Capítulo 5: Três anos se passaram, como se fossem sob o domínio de um rei demoníaco!

Dewa Langit, Ye Tuan Mulia Gerbang Air 2512kata 2026-03-14 14:39:29

    Tang Yao era, afinal, um praticante das artes, mas ainda assim levou um tapa, seco e impiedoso.  
    Seu rosto ardia em dor abrasadora!  
    — Pelo visto, o velho Tang não lhe ensinou o que significa cortesia. Hoje, eu mesmo lhe mostrarei — disse Ye Cheng, com frieza glacial.  
    — Você... você ousa me bater? — Os olhos de Tang Yao saltaram das órbitas, vítreos como os de um peixe morto, veias azuladas saltando-lhe sob a pele do rosto; seu ódio por Ye Cheng era tamanho que desejava despedaçá-lo ali mesmo.  
    — Silêncio!  
    Nesse instante, um velho criado surgiu, empurrando a cadeira de rodas do patriarca Tang.  
    Os olhos do senhor estavam semicerrados, irradiando uma autoridade natural, severa mesmo na quietude.  
    — Vovô! Tang Qingrou trouxe para casa um charlatão qualquer, e esse impostor ainda ousou me esbofetear! O senhor precisa me vingar! Tang Qingrou está cada vez mais insolente, acha mesmo que pode mandar na família Tang! — apressou-se Tang Yao a narrar, cheio de rancor.  
    O patriarca Tang lançou um olhar brando a Tang Qingrou.  
    — Qingrou, o que se passa?  
    — Este é o senhor Ye Cheng. Ele diz ser capaz de tratar a doença do senhor. Achei que valia a pena tentar — respondeu Tang Qingrou, já se arrependendo de ter levado Ye Cheng àquela casa.  
    A família Tang atravessava tempos de feroz disputa interna.  
    Se Ye Cheng não tivesse mesmo talento, ela seria alvo de escárnio e hostilidade, tornando sua situação ainda mais precária.  
    — Vovô, esse sujeito não passa de um farsante! Já chamei um médico de renome para o senhor, não dê ouvidos a Tang Qingrou, talvez ela queira prejudicá-lo! — disparou Tang Yao, com veneno nas palavras.  
    Paf!  
    Mais uma bofetada estalou no rosto de Tang Yao.  
    Desta vez, não só Tang Yao ficou atônito, como até Tang Qingrou petrificou-se no lugar.  
    Alguém ousara esbofetear diante do patriarca Tang — um ultraje impensável!  
    Afinal, tratava-se de um dos quatro reis do submundo de Jiangcheng!  
    Até então, todos os que haviam afrontado o patriarca dessa forma já estavam mortos!  
    — Mal-educado e ruidoso — sentenciou Ye Cheng, em tom glacial. Diante de todos, aproximou-se do patriarca Tang, pronto para lhe tomar o pulso, mas foi impedido pelo velho criado.  
    — Já que aceitei o desafio, curarei o patriarca Tang. Uma vez dada minha palavra, Ye Cheng jamais falha! — anunciou ele, resoluto.  
    — Deixem-no tentar — disse o patriarca, após breve hesitação, imóvel em sua cadeira.  
    O criado recuou em silêncio.  
    
