Capítulo Sete: Herói! Sê Destemido!

Pemburu Terkuat di Akhir Zaman Luo Yu 3455kata 2026-03-15 14:47:30

“Ah!!! Socorro!” ressoou um grito agudo de mulher.

Logo em seguida, Chu Xiaobai viu uma jovem do departamento de intendência correndo desabalada em sua direção, claramente tomada pelo pânico, enquanto uma gigantesca mosca de sangue venenosa a perseguia de perto.

Essa mosca, contudo, era diferente das comuns: em sua cabeça grotesca e repugnante, despontavam dois enormes e afiados cornos, conferindo-lhe um aspecto ainda mais feroz e aterrador.

“Mosca de Sangue Soldado?” Num relance, Chu Xiaobai reconheceu de imediato aquela criatura hedionda. Bastou-lhe um olhar à direção em que a jovem corria para que seu rosto empalidecesse instantaneamente, sentindo a mente vacilar.

Afinal, o caminho escolhido pela moça, para seu infortúnio, era exatamente onde ele se encontrava. Se ela passasse por ele, mesmo sem considerar o ferimento em seu braço, enfrentaria a mosca de sangue soldado — um encontro que certamente terminaria em morte certa.

Vendo a garota aproximar-se em disparada, os olhos dilatados de terror, e a sombra ameaçadora da monstruosidade logo atrás, Chu Xiaobai tomou, no segundo seguinte, uma decisão que jamais imaginara ser capaz de tomar.

Levantou-se num ímpeto, e desferiu um pontapé violento contra o corpo da jovem. Impulsionada pelo impacto, ela foi lançada para trás, colidindo com força inexorável contra a mosca de sangue soldado. Por mais que estivesse correndo, a força de Chu Xiaobai era superior; bastou um golpe para arremessá-la, o rosto contorcido pela surpresa e pelo desespero, diretamente ao encontro da morte.

“Ji-ji!” guinchou a mosca, tomada por uma excitação macabra. Suas patas dianteiras agarraram a jovem com brutalidade, enquanto as mandíbulas afiadas cravaram-se profundamente em seu peito.

Os olhos de Chu Xiaobai brilharam com uma frieza cortante. Num gesto decidido, agarrou a curta adaga que trazia consigo e a enterrou na alva garganta da moça, transpassando-a sem esforço, e, de impulso, cravou a lâmina no olho composto da mosca de sangue soldado.

“Morre!” bradou ele, impiedoso, arrancando a adaga para em seguida golpeá-la novamente, desta vez contra a cabeça da criatura, recuando imediatamente logo após.

“Ji-ji-ji-ji!” A mosca de sangue soldado lançou longe o cadáver já putrefato da jovem, debatia-se no solo em espasmos violentos, as patas tentando em vão alcançar a adaga cravada em sua cabeça. Entretanto, por serem desproporcionalmente pequenas para seu porte, o intento revelou-se impossível.

Nesse momento, um guerreiro ferido do departamento de combate aproximou-se, erguendo uma longa espada metálica. Com alguns golpes certeiros, liquidou de vez a monstruosidade.

Após eliminar a ameaça, o combatente lançou a Chu Xiaobai um olhar de aprovação, sem dizer palavra, retornando em silêncio para cuidar de seus próprios ferimentos.

Os demais guerreiros, igualmente feridos, também o fitaram profundamente, antes de voltarem à vigilância dos arredores, exterminando as moscas de sangue que porventura logravam atravessar o perímetro.

Já os sobreviventes do departamento de intendência olhavam para Chu Xiaobai com incredulidade, seus olhos transbordando medo e repulsa.

Pálido, pressionando o braço ensanguentado, Chu Xiaobai aproximou-se do cadáver da mosca de sangue soldado, retirando silencioso sua adaga. Ao lado, jazia o corpo já em decomposição da jovem, de olhos arregalados, como se, mesmo no último instante, não pudesse acreditar que aquele jovem, outrora sempre pronto a salvar vidas, não se dispusera a protegê-la desta vez.

Chu Xiaobai inspirou profundamente, contemplando o corpo apodrecido, o olhar gélido como aço:

— Talvez acreditasses que, por eu ter salvado tantos antes, também te salvaria. Por isso, atraíste a mosca de sangue soldado para o meu lado? Lamento, mas antes socorri por ser possível, e porque quanto mais vivos, maiores as minhas chances de sobrevivência. No entanto, enganaste-te quanto a mim; jamais morreria por outrem.

E, surpreendentemente, após matar a jovem, Chu Xiaobai não experimentou o menor remorso. Nem mesmo angústia. Sorriu, amargo. Seria esta sua verdadeira natureza, até então reprimida?

