Capítulo Quatro: Lin Xiao'ai, a Jovem Cheia de Vitalidade
Naturalmente, Yu Ci empurrou um pouco os pratos à sua frente, “Por acaso pedi comida demais. Que tal comermos juntos?”
“Ah?” Lin Xiao’ai ficou um instante perplexa ao ouvir as palavras de Yu Ci, querendo recusar, mas ao olhar para o peixe e a sopa diante de si, engoliu em seco. “I-isso… não seria adequado?”
“E por que não seria?” Yu Ci, sem cerimônia, colocou um pedaço de carne na tigela de Lin Xiao’ai. “Hoje cedo você me ajudou, mostrando o caminho, e ainda não lhe agradeci por isso.”
“Oh…”
“Muito obrigada, senpai.”
“Sim.”
Já bastante satisfeita, Yu Ci levou simbolicamente alguns grãos de arroz à boca.
Lin Xiao’ai, por sua vez, movia os hashis com notável rapidez… afinal, tudo aquilo era realmente delicioso.
Jamais pedira pratos tão caros no refeitório.
Era graças à generosidade da senpai que podia desfrutar de tal privilégio.
Agora, com a sensação de saciedade preenchendo-lhe o ventre e o sabor da carne ainda na boca, um sorriso de plenitude involuntário despontou no rosto de Lin Xiao’ai.
Yu Ci, já satisfeita, repousara os hashis, limitando-se a observar a jovem à sua frente.
A garota, talvez com dezesseis ou dezessete anos, exalava a vitalidade própria da juventude; ao saciar-se, semicerrava os olhos, seus belos olhos curvando-se como luas crescentes, e os cílios, longos e recurvados, lançavam sombras delicadas, como asas de borboleta.
Que vontade de sugar tudo aquilo.
Uma sensação faminta, quase visceral, assaltou-lhe o peito.
“Senpai, por que não está comendo?”
“O quê?”
“Você… não vai comer?”
Só então Yu Ci tornou a pegar nos hashis. “Comi demais no café da manhã; ao almoço, quase não sinto fome.”
“Ah, entendi.”
“Sim, por isso pedi comida demais.” Enquanto falava, Yu Ci retirou uma lasca de peixe e depositou-a na tigela de Lin Xiao’ai. “Coma à vontade, quanto mais comer, menos se desperdiça.”
“Está bem!”
Ser tratada com tamanha gentileza…
Lin Xiao’ai lambeu os lábios e, de cabeça baixa, voltou a comer.
Quando findaram o almoço, já eram quase doze e cinquenta. Como a Elistar era uma escola de elite, o horário diferia muito das escolas tradicionais: as aulas findavam às onze e quarenta, e só voltavam às duas e meia da tarde. O largo intervalo servia para almoçar e, sobretudo, para atividades de integração, descanso e convívio.
“Senpai, ainda é cedo. Vai ao prédio de aulas para estudar?”
Yu Ci, que planejava dormir: …
“Não, apenas não tenho nada para fazer, então decidi voltar à sala.”
“Entendi!” Ela piscou os olhos e sugeriu: “Senpai, se não tem compromisso, que tal eu lhe mostrar o caminho por aqui? Assim, da próxima vez, não irá se perder novamente!”
A um pedido tão meigo, que otaku poderia resistir?
Ambas seguiram juntas pela alameda sombreada da escola. A Yu Ci original tinha imponentes um metro e sessenta e oito; com os sapatos do uniforme — um salto de cinco centímetros —, atingia um metro e setenta e três, tornando-se, ao lado da pequena Lin Xiao’ai, de apenas um metro e meio, quase um gigante.
“Senpai, veja, ali é o lago artificial; atravessando-o, chega-se à biblioteca.”
“Hmm.”
“Ali mais adiante, ficam os dormitórios.”
Como uma autêntica guia, Lin Xiao’ai detalhava a arquitetura de Elistar para Yu Ci.
