Capítulo 5: Visitantes Inesperados
“Ha ha ha, os céus enfim sorriem para mim!”
Su Yuan não conteve uma gargalhada, erguendo o rosto para o alto, tomado pela excitação. O sonho acalentado por tantos anos finalmente se realizava: conquistara a sua primeira espada preciosa.
Tirou seis moedas de cobre, alinhou-as verticalmente e as fixou. Empunhou a espada com ambas as mãos, bradou em voz alta: “Abram-se!”
Um lampejo gélido cortou o ar; ouviu-se apenas um tinido límpido e cortante. As moedas, outrora tão rígidas, partiram-se como se fossem feitas de papel, sem sequer se moverem do lugar!
Excelente!
Magnífico!
Formidável!
Su Yuan contemplou as moedas, os cortes uniformes, impecáveis. Só agora presenciava, com os próprios olhos, o verdadeiro significado de “fio cortante”.
Limpou novamente a espada. O punho e a guarda antigos denunciavam a antiguidade do artefato — no mínimo, uma peça da época da República da China.
Utilizando ferramentas, retirou a espiga da lâmina. Saiu e adquiriu o melhor punho de madeira de violeta e uma bainha de couro de tubarão. Combinou-os com uma nova guarda de bronze púrpura. Agora, a espada resplandecia rejuvenescida.
Saiu levando consigo a espada e retornou ao Salão de Duelo de Espadas. Em qualquer outro lugar, andar armado pelas ruas certamente atrairia a polícia — mas ali era Longquan!
“Senhor, deseja algo em especial?” Na recepção, estava justamente a bela atendente que o recebera no dia anterior. Su Yuan sorriu: “Gostaria de elevar meu nível de associação — passar para o cartão prateado.”
“Perfeitamente, aguarde só um instante!” Os olhos dela brilharam. Também ela se recordava vivamente daquele rapaz vigoroso e elegante. Ontem, ele adquirira apenas o cartão de iniciante por dois mil; hoje, solicitava o cartão prateado, no valor de cinquenta mil?
“Veio lutar hoje?” A jovem, lesta, recolheu a quota de associação e entregou-lhe pessoalmente o cartão prateado. Observando a espada nas mãos de Su Yuan, sorriu: “Agora entendo por que deseja o cartão prateado.”
Su Yuan percebeu uma insinuação na fala dela e indagou, intrigado: “O que quer dizer com isso?”
“É que, em nosso Salão, apenas os membros com cartão prateado têm o privilégio de trazer sua própria espada para os duelos. Vi o senhor com sua lâmina, por isso…”
Su Yuan sorriu de leve. Viera apenas para se divertir e, talvez, encontrar alguns compradores influentes. Não imaginava que tal vantagem estivesse inclusa.
Acenou e se retirou, dirigindo-se ao elevador. Passou o cartão e subiu ao quarto andar. O amplo salão, raramente frequentado, exibia uma decoração ainda mais suntuosa: móveis de madeira de mogno, imponência em cada detalhe.
Observou em redor; poucos presentes, a maioria sentada em sofás, entretidos em conversas. Coelhinhas circulavam, servindo vinhos refinados — um autêntico cenário de um encontro aristocrático.
“Apenas cinco duelos?”
Su Yuan aproximou-se da galeria de exibição: cinco vitrines, dez espadas, todas resplandecendo em branco, nitidamente superiores às expostas nos andares inferiores.
“Cotação de cinco para um!”
Examinou as apostas. Agora compreendia o porquê da classificação. Na véspera, o máximo alcançado fora três para um; aqui, o mínimo era cinco para um, com apostas iniciando em cinquenta mil, podendo facilmente atingir duzentos ou trezentos mil por vez!
Su Yuan não pôde deixar de admirar-se. Não era à toa que o Salão era tão renomado. Fazendo as contas, o movimento diário atingia facilmente milhões. Se o quarto andar era assim, o quinto seria, então…
Uma caverna de ouro!
Enquanto se perdia em reflexões, sentiu o perfume inebriante que se aproximava. Aceitou o vinho das mãos de uma coelhinha, voltou a examinar as dez espadas — todas brancas, nenhuma sequer de tom amarelado.
