Capítulo Seis Zebra, zebra, não adormeças

Di permulaan, sebuah lagu Anheqiao mengalun; bahkan anjing-anjing di pinggir jalan pun meneteskan air mata. Shang Shi Yi 2819kata 2026-03-14 14:34:44

        A brisa noturna da cidade estava um tanto abafada e quente.
        Mas nada se comparava à excitação e ao entusiasmo que fervilhavam nos corações de Chen Fang e Pang Tong.
        — Chen Fang, aquela canção foi mesmo você quem escreveu? — indagou Pang Tong, curioso.
        Se outros duvidassem de Chen Fang, Pang Tong se irritaria; mas ao fazer tal pergunta ele próprio, não via mal algum.
        “Meu irmão, eu posso duvidar de você; mas se forem eles, jamais!”
        Chen Fang apontou para a própria cabeça:
        — Aqui dentro só há coisa boa. Vá aprendendo aos poucos.
        Pang Tong já nem se dava ao trabalho de lhe mostrar o dedo do meio.
        Grrrrrr...
        As barrigas de ambos começavam a clamar por socorro.
        — Vamos comer algo primeiro — sugeriu Chen Fang.
        Pang Tong coçou a cabeça, embaraçado:
        — Mas com que dinheiro? Estamos sem um tostão!
        Chen Fang permaneceu em silêncio.
        Por pouco se esquecera!
        Já não era mais o dono de uma empresa de entretenimento, mas apenas um jovem artista vendendo canções nas ruas.
        — E a morin khuur de hoje, de onde veio?
        — Droga! — exclamou Pang Tong, dando um tapa na própria testa, as bochechas rechonchudas comprimindo-se numa expressão cômica. — Paguei cem yuans por ela e acabei esquecendo de pegar no palco!
        Cem yuans?
        Que barato!
        Mas, pensando bem, fazia sentido.
        A morin khuur era um instrumento raro naquele mundo; poucos sabiam tocá-la, menos ainda fabricá-la. Se não fosse por Chen Fang, talvez em breve a morin khuur desaparecesse de vez da história musical da China.
        Cem yuans era um preço de liquidação.
        Chen Fang massageou o próprio estômago. Seu corpo estava deveras debilitado; precisava comer bem para se recuperar, ao menos ganhar algum peso.
        Mas não tinham dinheiro!
        Após refletir, Chen Fang propôs:
        — Vamos para casa pegar o violão; iremos ao velho lugar cantar nas ruas.
        Por ora, cantar nas ruas era a única fonte de renda dos dois amigos — dependiam disso para pagar a comida e o aluguel.
        Mas Chen Fang sentia-se confiante.
        Em breve,
        ele e Pang Tong não precisariam mais recorrer à música de rua.
        No caminho,
        os aromas tentadores das barracas de comida de rua faziam-lhes a boca salivar, mas precisaram resistir à fome e retornar ao modesto apartamento, de onde pegaram um violão velho e seguiram rumo ao cruzamento junto ao Parque do Povo.
        — Quantas pessoas! — exclamou Pang Tong, surpreso.
        O cruzamento familiar estava cercado por uma multidão.
        Chen Fang franziu as sobrancelhas levemente:
        — Será que tomaram nosso lugar?
        Pang Tong também estava intrigado; naquela região, apenas ele e Chen Fang costumavam cantar — desde quando surgiram outros músicos de rua?
        A multidão murmurava, alvoroçada.
        Chen Fang e Pang Tong aproximaram-se do limite externo do aglomerado.
        Nesse instante,
        uma jovem de rosto delicado notou os dois e exclamou, em alto e bom som:
        — Chen Fang chegou!
        Num átimo,
        todos os olhares voltaram-se para Chen Fang e Pang Tong.
        — Chen Fang, ouvi sua música, é maravilhosa!
        — Chen Fang, passo aqui todos os dias voltando do trabalho, lembra de mim?
        — Uau! Pessoalmente, é ainda mais bonito que na TV!
        — “Anhe Bridge” é encantadora, cante de novo, pagamos por isso!
        — Achei que hoje não viessem cantar, quase perdi!
        ...
        No meio do burburinho,
        Chen Fang finalmente compreendeu.
        Aquelas pessoas estavam ali especialmente para esperar por ele e Pang Tong.
        Os dois sempre haviam cantado naquele cruzamento, e muitos rostos na multidão eram já familiares; seus principais “benfeitores” estavam entre elas.
        — Abram caminho, deixem-nos passar — pediu Chen Fang em voz alta.
        A multidão cedeu, abrindo-lhe uma passagem.
        Chen Fang jamais imaginara que, apenas por ter cantado uma canção numa audição televisiva, obteria repercussão tão imediata no mundo real.
