Capítulo Quatro: Confidências entre Irmãos

Sastrawan Kecil dari Dinasti Ming Li Bai sama sekali tidak putih. 2516kata 2026-03-12 14:37:30

Ao sair do grande acampamento, Cao Bianjiao dirigiu-se à tenda onde se encontrava seu irmão mais novo. Ao deparar-se com uma multidão aglomerada diante da entrada, apressou-se em dispersá-la, só então erguendo a cortina e adentrando o recinto.

Lá dentro, encontrou Cao Dingjiao e Zhang Quanchang em animada conversa. Demonstrando grande perspicácia, Cao Dingjiao, assim que viu o irmão, apressou-se a dizer, algo envergonhado:

— Perdoe-me, irmão mais velho, por não poder saudá-lo devidamente devido aos ferimentos. Espero que compreenda minha limitação.

Cao Bianjiao lançou-lhe um olhar severo e retrucou:

— Ora, somos todos homens rudes, dispense essas palavras rebuscadas. Ou por acaso te julgas ainda um erudito?

Mesmo deitado sobre o tapete, Cao Dingjiao manteve-se obstinado:

— Irmão, nestes últimos dias despertei para a verdade: é melhor ser um homem de letras. Devo buscar um nome, conquistar méritos e, quem sabe, almejar um cargo de destaque.

Cao Bianjiao sentiu como se sua alma tivesse sido tocada, exclamando, surpreso:

— Tio Zhang, veja se este rapaz não ficou lelé das ideias! Nunca ouvi dizer que uma surra no traseiro fosse capaz de abalar a cabeça de alguém!

Zhang Quanchang ficou de boca aberta, sem conseguir articular palavra; após longo silêncio, enfim murmurou:

— Dingjiao, os Cao são há gerações uma família de generais em Liaodong. Dominas um pouco as letras, mas não estás à altura daqueles eruditos.

Também ele desconfiava que o rapaz pudesse ter perdido o juízo. Decidiu que, mais tarde, haveria de interrogar o neto de Zhang Jie: que sentido faz dar pancadas na cabeça do filho alheio?

Cao Dingjiao suspirou e disse:

— Não vos aflijais por quanto me proponho; tenho meus próprios caminhos. Quando esta rebelião for sufocada e eu conquistar méritos gloriosos, pedirei ao imperador um cargo na Hanlin ou quem sabe um título de jinshi. Se não for possível, quando abrirem os exames imperiais, tentarei ser laureado como primeiro, segundo ou terceiro colocado.

Cao Bianjiao, vendo o irmão tomado por um devaneio estranho, procurou consolá-lo:

— Dingjiao, sei bem que foste injustiçado no condado de Xiao, e isso também me fere. Não fosse pela lei, eu mesmo acabaria com aquele magistrado. Mas não há necessidade de te menosprezares assim. A cobra tem seu trilho, o rato tem o seu. Não é preciso nos sujar com os escândalos dos burocratas; basta não nos envolvermos. Não te prendas a becos sem saída. Vem, deixe-me aplicar um pouco de óleo medicinal em ti.

Cao Dingjiao sorriu com os lábios cerrados, surpreso com o consolo vindo daquele irmão, famoso na história como o mais formidável dos guerreiros. Era um contraste comovente.

Respondeu:

— Irmão, não te preocupes. Questões de eruditos são difíceis de explicar a ti. “O céu segue seu curso; o homem superior deve esforçar-se sem cessar.”

Zhang Quanchang lançou-lhe um olhar enviesado, exclamando:

— Que foi agora? Vais continuar a te humilhar? Um grande general trocando as armas pelas letras? Julgas que és um astro literário descido dos céus?

O semblante de Cao Bianjiao anuviou-se.

— Depressa, tira as calças. Vou passar o óleo medicinal. Esta é uma relíquia do tio, não deves guardar-lhe rancor; ele cuida de ti.

Cao Bianjiao temia que o irmão menor guardasse ressentimento de seu tio Cao Wenzhao; foi então que Cao Dingjiao despertou para a situação.

Não havia, afinal, qualquer ferimento em seu traseiro. Se o irmão descobrisse, não acabaria por armar problemas para o capitão Zhang Jie, que tentara livrá-lo da punição?

Sentindo-se culpado, Cao Dingjiao disse:

— Irmão, deixa aí o remédio; logo mais eu mesmo aplico.

Cao Bianjiao riu, sarcástico:

— O que é, cresceu-te uma terceira mão? Com o corpo nesse estado, ainda consegues aplicar sozinho?

