Capítulo 5: Três anos se passaram, como se fossem sob o domínio de um rei demoníaco!
Tang Yao era, afinal, um praticante das artes, mas ainda assim levou um tapa, seco e impiedoso.
Seu rosto ardia em dor abrasadora!
— Pelo visto, o velho Tang não lhe ensinou o que significa cortesia. Hoje, eu mesmo lhe mostrarei — disse Ye Cheng, com frieza glacial.
— Você... você ousa me bater? — Os olhos de Tang Yao saltaram das órbitas, vítreos como os de um peixe morto, veias azuladas saltando-lhe sob a pele do rosto; seu ódio por Ye Cheng era tamanho que desejava despedaçá-lo ali mesmo.
— Silêncio!
Nesse instante, um velho criado surgiu, empurrando a cadeira de rodas do patriarca Tang.
Os olhos do senhor estavam semicerrados, irradiando uma autoridade natural, severa mesmo na quietude.
— Vovô! Tang Qingrou trouxe para casa um charlatão qualquer, e esse impostor ainda ousou me esbofetear! O senhor precisa me vingar! Tang Qingrou está cada vez mais insolente, acha mesmo que pode mandar na família Tang! — apressou-se Tang Yao a narrar, cheio de rancor.
O patriarca Tang lançou um olhar brando a Tang Qingrou.
— Qingrou, o que se passa?
— Este é o senhor Ye Cheng. Ele diz ser capaz de tratar a doença do senhor. Achei que valia a pena tentar — respondeu Tang Qingrou, já se arrependendo de ter levado Ye Cheng àquela casa.
A família Tang atravessava tempos de feroz disputa interna.
Se Ye Cheng não tivesse mesmo talento, ela seria alvo de escárnio e hostilidade, tornando sua situação ainda mais precária.
— Vovô, esse sujeito não passa de um farsante! Já chamei um médico de renome para o senhor, não dê ouvidos a Tang Qingrou, talvez ela queira prejudicá-lo! — disparou Tang Yao, com veneno nas palavras.
Paf!
Mais uma bofetada estalou no rosto de Tang Yao.
Desta vez, não só Tang Yao ficou atônito, como até Tang Qingrou petrificou-se no lugar.
Alguém ousara esbofetear diante do patriarca Tang — um ultraje impensável!
Afinal, tratava-se de um dos quatro reis do submundo de Jiangcheng!
Até então, todos os que haviam afrontado o patriarca dessa forma já estavam mortos!
— Mal-educado e ruidoso — sentenciou Ye Cheng, em tom glacial. Diante de todos, aproximou-se do patriarca Tang, pronto para lhe tomar o pulso, mas foi impedido pelo velho criado.
— Já que aceitei o desafio, curarei o patriarca Tang. Uma vez dada minha palavra, Ye Cheng jamais falha! — anunciou ele, resoluto.
— Deixem-no tentar — disse o patriarca, após breve hesitação, imóvel em sua cadeira.
O criado recuou em silêncio.
Sob o olhar envenenado de Tang Yao, Ye Cheng pousou os dedos sobre o pulso do patriarca. Um fio de energia vital, verdadeira, fluía de sua ponta, adentrando o corpo do ancião.
Desde seu despertar, Ye Cheng recebera a herança dos deuses; entre seus dons, destacava-se a arte médica suprema.
Foi por isso que ousara aceitar o desafio do patriarca.
Sua energia percorria os meridianos do velho, decifrando-lhe o estado físico.
— Truques de charlatão — murmurou Tang Yao, baixo, planejando punir Ye Cheng severamente caso este não encontrasse nada.
— A doença do patriarca Tang não é outra senão envenenamento — disse Ye Cheng, sua voz cortante como uma lâmina.
— O quê? — Tang Qingrou ofegou, alarmada.
— Envenenamento? Que loucura! Ye Cheng, que disparate é esse? Como poderia o vovô estar envenenado? Prova que você é mesmo um impostor! Vovô, peço que me permita dar cabo desse homem!
— Cale-se!
Antes que Tang Yao pudesse dizer mais, o patriarca Tang bradou, olhando para Ye Cheng com renovada gravidade.
Sua doença, de fato, era fruto de veneno — uma verdade oculta, sabida por pouquíssimos.