    Sob o olhar envenenado de Tang Yao, Ye Cheng pousou os dedos sobre o pulso do patriarca. Um fio de energia vital, verdadeira, fluía de sua ponta, adentrando o corpo do ancião.  
    Desde seu despertar, Ye Cheng recebera a herança dos deuses; entre seus dons, destacava-se a arte médica suprema.  
    Foi por isso que ousara aceitar o desafio do patriarca.  
    Sua energia percorria os meridianos do velho, decifrando-lhe o estado físico.  
    — Truques de charlatão — murmurou Tang Yao, baixo, planejando punir Ye Cheng severamente caso este não encontrasse nada.  
    — A doença do patriarca Tang não é outra senão envenenamento — disse Ye Cheng, sua voz cortante como uma lâmina.  
    — O quê? — Tang Qingrou ofegou, alarmada.  
    — Envenenamento? Que loucura! Ye Cheng, que disparate é esse? Como poderia o vovô estar envenenado? Prova que você é mesmo um impostor! Vovô, peço que me permita dar cabo desse homem!  
    — Cale-se!  
    Antes que Tang Yao pudesse dizer mais, o patriarca Tang bradou, olhando para Ye Cheng com renovada gravidade.  
    Sua doença, de fato, era fruto de veneno — uma verdade oculta, sabida por pouquíssimos.  
    — Senhor Ye, há cura para este veneno? — indagou o patriarca, a voz baixa, com um tremor de ansiedade.  
    — O veneno já se infiltrou nos meridianos. Não há remédio — Ye Cheng balançou a cabeça.  
    Vendo a expressão sombria do patriarca e de Tang Qingrou, prosseguiu:  
    — Embora incurável pelos métodos comuns, posso, com acupuntura, desobstruir seus canais de energia e, com o auxílio de elixires, expulsar o veneno. Não posso prometer uma restauração completa, mas o senhor recuperará a mobilidade e viverá ao menos mais dez anos!  
    — Fala sério? — Nos olhos do patriarca brilharam dois fachos intensos.  
    Tang Qingrou quase não conteve a emoção, fitando Ye Cheng com esperança renovada.  
    Nas condições atuais do patriarca, o melhor prognóstico seria sobreviver mais um ano, imobilizado, com o sistema nervoso congelando aos poucos, até perder até o ato de piscar — tornando-se, por fim, um morto-vivo.  
    Em segredo, ele já preparava seu testamento.  
    — Disparates! Vovô, não acredite nesse homem, foi Tang Qingrou quem o trouxe! — insistiu Tang Yao, incapaz de se conter.  
    — Fora daqui! — trovejou o patriarca.  
    — Vovô, eu... — Tang Yao empalideceu, sombrio.  
    — Fora! — A centelha de morte brilhou nos olhos do ancião.  
    Tang Yao estremeceu, saindo contrariado.  
    
    — Senhor Ye, se puder curar-me, não importam seus termos: desde que estejam ao alcance da família Tang, jamais recusaremos! — declarou o patriarca, sem rodeios.  
    — Quando necessário, comunicarei meus pedidos. Agora, iniciarei a acupuntura. Voltarei a cada quinze dias, trazendo nova prescrição — Ye Cheng retirou do manto uma agulha de prata, preparada de antemão, e a inseriu lentamente nos pontos vitais do patriarca, executando delicada rotação.  
    Segundo a herança recebida,  
    uma só agulha, levada ao extremo, poderia ressuscitar os mortos, reconectar a carne ao espírito, reanimando meridianos bloqueados — uma façanha nada trivial para Ye Cheng.  
    Logo, ele retirou a agulha: sua ponta estava tingida de negro, impregnada pelo veneno.  
    — Isto... — O rosto de Tang Qingrou mudou; ao encarar Ye Cheng, não restava nela qualquer desdém.  
    Ye Cheng limpou a agulha, escreveu uma receita e a entregou ao velho criado.  
    — Preparem diariamente o decoto destas ervas. Uma dose por dia auxiliará na recuperação dos membros. O patriarca pode, também, usar sua própria energia interna para estimular os meridianos.  
    Feito isso, Ye Cheng ergueu-se, pronto para partir.  
    Curar o patriarca fora apenas um gesto casual; havia questões mais urgentes a tratar.  
    — Qingrou, acompanhe o senhor Ye. De hoje em diante, ele é um hóspede de honra em nossa família. Trate-o com toda deferência! — O patriarca, saindo lentamente da estupefação, recomendou com ênfase.  
    — Sim, vovô.  
    Tang Qingrou acompanhou Ye Cheng até a porta, prestes a dizer algo, mas foi interrompida:  
    — Senhorita Tang, não precisa acompanhar-me. Semanalmente, virei sozinho ao solar dos Tang.  
    Tang Qingrou hesitou: seria ela assim tão indesejável?  
    Tantos sonhavam em encontrar qualquer pretexto para ficar a seu lado, mas Ye Cheng a tratava como se fosse um estorvo.  
    — Hmph! — Ela ergueu o queixo, assumindo ares de menina mimada.  
    Mas,  
    Ye Cheng sequer olhou para trás, afastando-se sem hesitar.  
    “Ruyan, você quer mesmo o divórcio? Pois bem. Assim, quando eu morrer em três anos, talvez você não sofra tanto...  
    Três anos! Em três anos, colocarei o mundo inteiro aos meus pés, construirei um império inabalável para vocês. Quero, quando eu me for, que ninguém mais ouse vos humilhar! Todos que nos ultrajaram pagarão um preço insuportável!”  
    O semblante de Ye Cheng resplandecia resolução inquebrantável; tornara-se outro homem, e em suas pupilas ardia a chama da loucura, da ambição e da fúria — como se um verdadeiro demônio ali habitasse!