Capítulo Três: O Golpe Supremo! Silêncio Mortal Envolve o Salão

Di permulaan, sebuah lagu Anheqiao mengalun; bahkan anjing-anjing di pinggir jalan pun meneteskan air mata. Shang Shi Yi 2893kata 2026-03-11 14:39:39

Todos ansiavam por ouvir o som do morin khuur, mas Chen Fang apenas o apertava contra o peito, sem qualquer intenção de dedilhar suas cordas.

Na bancada dos jurados, Ke Min recuperou um pouco de sua compostura, exibindo um sorriso de desdém: “Como era de se esperar, um inútil. Aposto que nem sabe tocar o instrumento que tem nas mãos; só está aí para posar, patético.”

Os demais jurados mantinham-se em silêncio. O prelúdio de uma canção é crucial, e para tanto, a harmonia dos instrumentos é imprescindível. Assim, a importância do instrumento não pode ser subestimada. Ter um instrumento nas mãos e não utilizá-lo já determina o limite da canção.

“Este jovem ainda é muito inexperiente”, comentou baixinho outro jurado.

O público presente começou a vaiar; depois de tanto suspense, parecia que Chen Fang pretendia apenas cantar a capella.

“Não sabe tocar e ainda finge?”

“Antes achei que Ke Min foi dura demais, mas agora vejo que ele está só querendo chamar atenção.”

“Se cantar mal, vou criticá-lo sem piedade!”

“Que desperdício de tempo.”

“O dia inteiro, nenhum que se destaque; se eu fosse Ke Min, já teria perdido a paciência.”

“Fora do palco!”

“Desça!”

...

Uma onda de sarcasmo e escárnio se espalhava.

Chen Fang ignorava tudo, talvez influenciado pelas memórias do antigo dono de seu corpo, mergulhou de imediato no estado de espírito da apresentação, alheio ao mundo ao redor.

Alguns segundos depois, sua voz grave e ligeiramente rouca ecoou:

◤Deixe-me te ver mais uma vez
Do sul ao norte
Como se os olhos fossem encobertos pelo anel viário
Peço que me conte novamente
Sobre aquele dia
A moça com o caixa nos braços
E o homem que enxugava o suor◢

A música popular tem três pilares: distância, ideal, emoção.
E quem a escuta também tem três faces: solidão, mediania, hesitação.

Chen Fang, antes, não apreciava a música popular; via nela apenas lamúrias sem motivo. Agora, porém, sentia o sabor da decadência nela — uma decadência capaz de viciar o espírito.

Não carece de técnica grandiosa.
Dispensa o clamor rouco.
O simples é o puro.

Com o olhar perdido, Chen Fang recordava passagens de sua vida na Terra. Para Song Pangzi, a ponte de Anhe era a infância; para Chen Fang... onde estaria o seu lar?

Nos bastidores, Pang Tong ficou atônito.

Conhecia Chen Fang profundamente; por isso mesmo, seu espanto era ainda maior. Antes, Chen Fang cantava sem emoção, de forma seca. Agora, o ambiente era impregnado por uma aura intensa, quase palpável.

Mesmo estando distante, Pang Tong sentia-se envolto pela profunda melancolia que emanava de Chen Fang.

Por um instante,

Pang Tong quis chorar.

Por quê...

Por que sentia um certo pesar?

Logo, os quatro jurados recolheram suas expressões neutras, sentando-se eretos, atentos.

“Esta música...”, murmurou um deles, surpreso.

Para ser sincero, ao ver Chen Fang cantar a capella, os jurados já não pretendiam ouvir com atenção.

Mas sua voz, carregada de uma solidão avassaladora, tornava impossível não se deixar absorver.

Esta canção... tinha algo especial!

A voz grave de Chen Fang encaixava-se perfeitamente ao tom da música. O vazio do prelúdio proporcionou espaço para que sua voz brilhasse, sem sobrepujar a pureza da melodia, nem ofuscar a decadência do canto.

Os outros três jurados franziram o cenho, silentes.
Ke Min, antes tão irônica, agora exibia um semblante sombrio, os olhos reluziam entre surpresa e dúvida.

No palco, milhares de espectadores cessaram o burburinho; não possuíam conhecimento técnico musical, apenas sentiram, instintivamente, que a música era agradável.

“Parece que essa música é boa, afinal.”

“Tem algo que toca.”

“Ele canta tão melancólico e solitário, que dá vontade de chorar.”

“Confesso, subestimei Chen Fang.”

“Cada palavra ignora o pesar, mas entre linhas, só há pesar.”