— Senhor Ye, há cura para este veneno? — indagou o patriarca, a voz baixa, com um tremor de ansiedade.
— O veneno já se infiltrou nos meridianos. Não há remédio — Ye Cheng balançou a cabeça.
Vendo a expressão sombria do patriarca e de Tang Qingrou, prosseguiu:
— Embora incurável pelos métodos comuns, posso, com acupuntura, desobstruir seus canais de energia e, com o auxílio de elixires, expulsar o veneno. Não posso prometer uma restauração completa, mas o senhor recuperará a mobilidade e viverá ao menos mais dez anos!
— Fala sério? — Nos olhos do patriarca brilharam dois fachos intensos.
Tang Qingrou quase não conteve a emoção, fitando Ye Cheng com esperança renovada.
Nas condições atuais do patriarca, o melhor prognóstico seria sobreviver mais um ano, imobilizado, com o sistema nervoso congelando aos poucos, até perder até o ato de piscar — tornando-se, por fim, um morto-vivo.
Em segredo, ele já preparava seu testamento.
— Disparates! Vovô, não acredite nesse homem, foi Tang Qingrou quem o trouxe! — insistiu Tang Yao, incapaz de se conter.
— Fora daqui! — trovejou o patriarca.
— Vovô, eu... — Tang Yao empalideceu, sombrio.
— Fora! — A centelha de morte brilhou nos olhos do ancião.
Tang Yao estremeceu, saindo contrariado.
— Senhor Ye, se puder curar-me, não importam seus termos: desde que estejam ao alcance da família Tang, jamais recusaremos! — declarou o patriarca, sem rodeios.
— Quando necessário, comunicarei meus pedidos. Agora, iniciarei a acupuntura. Voltarei a cada quinze dias, trazendo nova prescrição — Ye Cheng retirou do manto uma agulha de prata, preparada de antemão, e a inseriu lentamente nos pontos vitais do patriarca, executando delicada rotação.
Segundo a herança recebida,
uma só agulha, levada ao extremo, poderia ressuscitar os mortos, reconectar a carne ao espírito, reanimando meridianos bloqueados — uma façanha nada trivial para Ye Cheng.
Logo, ele retirou a agulha: sua ponta estava tingida de negro, impregnada pelo veneno.
— Isto... — O rosto de Tang Qingrou mudou; ao encarar Ye Cheng, não restava nela qualquer desdém.
Ye Cheng limpou a agulha, escreveu uma receita e a entregou ao velho criado.
— Preparem diariamente o decoto destas ervas. Uma dose por dia auxiliará na recuperação dos membros. O patriarca pode, também, usar sua própria energia interna para estimular os meridianos.
Feito isso, Ye Cheng ergueu-se, pronto para partir.
Curar o patriarca fora apenas um gesto casual; havia questões mais urgentes a tratar.
— Qingrou, acompanhe o senhor Ye. De hoje em diante, ele é um hóspede de honra em nossa família. Trate-o com toda deferência! — O patriarca, saindo lentamente da estupefação, recomendou com ênfase.
— Sim, vovô.
Tang Qingrou acompanhou Ye Cheng até a porta, prestes a dizer algo, mas foi interrompida:
— Senhorita Tang, não precisa acompanhar-me. Semanalmente, virei sozinho ao solar dos Tang.
Tang Qingrou hesitou: seria ela assim tão indesejável?
Tantos sonhavam em encontrar qualquer pretexto para ficar a seu lado, mas Ye Cheng a tratava como se fosse um estorvo.
— Hmph! — Ela ergueu o queixo, assumindo ares de menina mimada.
Mas,
Ye Cheng sequer olhou para trás, afastando-se sem hesitar.
“Ruyan, você quer mesmo o divórcio? Pois bem. Assim, quando eu morrer em três anos, talvez você não sofra tanto...
Três anos! Em três anos, colocarei o mundo inteiro aos meus pés, construirei um império inabalável para vocês. Quero, quando eu me for, que ninguém mais ouse vos humilhar! Todos que nos ultrajaram pagarão um preço insuportável!”
O semblante de Ye Cheng resplandecia resolução inquebrantável; tornara-se outro homem, e em suas pupilas ardia a chama da loucura, da ambição e da fúria — como se um verdadeiro demônio ali habitasse!