        — Todos querem ouvir “Anhe Bridge”, e certamente irei cantar. Mas, como podem ver, estou sem a morin khuur hoje; o efeito não será o mesmo. Peço que me perdoem pela simplicidade — explicou Chen Fang, sorrindo com cordialidade e paciência.
        — No entanto... —
        Ele fez uma pausa.
        — Preparei também uma canção nova, para compensar vocês.
        Uma música nova?
        Pang Tong lançou-lhe um olhar surpreso.
        Algo não estava certo!
        “Rapaz, por que não me contou essa parte do plano?”
        A ideia de Chen Fang, porém, surgira no improviso.
        Uma única apresentação de “Anhe Bridge” já lhe trouxera certa notoriedade; era preciso aproveitar o calor do momento enquanto o entusiasmo do público persistia.
        Observando a multidão, notou que muitos gravavam vídeos com seus celulares; uma vez que esses vídeos fossem publicados online, sua fama e a de Pang Tong se ampliariam ainda mais. Era, pois, imprescindível cantar uma nova canção.
        ...
        Parque do Povo.
        A noite caía.
        No cruzamento, a pequena fonte lançava filetes de água que subiam a metros de altura, para então caírem pesadamente.
        Incontáveis luzes coloridas conferiam ao vapor d’água no ar um véu de sonho e fantasia.
        Ali perto,
        sob o toldo de uma cafeteria,
        uma mulher apoiava o cotovelo sobre a mesa, amparando o rosto alvo na palma da mão. As longas madeixas onduladas, de um vinho profundo, repousavam sobre os ombros; a outra mão mexia distraidamente o café. Os olhos, porém, estavam lânguidos, como se divagasse em pensamentos distantes.
        — Yuanyuan! —
        De súbito,
        uma voz travessa soou, e alguém a abraçou por trás.
        A mulher sobressaltou-se, mas logo recuperou a compostura, lançando um olhar magoado à recém-chegada:
        — Quase derramei o café de susto.
        A jovem travessa sentou-se à sua frente, observando a amiga por instantes:
        — Foi difícil arranjar um tempo para passear, e você está com essa cara de preocupação! Seu “pequeno astro” arrumou confusão de novo?
        — Apenas uns contratempos — respondeu a mulher, relutante em se alongar no assunto.
        No instante seguinte, lançou-lhe um olhar reprovador:
        — E, além disso, sou apenas empresária dele. Que história é essa de “meu pequeno astro”, parece até que estou sustentando um artista!
        A amiga mostrou a língua, travessa, e pegou a bebida que já havia pedido. Num só gole, bebeu metade; seus grandes olhos brilhantes se fecharam de prazer, e os lábios rubros exalaram um suspiro de pura satisfação:
        — Ahhh! Isto sim é viver! Sem chá com leite, eu morro!
        A mulher de cabelos cor de vinho apenas balançou a cabeça; sua amiga vivia falando em fazer dieta, mas sem chá com leite não vivia — no fim, nem emagrecia, nem deixava de tomar a bebida predileta.
        Tlim!
        A colherinha tilintava de leve contra a borda da xícara.
        Decorridos alguns minutos, a mulher de cabelos ondulados murmurou, de súbito:
        — Weiwei, você acha que eu deveria mudar de emprego? Ser empresária de celebridades talvez não seja para mim.
        — Por quê? —
        — Não era você quem gostava de “disciplinar” jovens talentos?
        You Nianwei sorveu mais um gole generoso do chá e fitou a amiga, intrigada.
        Logo, porém, a expressão se tornou grave:
        — Xi Yuanyuan, fale a verdade. Sua empresa está te pressionando de novo, não está?
        Xi Yuanyuan sorriu tristemente, sem responder.
        Tum...
        Uma nota de violão, vinda de longe, chegou aos ouvidos de Yuanyuan.
        Ela virou-se; o cruzamento estava tomado por uma multidão, mas não conseguia ver quem tocava. O branco prateado da fonte misturava-se ao som sutil da água, invadindo seus olhos e ouvidos, e, por um momento, sentiu-se mais leve.
        As luzes multicoloridas quase a faziam perder-se.
        O som cristalino do violão soou novamente.
        Desta vez,
        a melodia não cessou, desenrolando-se em um prelúdio simples e grave.
        — Música de rua? —
        Yuanyuan estranhou,
        mas não deu maior importância. Músicos de rua geralmente tocavam apenas para ganhar algumas gorjetas — nada que valesse nota.
        Logo em seguida,
        uma voz rouca e profunda emergiu do meio do povo:
        ◤Zebra, zebra,
        não adormeça,
        deixe-me ver mais uma vez teu rabo ferido,
        não quero tocar a cicatriz da tua dor,
        só desejo levantar teus cabelos◢
        ...