“Este é o nível de um artista de rua?!”

O público presente, assim como os espectadores online, questionavam: poderia um cantor a capella de tal calibre ser apenas um artista de rua?

Nos bastidores das audições, um funcionário gritava, excitado: “Irmã Ji, os espectadores simultâneos ultrapassaram trezentos mil!”

Irmã Ji, vendo o número crescer incessantemente, não escondia a alegria e o entusiasmo.

A realidade provava:

Sua decisão fora acertada!

“Este Chen Fang pode ser um pouco indisciplinado, mas tem talento”, seus olhos brilhavam.

Esse novato era perfeito para ser lapidado; quem sabe, com orientação, tornaria-se um grande artista.

“Irmã Ji, deixamos ele terminar de cantar? Ke Min não parece satisfeita”, perguntou o funcionário.

Precisavam considerar os sentimentos dos jurados, afinal, Ke Min era relativamente famosa no meio.

Irmã Ji soltou um riso de desprezo: “Óbvio! Tem que terminar.”

No primeiro dia das audições, o número de espectadores online só foi expressivo na abertura; depois, despencou. Antes de Chen Fang subir ao palco, estava quase abaixo de cem mil.
Chen Fang, sozinho, elevou a audiência em duzentos mil.

Só um tolo interromperia!

Era imprescindível deixá-lo terminar!

Quanto a Ke Min,
ela nunca agradou Irmã Ji.
Vivia descontando sua irritação nos funcionários, ostentando-se como se fosse uma celebridade suprema; agora, alguém a desmascara — nada melhor.

No microfone interno, os funcionários instruíram os jurados: era fundamental que Chen Fang concluísse sua apresentação.

Ao ouvir,

Ke Min, de semblante sombrio, quase chorava de raiva.

Deixar Chen Fang terminar não era apenas uma afronta; era como pisotear seu orgulho.

Mas naquele instante, não podia protestar: Chen Fang cantava com qualidade, e interrompê-lo significaria ofender não só a produção, mas também o público, tanto presente quanto online.

Irmã Ji observava Chen Fang no palco, sua expressão desolada e decadente inspirava compaixão: “Essa face tem um poder devastador! Quantas jovens não irá encantar?”

“Um artista de rua que compõe uma obra-prima; se aprofundar, embalar, há potencial para criar um fenômeno! E quem sabe surjam ainda mais surpresas!”

...

◤Eu sei que aqueles verões
Tal qual a juventude, jamais voltarão
O que substitui sonhos apenas é o esforço resignado
Eu sei que as bravatas
Se dissipam com o riso da juventude
Deixe-me preso nesta cidade
Para recordar você◢

Esta era a parte do refrão, não havia grande elevação emocional, mas Chen Fang ergueu a cabeça, desviando o olhar do morin khuur em seu colo, fitando o horizonte além do palco.

Todo ser humano tem seus pesares!

Chen Fang não era exceção.

Contudo, o passado é passado.

O tempo é cruel.

Ele consegue erodir qualquer sonho ou aresta.

Cantar era uma sensação sublime.

Ao menos,

neste instante, Chen Fang recordava o propósito de sua juventude ao se tornar artista.

Este corpo amava cantar, e Chen Fang também, mas a realidade o obrigara a abandonar sonhos, focando-se em ganhar dinheiro.

Seus olhos dispersos, sem fixar-se em nada, pareciam atravessar a multidão, enxergando outro eu, um rosto marcado por uma inesperada serenidade.

Já não era questão de sistema.

Era o íntimo de Chen Fang.

Era o íntimo deste mundo, de Chen Fang.

O silêncio dominava o ambiente.

Só restava o canto de Chen Fang, rouco, penetrando o coração.

◤Deixe-me ouvir mais uma vez
A frase mais bela
Você voltou para casa
Eu estou esperando por você◢

O canto aos poucos se encerrava; antes que todos pudessem recuperar-se da emoção, Chen Fang ergueu o arco do instrumento, imprimindo força ao pulso.

A habilidade suprema em todos os instrumentos permitia que seu pulso fosse impecável, como se há décadas tocasse o morin khuur, gestos e expressões de uma naturalidade absoluta.

Num instante, a melodia do morin khuur reverberou por todo o palco, atravessando todas as barreiras, atingindo os tímpanos, fazendo com que todos estremecessem, arrepiados.

Exceto Ke Min, os outros três jurados se levantaram, olhos fixos no instrumento.

Este instrumento!

Uma explosão!

Aquela passagem da melodia mergulhou todo o recinto, toda a transmissão online, numa mortalha de silêncio absoluto!