Capítulo Sete O ser humano! Precisa sempre de ao menos um passatempo.
— Yuan Yuan, esta canção... é mesmo agradável de ouvir — disse You Nianwei, mordendo o canudo do chá de leite com seus dentes alvos, as longas pestanas baixando e sombreando metade do olhar. Era evidente que se deixara enredar pela melodia, mergulhando nela.
De fato... é encantadora!
Xi Yuanyuan estava um tanto perplexa.
Isto não era o que se esperaria do nível de um cantor de rua.
E mais: o ponto crucial era que nunca ouvira aquela melodia, nem aquelas letras.
— O cantor deve ser muito bonito! — exclamou You Nianwei, com uma seriedade quase solene.
Xi Yuanyuan lançou à amiga um olhar de reprovação. Se fosse possível julgar a beleza de alguém apenas pela voz, então todos os dubladores seriam beldades e galãs.
Mas, justiça seja feita.
Aquela voz era, de fato, extraordinária.
Xi Yuanyuan já ouvira incontáveis estrelas a cantar, mas raras vezes alguém conseguira, desde a primeira nota, arrastá-la emocionalmente para dentro da canção.
E, vejam só, um simples cantor de rua conseguira.
Num instante, a curiosidade de Xi Yuanyuan acendeu-se com intensidade.
— Weiwei, vamos até lá dar uma olhada.
— Claro! — You Nianwei era mestra em se juntar a qualquer burburinho; mesmo que Yuanyuan não sugerisse, ela própria a arrastaria para ver de perto.
As duas se aproximaram. A beleza tem seus privilégios: ao perceberem a chegada das jovens, a multidão abriu espontaneamente um corredor, permitindo-lhes alcançar a linha de frente.
No instante em que You Nianwei avistou Chen Fang, agarrou a manga de Xi Yuanyuan, excitada:
— Yuanyuan, não disse que o cantor era bonito?
Xi Yuanyuan pediu silêncio com um gesto.
You Nianwei calou-se, contrariada.
Naquele momento, Chen Fang, abraçado à guitarra, estava sentado na borda de uma calçada. Quando mergulhava no ato de cantar, rendia-se por completo à música, alheio ao que o cercava; por isso, não notou os olhares intensos das duas jovens.
O público, após lançar um breve olhar às recém-chegadas, voltou toda a atenção para Chen Fang. Aquela canção, "Zebra, Zebra", assim como "Ponte Anhe", era um folk — similar no espírito, mas absolutamente singular em essência.
Dezenas de celulares voltavam suas câmeras para Chen Fang.
Era seu primeiro pequeno concerto solo, numa esquina, para uma plateia de algumas dezenas de pessoas.
...
◤ Zebra, zebra
Você retornou ao seu lar
E eu desperdiço meus anos de frio
Na tua cidade, porta alguma se abre para mim
No fim, retorno à estrada ◢
O início da história: duas zebras.
Uma, errante pelo mundo, sem porto ou lar.
A outra, ferida pelos homens, lambe as próprias chagas, cura-se sozinha.
No desfecho... a zebra errante ainda vagueia, como se chegasse pela primeira vez àquela cidade: nada trouxera, nada levaria, senão a guitarra nas mãos.
Subitamente, uma tristeza densa, quase insuportável, pairou no ar.
Francamente, se Chen Fang tivesse de escolher, a canção mais triste de Song Pangzi não seria "Ponte Anhe". Pois há, em "Ponte Anhe", sempre aquele verso de esperança: “Você voltou para casa, eu estou à sua espera”; mas em "Zebra", não há calor — um andarilho sem razões para parar, e a letra termina: “Venderei minha casa, vagarei pelo mundo.”
A tristeza não precisa se exprimir em gritos desesperados.
Basta ser como Chen Fang:
Cabeça baixa.
Dedilhando.
Cantando.
E isso basta.
Aos poucos, os olhos ao redor tornaram-se úmidos, mas ninguém ousava interromper. Nem mesmo se ouvia uma respiração mais alta.
E não era só isso: a multidão aumentava, de uma dúzia para dezenas, até exceder cem pessoas. A esquina do Parque do Povo, já naturalmente movimentada, congestionou-se com o crescente ajuntamento.
