Capítulo Quatro: Vermelho Romântico

Istriku satu demi satu semakin penuh keanehan. Perahu-perahu di Tepi Pantai 3021kata 2026-03-12 14:35:55

— Sim, é exatamente esta — afirmou Yan Sheng com convicção, acenando com a cabeça.

No Departamento Dingyou, exceto por Wang Zhen, Wu Wancai e Yan Sheng, os demais ainda permaneciam solteiros. Mas isso não impedia que esses homens casados, já em plena maturidade, se entregassem todas as noites a uma vida de despreocupada boemia.

Em tempos feudais, tal comportamento não era propriamente comum.

O privilégio masculino de desfrutar a vida mantinha-se em patamar elevado.

Dizem que massagens nos pés, casas de encontros, saunas e afins são os lugares ideais para aprofundar a camaradagem revolucionária entre amigos.

Yu Qian decidiu experimentar a fundo esta noite, procurando antes de tudo cultivar boas relações com os colegas.

— Chefe, não disseste que hoje era para ser algo mais elegante? Pelo que vejo, não há muita elegância aqui, não — murmurou Wu Wancai, hesitante, ao contemplar aquelas estrangeiras exuberantes do outro lado.

— Se esta noite for mesmo de “pureza”, creio que não serei capaz de aguentar — balançou a cabeça Yan Sheng, suspirando. — Este lugar não é apropriado para sobriedade.

— Sou um homem rude, gosto daqui — acrescentou Guo Yi, do outro lado.

— Eu também, sou bruto — concordou Sun Shoucheng.

— Eu… também sou bruto — aderiu Yu Qian, acompanhando a corrente.

Afinal, tratava-se da dignidade masculina; quem ousaria negar seu próprio vigor rude?

Ji Cheng, de postura ereta, fitava de soslaio o Piaoxiangyuan, declarando com voz firme:

— Como praticante das artes marciais, não tens sequer essa dose de autocontrole? Como pretendes alcançar progresso no Dao das armas?

— É este o lugar — sentenciou Ji Cheng, em tom inquestionável, avançando a passos largos naquela direção.

Yu Qian e os demais apressaram-se a segui-lo, sem mais palavras.

À frente do grupo, Ji Cheng trajava uma túnica de nuvens flutuantes, tecida em brocado de Shu.

Mal adentraram o Piaoxiangyuan, foram recebidos por uma madame de maquiagem carregada e ombros experientes, cujo olhar astuto já se tornara lenda.

Seu talento em distinguir pessoas era refinadíssimo. Ao perceber o porte e o traje de Ji Cheng, logo soube que não se tratava de alguém comum.

Apressou-se a saudá-los com efusão:

— Sejam bem-vindos, senhores!

O tratamento não era aleatório: Yu Qian e seus companheiros não ostentavam o ar de letrados, mas sim de praticantes marciais.

Homens das armas preferiam ser chamados de “senhores”; soava imponente, condizia com o espírito do Piaoxiangyuan.

— Queremos um salão reservado no segundo andar, junto à janela, para bebermos vinho de flores — disse Wang Zhen, sorrindo. — Escolhe com calma, moça, seleciona umas de cada estilo. Se ficarmos até ao fim, discutiremos depois. Escolhe bem, não faltarás com teu pagamento.

— Entendido, senhor — respondeu a madame, os olhos brilhando de alegria. Era nítido que estes eram experientes nos prazeres do mundo e, certamente, não faltariam com o dinheiro. Requebrando a cintura, conduziu-os: — Sigam-me, senhores.

Todos a seguiram para o interior.

O Piaoxiangyuan era transparente em sua essência, afastando-se dos refinamentos das casas de cortesãs e entregando-se, sem pudores, à celebração do desejo carnal.

À luz de velas e sedas translúcidas, o salão do térreo se transfigurava num cenário de romance rubro e decadente.

Moças de trajes sumários deslizavam entre as mesas; mais da metade eram ocidentais.

Seus risos e vozes tinham um encanto diverso, distinto da vulgaridade contemporânea: uma mescla, própria da antiguidade, de suavidade contida e licenciosidade, que provocava diretamente os nervos de quem as via.

Cabelos dourados e olhos azuis, realçados pelas vestes tradicionais, produziam uma impressão sutil e excitante.

Era, de fato, um paraíso terreno.

A Yu Qian, aquela atmosfera de romance vermelho agradava sobremaneira.

***

Sabiam mesmo escolher o lugar.

Subindo a escadaria em espiral, a madame conduziu-os a um reservado junto à janela, decorado em tons dourados — ao mesmo tempo vulgar e esplêndido.

As janelas escancaradas permitiam ver o rio em toda a sua extensão; a vista era soberba.

— Senhores, acomodem-se, vou já providenciar tudo — disse a madame, sorridente, afastando-se.

Logo, enquanto as iguarias fluíam à mesa, oito jovens, de vestes translúcidas, adentraram o recinto.

Eram todas ocidentais de traços marcantes, altas, de busto opulento.

Sentaram-se, com destreza, ao lado de cada convidado.

A que se postou junto a Yu Qian era uma jovem de sua idade, cuja pronúncia do idioma comum era hesitante e encantadora.

Justamente por isso, era ainda mais cativante.

Diz-se que as casas de prazer são propícias ao fortalecimento da amizade masculina — e há verdade nisso.

