Capítulo Três: O Pequeno Cao, Indômito e Valente
Os soldados sob o comando de Cao Wenzhao gostavam de chamar seu comandante de Grande General Cao, enquanto o destemido e impetuoso Cao Bianjiao era conhecido como Pequeno General Cao, afinal, ostentava o título de General de Guerrilhas.
Quanto a Cao Dingjiao, sua fama até então não era notável; embora já tivesse se distinguido em campo de batalha, não passava de um pequeno general entre os Caos. Contudo, naquele dia, o jovem e insignificante General Cao conquistou a admiração de todos os soldados.
Zhang Jie, observando Cao Dingjiao já amarrado, anunciou:
— O senhor comandante deu ordens: que Cao Dingjiao, Capitão da Guarda, receba oitenta varadas militares, conforme as leis do exército. Capitão Cao, perdoe-me pelo que estou prestes a fazer.
Zhang Jie, capitão da guarda pessoal de Cao Wenzhao, não era homem comum; mesmo entre os soldados mais ferozes, podia enfrentar três de uma só vez. Sua força não era de partir pedras, mas esmigalhar ossos humanos era-lhe tarefa trivial.
Cao Dingjiao, ao ver o compatriota tratar a questão de forma tão impessoal, não pôde deixar de sorrir; contudo, compreendia bem aqueles meandros. Com um sorriso radiante como o desabrochar do crisântemo, disse:
— Capitão Zhang, não se acanhe. Embora não seja um herói, tenho honra de homem. Pode cumprir seu dever sem reservas.
Os soldados ao redor estremeceram de inquietação. O Pequeno General Cao era, de fato, um homem de fibra: diante do peso de oitenta varadas, nem sequer franzira a testa.
Zhang Jie riu, indignado consigo mesmo: “Esse jovem General Cao acha mesmo que serei leniente? Se o comandante não estimasse minha retidão, eu teria permanecido tanto tempo neste posto? Jovem General, não se iluda...”
Pegou uma vara grossa como o braço de uma criança, cuspiu nas palmas das mãos e, com tal ímpeto, que os soldados ao redor sentiram calafrios, contemplando apreensivos a robusta madeira.
No interior da tenda, Cao Bianjiao suplicava com insistência:
— Comandante, Dingjiao acaba de se recuperar de grave enfermidade; quase perdeu a vida no caminho. O cabo Yang Zheng já me avisara que ele mal escapara da morte. Agora, submetê-lo a oitenta varadas... como seu corpo suportará?
Cao Wenzhao se comoveu ligeiramente. Não desejava, por certo, matar o sobrinho, mas a ordem acabara de ser dada; como poderia contradizê-la tão prontamente? Seu sobrinho parecia cheio de vigor — não deveria sucumbir, certo? Sentia-se, porém, constrangido diante dos olhares ansiosos dos velhos companheiros, e, ao lembrar da difícil sobrevivência do sobrinho legado por seu irmão, sua angústia crescia.
O vice-comandante Zhang Quanchang interveio:
— Comandante, sinto-me sufocado. Permita-me sair para tomar ar.
Cao Wenzhao bem conhecia o pensamento do velho companheiro, mas manteve-se firme nas palavras:
— Pois vá, mas sob nenhuma hipótese alivie a pena do rapaz. Quem cometeu o erro deve arcar com as consequências. Não é culpa de outrem.
Zhang Quanchang esboçou um sorriso amargo e retirou-se apressadamente, lançando a Cao Bianjiao um olhar de gratidão. Zhang Quanchang apenas acenou antes de sair.
No entanto, seu coração estava tomado de apreço pelo leal e destemido jovem; decidiu sair para protegê-lo, pois não poderia permitir que Zhang Jie lhe tirasse a vida — se isso ocorresse, o ânimo da tropa seria abalado.
Assim que Zhang Quanchang abriu a porta da tenda, sentiu o nariz arder, os olhos se encheram de lágrimas e, por pouco, estas não rolaram por seu rosto.
Cao Bianjiao estava amarrado a um banco comprido; Zhang Jie, empunhando a vara grossa como o braço de uma criança, golpeava incessantemente as nádegas de Cao Dingjiao. O rosto de Dingjiao contorcia-se em expressão feroz, denotando sofrimento atroz, mas não emitia um único grito de súplica. Talvez, tamanha fosse a dor, já não conseguisse sequer clamar, pensou Zhang Quanchang.
— Basta! — bradou. — O comandante ordenou que aplicassem o castigo, não que matassem o homem!
Zhang Jie estacou, percebendo, enfim, que talvez tivesse exagerado na força. Perguntou:
— Quantas varadas já foram dadas?
— Oitenta e cinco... — responderam.
A expressão crispada de Cao Dingjiao suavizou-se pouco a pouco; mal continha o desejo de erguer o polegar ao capitão da guarda: “Esse sujeito é mesmo convincente — mas, para bater, não dói nada!”
O coração de Zhang Jie parou por alguns instantes. Estava perdido: acabara por exceder o número de varadas; seria porque a expressão do rapaz era tão provocante que ele se deixou levar?
Gritou aos soldados:
— São todos mortos, por acaso? Por que não o desamarra