Todos estavam imersos naquela atmosfera de tristeza, incapazes de se desvencilhar.
Xi Yuanyuan resistia bem.
Já You Nianwei, com os olhos marejados, mal continha as lágrimas.
Xi Yuanyuan contemplava Chen Fang, mergulhado na música, com um brilho nos olhos — como se admirasse um jade raro e perfeito.
Contratá-lo!
A ideia brotou, poderosa e incontrolável.
No fundo, You Nianwei não estava errada.
Xi Yuanyuan adorava ser empresária de artistas.
Mas, ultimamente, o jovem astro sob sua tutela vinha assediando-a, perturbando sua paz com investidas diárias — o que lhe causava extremo aborrecimento. Se ao menos ele fosse talentoso, Yuanyuan talvez suportasse, mas o rapaz não tinha força nem talento: não cantava bem, dançava pior, vivia apenas de aparência no meio artístico.
Pura frustração!
Por isso, Xi Yuanyuan pensava em largar a profissão e buscar outros caminhos — ou, quem sabe, simplesmente não trabalhar, já que não lhe faltava dinheiro e não via razão para se martirizar.
Agora, porém, seus planos mudavam.
Encontrara, enfim, um jovem promissor para lapidar a seu gosto.
— Você é meu! — pensou Xi Yuanyuan, com os olhos em brasa.
Com um talento desses, se ela o guiasse desde o princípio, o futuro seria ilimitado.
...
Toda história chega ao fim.
A canção também.
Ao ecoar o último verso de Chen Fang —
◤ Zebra, zebra, dorme, dorme,
Venderei minha casa, vagarei pelo mundo ◢
— o som da guitarra se apagou, e o silêncio se impôs.
Silêncio absoluto.
O poder de uma canção não está na música em si, mas na ressonância com as experiências de cada um.
O cantor, livre; o ouvinte, comovido.
Todas as histórias tristes têm a ver com pessoas, mas, no fim, tornam-se indiferentes a elas.
Por isso, nos momentos de tristeza, pode-se beber um trago, fumar um cigarro, fazer o que se deseja — e a mágoa, aos poucos, se dissipa.
Chen Fang estalou os lábios.
Que pena!
Se ao menos tivesse um cigarro agora, adoraria fumar um.
Na Terra, Chen Fang jamais se separava de álcool e cigarro; mas, desde que chegara ali, já passara um dia inteiro sem esses vícios. Apenas naquele instante de melancolia os recordou.
Ora, deixe pra lá! Melhor largar!
Adeus ao álcool, adeus ao cigarro!
Conquistara, afinal, um corpo jovem e saudável — precisava preservá-lo.
Após breve repouso, Chen Fang ergueu os olhos para a multidão, e logo distinguiu Xi Yuanyuan e You Nianwei na linha de frente — a beleza das duas destoava de todos ao redor, impossível não notar.
Chen Fang lançou-lhes um olhar breve, esboçou um sorriso cordial, fez um aceno com a cabeça, e desviou o olhar.
A bem da verdade, Chen Fang preferia mulheres como Ji Mei.
Com o tempo, aprende-se que o corpo vale mais do que o rosto.
O importante é que seja... macio!
Quanto a Xi Yuanyuan e You Nianwei, embora mais belas que Ji Mei, após anos à frente de uma empresa de entretenimento, já se cansara de beldades.
Hmm...
Será que deveria largar as mulheres também?
Chen Fang ponderou seriamente.
Poucos segundos depois, descartou a ideia: se abandonasse álcool, cigarro e mulheres, que sentido teria a vida?
Todo ser humano precisa de uma paixão.
Muito tempo depois, a multidão retornou lentamente do transe emocional, e um aplauso estrondoso irrompeu na esquina do Parque do Povo.
A canção "Zebra, Zebra" não ficava atrás de "Ponte Anhe" em qualidade; se compor uma música podia ser fruto de acaso, duas já eram sinal de talento.
Chen Fang suspirou.
Ah, se soubesse, teria impresso o código de pagamento bem maior!
Agora, só as primeiras filas conseguiam escanear o código; o público de trás, nem pensar — que prejuízo!