Cao Dingjiao rebateu:

— Melhor não, afinal sou homem de letras; vocês, brutos e desajeitados, podem machucar minha pele delicada.

Cao Bianjiao: …

Zhang Quanchang: …

Cao Bianjiao sentiu o couro cabeludo arrepiar-se. Estava decidido: procuraria aquele capitão Yang para ajustar contas, mostrar-lhe o peso dos punhos do maior guerreiro do exército.

Quando todos se retiraram, a vasta tenda pareceu-lhe estranhamente vazia. Cao Dingjiao, sorrindo amargamente, disse:

— Agora é o sexto mês do oitavo ano do reinado de Chongzhen. Gao Yingxiang e Zhang Xianzhong, esses chefes colossais, cercaram-nos com Roxa de duzentos mil homens. Nossa situação é desesperadora; o inimigo é numeroso e poderoso. Como sair desse impasse? Ai de mim, sou apenas um erudito incapaz de matar uma galinha…

Deitado sem ânimo sobre a esteira, ao lado da terra úmida, Cao Dingjiao pegou um talo de arroz para rabiscar pensamentos. Após longo devaneio, largou o talo, exclamando desiludido:

— Como lutar, afinal? Temos apenas três mil cavaleiros leves, enquanto eles contam com milhares de cavaleiros e duzentos mil soldados de infantaria. Só se Li Yuanba estivesse vivo teríamos uma chance. Mesmo avisando ao tio sobre a emboscada em Qiutou, talvez nada adiante. Melhor comunicar-lhe assim mesmo…

Animado, ergueu-se e saiu da tenda. Ao levantar a cortina, deparou-se com uma multidão, e à frente, um homem com varas de amora às costas.

Ficou atônito por alguns instantes, só então dizendo:

— Só saí para fazer necessidades; era preciso todo esse espetáculo?

Um soldado, espantado, perguntou:

— Comandante Cao, não nos importa o que vá fazer, mas… seu traseiro não dói?

— Ai… — Cao Dingjiao sugou o ar, como se tivesse esquecido desse detalhe. Sentiu-se em débito com proprio irmão Yang; precisava logo remendar aquela mentira…

Apoiando-se numa das nádegas, com expressão contorcida, disse:

— Todos temos necessidades; não havia como evitar. Mas ninguém deve comentar sobre o ocorrido, muito menos falar mal do capitão Zhang.

Sua intenção era evitar que fossem incomodar o capitão Zhang, pois assim sua artimanha seria descoberta.

Contudo, aos olhos dos soldados, sua atitude era a de um verdadeiro herói, disposto a sacrificar-se pelos outros.

— Comandante Cao, não diga mais isso! Sinto-me indigno; eu, Zhang, não sou ninguém. O jovem general Cao trouxe tantos mantimentos e salvou inúmeros irmãos, e eu, ainda assim, fui cruel a ponto de dificultar-lhe as necessidades. Use estas varas e castigue-me; aceito meu destino.

Só então Cao Dingjiao avistou o parente próximo, surpreso com a encenação de Zhang Jie, mas ao notar que as varas de amora não eram de brincadeira, apressou-se a dizer:

— Ora, irmão Zhang, que fazes? Não posso aceitar tal reverência. Levanta-te, vamos conversar calmamente e dispense essas varas.

Cao Dingjiao ficou intrigado: será que seu recém-reconhecido irmão exagerara tanto na encenação que o tio perceberia tudo? Como remediar se fosse descoberto?

Sem tempo para maiores reflexões, ajudou Zhang Jie a levantar-se. Este, porém, recusava-se, exigindo o perdão de Cao Dingjiao antes de ceder. Bastou um leve puxão…

Zhang Jie rendeu-se… Cao Dingjiao era, de fato, um sujeito fora do comum; a dor no braço superava muito a das costas.

Diante do espetáculo de reconciliação à frente do acampamento, muitos soldados exibiam sorrisos emocionados; não poucos tinham os olhos úmidos, tocados pela cena.

Os olhos de Cao Dingjiao também estavam vermelhos. Abraçou Zhang Jie com força, sentindo gratidão: Zhang Jie era um homem de valor.

Zhang Jie, com os olhos marejados, olhou para Cao Dingjiao, mas a dor era tamanha que não conseguia pronunciar palavra.

“Este sujeito não é humano… que força é essa? Estaria se vingando?” Zhang Jie, cerrando os dentes, resignou-se à sua sorte. Quem manda meter-se onde não devia…