De início, Yu Ci escutava atentamente, mas logo começou a se entediar —
O prédio de aulas, os dormitórios, a biblioteca, o jardim e o campo ainda podiam ser úteis no futuro, mas o prédio administrativo, jardins e setor de trabalhadores, nem valia a pena conhecer.
Seu olhar, então, se desviou, pousando, pouco a pouco, na figura de Lin Xiao’ai, que caminhava meio trôpega à sua frente.
A saia curta, balançando de um lado para o outro, ocultava toda a paisagem sob ela.
As pernas, embora não fossem longuíssimas, tinham proporção perfeita, esguias, lembrando… Yanhe do século XXI?
Quando terminaram de dar a volta pela escola, já se passara uma hora. De volta ao refeitório, Lin Xiao’ai tocou o rosto, ligeiramente corado pelo sol. “Senpai, conseguiu memorizar o que acabei de lhe mostrar?”
“Sim, claro.”
“É apenas o prédio de aulas, dormitórios estudantis, jardim, alameda, lago artificial, campo e…”
Neste ponto, Yu Ci hesitou.
E mais?
Pernas longas, tornozelos desnudos? O pescoço delicado como papel de arroz, a clavícula insinuando-se sob a camisa?
Suor fino perlava-lhe a testa.
“E o restante?” perguntou Lin Xiao’ai.
Yu Ci ergueu o punho e cobriu a boca. “O restante… esqueci.”
“Puf!”
Ela riu baixinho. “Senpai, desse jeito não pode, hein? Ainda faltam dois anos de estudo aqui.”
“Não faz mal.” Yu Ci acenou displicente. “O que não lembrar agora, memorarei numa próxima vez.”
“Também acho…”
Caminhando lado a lado, Yu Ci percebeu algo estranho na menina ao seu lado.
Ela continuava olhando para trás do refeitório, como se procurasse algo. Curiosa, Yu Ci também olhou na mesma direção.
Não muito longe, num pequeno guichê, erguia-se uma placa enorme: Bebidas Geladas para o Verão, Sorvete de Morango, Você Merece.
Estaria ela de olho naquilo?
“Ah, é mesmo.”
“Hum?”
“Xiao… Ai, espere um instante aqui. Preciso resolver algo.”
“Senpai, é urgente? Se for, não precisa voltar, vá direto à sala.”
Tão solícita, sempre pensando nos outros.
Vendo aquele jeito de esposa dedicada, Yu Ci não resistiu e apertou-lhe a bochecha. A suavidade daquele toque quase a fez perder o controle por um momento. “Não é urgente, apenas espere por mim aqui.”
“Certo.”
Lin Xiao’ai nem se preocupou em ver para onde Yu Ci ia.
Assim que Yu Ci se afastou, ela tirou da bolsa uma… prova em branco!
Tinha passado o intervalo acompanhando a senpai pela escola, mas ainda lhe restava uma prova por fazer.
O plano de estudos fora interrompido…
Mas, curiosamente, não se sentia nem um pouco arrependida.
Com a caneta preenchendo as respostas na folha branca, um leve sorriso voltou a brincar-lhe nos lábios.
Yu Ci, então, deparou-se com um dilema.
Dificuldade de escolha.
O guichê vendia sorvetes, é verdade, mas… apenas nos sabores chocolate e morango!
Deveria comprar um de morango? Um de chocolate? Ou ambos?
“Colega?”
“Vocês… fazem casadinho?”
“Claro que sim!”
Segurando um sorvete mesclado de rosa e marrom, Yu Ci, com um pequeno garfo, retornou apressada ao ponto combinado. A pequena estava ali, quieta, de cabeça baixa, bem comportada.
Sem intenção de criar surpresas, Yu Ci apenas chamou o nome da protagonista, sorvete nas mãos.
“Xiao’ai?”
Ao ouvir a voz melodiosa, Lin Xiao’ai rapidamente recolheu a prova e, ao se virar, deparou-se com a senpai trazendo-lhe um sorvete.