“Parece que, desta vez, encontrei um verdadeiro tesouro!”
Su Yuan rejubilava-se por dentro. Nem mesmo no Salão apareciam espadas amarelas; isso só comprovava a excelência de sua técnica de avaliação. Enquanto planejava silenciosamente como enriquecer-se naquele dia, uma voz soou-lhe ao ouvido.
“Primeira vez por aqui, irmão?”
Su Yuan olhou por sobre o ombro. Sem que percebesse, um gordo postara-se às suas costas. Devia pesar, no mínimo, cem quilos; o rosto rechonchudo exibia um sorriso cordial.
No polegar esquerdo, um anel de jade verde antigo; na mão direita, massageava um par de nozes avermelhadas em forma de cabeça de leão. Vestia uma túnica violeta — um típico novo-rico.
“Apenas de passagem, matando o tempo”, respondeu Su Yuan, sem conhecer as intenções do sujeito, tentando ser evasivo. Preparava-se para sair, mas o gordo se aproximou, já familiar: “O Salão de Duelo é um lugar excelente — comida, bebida e entretenimento, tudo num só. Vale cada centavo!”
O olhar do gordo, cheio de segundas intenções, fez Su Yuan rir. O homem parecia ser um habitué. Já que se aproximara espontaneamente, nada custava sondar algumas informações.
“E como devo chamá-lo, patrão?”
O gordo fez um gesto modesto, ergueu a taça e sorriu: “Patrão é demais. Meu nome é Qian. Os amigos, por gentileza, me chamam de Qian Gordo.”
“O senhor é modesto. Só pelo anel de jade imperial e as nozes de ágata, já imagino o valor desses objetos!”
As palavras de Su Yuan despertaram o interesse de Qian, que gargalhou: “Vejo que é homem de fino trato. Como devo chamá-lo?”
“Pode me chamar de Su. Vim a Longquan visitar um amigo, mas acabei sendo deixado na mão. Restou-me apenas um cartão de associado, então decidi conhecer o local.”
Su Yuan inventou uma desculpa, meio verdade, meio mentira. Qian assentiu sorrindo: “Seu amigo, pelo visto, é alguém de visão apurada!”
Sentaram-se num sofá e a conversa logo ganhou fluidez; era inegável o talento de Qian para fazer amizades.
“Irmão Su, trouxe a espada para lutar hoje?”
A peça estava armada.
Su Yuan já percebera o olhar cobiçoso do gordo sobre sua espada. Não que a atenção fosse gratuita; havia ali, certamente, um motivo oculto.
“Um amigo aprecia espadas, pediu que arranjasse uma de boa qualidade. Mas, como ele não pôde vir, trouxe-a comigo.”
Su Yuan recostou-se displicentemente, afetando desdém, para impor respeito ao gordo.
“Permite que eu a admire?”
Diante do leve franzir de cenho de Su Yuan, Qian apressou-se a explicar: “Não me leve a mal. Aqui em Longquan, quem não aprecia lâminas e espadas?”
“Eu mesmo faço algum comércio nesse ramo, por isso…”
Su Yuan entendeu. Tratava-se de um corretor; se tivesse dito antes, teria poupado preocupações. Entregou-lhe a espada lentamente, fingindo indiferença: “Nada de especial, apenas uma peça comum.”
Qian aceitou o estojo de violeta com um sorriso, desembainhou lentamente a lâmina de três pés. Um clarão frio cintilou, o gume reluzente fez seu semblante estremecer de assombro.
“Que lâmina magnífica!”
O gordo, atônito, contemplava a espada de Longquan; a luz gélida tremulava, a lâmina era afiada como geada de outono. Admirado, exclamou: “Forja ancestral, cem dobras, veios como águas correntes, aço verdadeiramente refinado!”
Ergueu a lâmina na horizontal, percorreu o dorso com a mão, apalpando-lhe o fio, dedilhando-a e ouvindo atentamente a ressonância, ora grave, ora aguda.
Su Yuan anuiu em silêncio. Não esperava que o outro tivesse olhos tão experientes. Um verdadeiro conhecedor revela-se no primeiro movimento; não à toa era um corretor de prestígio em Longquan. A técnica de avaliação era, de fato, notável.