Peguei o celular e, de fato, lá estava a reportagem.
“Querida, veja só. Que tragédia, não? Tão jovem, tão bonita... e morreu assim.”
De propósito, coloquei o celular diante dela.
Ela lançou um olhar à tela, assentiu e disse: “De fato, uma grande pena.”
Serenidade — minha esposa estava serena demais.
Seus olhos não revelavam qualquer emoção, como se a morta fosse uma completa estranha.
Porém, Liu Rusie era, sem dúvida, conhecida dela.
Por que, então, aquela reação?
Naquele instante, fui tomado por um ímpeto de interrogá-la em voz alta.
Ela conhecia Liu Rusie; por que fingia não conhecer?