Depois de algumas rodadas de vinho, Yu Qian sentiu-se, afinal, integrado ao grupo de colegas.

À medida que a bebida corria solta, o jantar tornava-se cada vez mais turvo, coberto por uma névoa de permissividade.

Num banquete de vinho de flores, não podem faltar as flores, afinal.

A bem da verdade, os antigos não ficavam nada atrás dos modernos em matéria de diversão — talvez até mais extravagantes.

Por exemplo, o jogo do “toque nos lábios”.

Como o nome indica: o jogador fecha os olhos, e uma das flores toca seus lábios; o desafio é adivinhar, pelo sabor e perfume que fica na boca, quem foi a autora do gesto.

Ou ainda o jogo de lançar “jarros”.

A flecha é legítima, mas o “jarro”... nem tanto.

Usa-se um bastão liso, untado de óleo perfumado, como flecha, e... bem... o vale entre os montes serve de “jarro”.

O espetáculo era, no mínimo, impressionante.

Yu Qian, experiente espectador de toda sorte de imagens, ficou estupefato: jamais imaginara jogos tão requintados — rendeu-se imediatamente.

Um jogo sucedia ao outro, cada qual renovando as fronteiras do entendimento de Yu Qian.

Sentia-se como uma esponja, absorvendo aquelas experiências impregnadas de altíssima cultura literária.

Quando a lua já havia subido mais alguns arcos celestes, o banquete de vinho de flores chegou ao fim em meio a risos e alegria.

Dizia-se que seria um vinho de flores casto, e de fato assim foi — ainda que a atmosfera tivesse sido um tanto libertina.

Ao final, nenhum deles permaneceu no local.

Evidentemente, não era porque cada noite ali custava quinhentas taéis de prata por pessoa. Era, simplesmente, que todos eram íntegros oficiais do Dali Si.

Ao deixar o Ruyi Fang, Yu Qian não saiu perambulando, mas decidiu voltar para casa. Ignorando a essência deste mundo, preferia, por ora, limitar-se à rotina previsível de um eremita urbano.

Afinal, era ainda fraco, capaz apenas de manejar galinhas.

San Yuan Fang ficava algo distante do Ruyi Fang; quando Yu Qian enfim chegou ao Beco Qili, a noite já estava avançada.

O cais permanecia animado e barulhento, funcionando sem cessar durante todo o ano; à noite, tornava-se ainda mais movimentado.

Afinal, a carga e descarga de mercadorias costumava ocorrer à noite.

***

Yu Qian escolheu uma casa de massas relativamente limpa e entrou.

No Piaoxiangyuan, mal havia comido o suficiente; precisava de uma tigela de macarrão para forrar o estômago.

O uniforme do Dali Si ainda lhe conferia certo ar de autoridade; o dono do estabelecimento, cauteloso, serviu-lhe uma generosa porção de talharim largo.

A casa de massas dava para o rio; Yu Qian sentou-se junto à janela e, apreciando a vista, pôs-se a jantar.

Do lado de fora, multiplicavam-se as mesas, lotadas de pequenos chefes do cais. De torso nu, comiam e conversavam animadamente.

— O cais vai ser ampliado? — perguntou um.

— Quem te disse isso?

— Digo eu que não. Ora, com o governo central tão atribulado, quem vai pensar em ampliar o cais?

— Ouviste falar do que se passa ao sul?

— Ah, conte.

— Acabei de ajudar um comerciante do sul a carregar bagagem; parece que vai para o norte. Mais uma província rebelde no sul.

— Ai, será que vai sobrar para nós?

— Fica tranquilo, sob os pés do Imperador, não há desordem.

— Psiu, fala baixo.

— Deixemos esse assunto. Mas atenção: o Templo dos Caçadores de Demônios acaba de afixar um aviso — outra criatura apareceu no cais...

Enquanto comia, Yu Qian ouvia atentamente. Terminada a refeição, aproximou-se da mesa que discutia o Templo dos Caçadores de Demônios e perguntou:

— Onde está afixado o aviso?

— Senhor! — Ao perceber o uniforme de Yu Qian, todos se levantaram, respondendo com respeito: — Fica no quadro de avisos, no lado leste do cais.

— Obrigado — acenou Yu Qian com a cabeça, afastando-se tranquilamente.

— Esse senhor me parece estranho... — comentou alguém, fitando as costas de Yu Qian.

— Realmente, não o conheço, mas ouvi dizer que chegou um novo grupo ao Dali Si. Deve ser novato.

— É verdade. Nunca ouvi um oficial do Dali Si agradecer.

— Pois é, nem eu! — cochichavam, nos olhos um brilho de inveja.

Diante do quadro de avisos, o vento do rio soprava forte, fazendo a roupa de Yu Qian esvoaçar.

À luz tênue das lanternas, semicerrando os olhos, ele logo encontrou o anúncio do Templo dos Caçadores de Demônios.

Era simples: apenas alertava sobre a aparição de uma criatura demoníaca, recomendando precaução. Nada mais, nem sequer um retrato.

Yu Qian sentiu-se desapontado; não permanecendo ali, seguiu para casa.

Pelas vielas, cruzava com inúmeros trabalhadores do cais, que, ao vê-lo, exibiam sorrisos tímidos, meio assustados.

O rumor de sua nomeação para o Dali Si já havia se espalhado nos últimos dias.

Um oficial do Dali Si no Beco Qili: para os moradores, era motivo de espanto e regozijo.