Voltou-se para o sol, que lhe pareceu, naquele instante, menos luminoso do que nunca. Seria a luz que se apagara, ou as trevas que haviam se expandido? Chu Xiaobai não sabia, nem desejava saber.

Cerrou os punhos, nos olhos um fulgor sombrio. Aquilo não era culpa sua. Ninguém deveria morrer por alguém a quem nada deve. Se ela escolheu trazer o perigo até ele, deveria estar pronta para ser repelida sem piedade. Que culpasse a época em que viviam.

— Xiaobai, você está bem? — Lin Kong chegou ofegante, o rosto crispado de preocupação ao ver o curativo tingido de sangue no braço de Chu Xiaobai. — Aquela mulher desprezível! Queria te usar como bode expiatório, te empurrando para a morte. Mas você agiu certo! Quase morri de susto. Venha, deixe-me cuidar do seu ferimento.

— Obrigado — respondeu Chu Xiaobai, o semblante suavizado, pousando levemente a mão sobre o ombro do amigo.

— Que bobagem é essa, Xiaobai? — retrucou Lin Kong, lançando-lhe um olhar repreensivo. — Depois de tudo que já passamos juntos, ainda precisa de palavras para expressar? Não quero mais ouvir esse “obrigado”! Se repetir, fico realmente aborrecido.

Dito isso, abriu o estojo de primeiros socorros e, com toda delicadeza, começou a tratar o ferimento.

O coração de Chu Xiaobai aqueceu-se levemente, mas nada disse. Entre homens, um olhar ou gesto bastam para dizer tudo.

Fitando os olhares aterrados e cheios de ódio dos demais intendentes, Chu Xiaobai esboçou um sorriso mordaz. Acaso esperavam que ele morresse no lugar daquela jovem para só então louvarem seu cadáver?

É nos momentos de desespero que a verdadeira natureza humana se revela. Diante daqueles olhares, Chu Xiaobai enfim compreendeu.

Se fores bom e cometeres um erro, serás julgado como mau, o tolo te desprezará. Mas se fores mau e fizeres uma boa ação, serás celebrado como herói, o tolo te idolatrará.

Compreendeu, ainda, porque tais pessoas se resignavam à mediocridade no departamento de intendência, esperando a morte sem lutar. Diante dos guerreiros do combate, em caráter, bravura, vontade, ou pensamento, eram mundos apartados.

O tempo escoava lentamente, o círculo de defesa estreitava-se, e cada vez mais guerreiros tombavam. Os corpos misturados às carcaças de moscas de sangue formavam uma colina nos arredores.

— Velho Liu, cuide do meu garoto! Diga-lhe que o pai foi um herói! Quando sentir saudade, que oferte minhas roupas em sacrifício! E que um dia se junte a nós, no departamento de combate! Aqui, só há fantasmas de quem tombou lutando! Não há covardes! — Um homem de meia-idade, com uma perna decepada, gargalhou, usando a força da perna restante para lançar-se sobre uma mosca de sangue soldado, cravando a espada em sua cabeça antes de ser engolido pelo mar de insetos.

Um grandalhão de rosto quadrado partiu ao meio duas moscas de sangue com um só golpe, lágrimas rolando pelos olhos:

— Hahaha! Velho Zhao, não pensei que partisse antes de mim! Espere aí, logo estarei ao seu lado. Mas, enquanto houver um de nós vivo, sua mensagem chegará ao seu filho! Vamos mostrar àqueles que nos chamam de loucos que, no combate, todos somos heróis! Avante!

Os combatentes restantes riam entre lágrimas contidas—não se permitiam chorar, para não turvar a visão e serem abatidos.

O mais doloroso não é poder chorar, mas ter de conter as lágrimas e ainda sorrir, encorajando os demais. O herói, mesmo com o corpo ainda quente, jamais recua. A morte pode fazê-lo avançar, nunca retroceder.

— Hahaha! O velho dizia que queria viver dez anos mais, e agora sou eu quem fica para trás!

— Maldição, a esposa dele morreu caçando há três anos, e o filho tem só seis... Se eu voltar vivo, aquele menino será como meu próprio filho.

— Irmãos, lembram do canto de guerra? Cantem! Estou cansado, preciso de ânimo!

— Hahaha! Está ficando velho, mal começou e já quer descansar? Conta como satisfaz aquela esposa furiosa em casa, hein? Hahaha!

— Basta, cambada! Se voltarmos vivos, quero carne de Senhor dos Insetos de sétimo grau! Festejaremos juntos!

— Combinado! Se sobreviver, troco todas as minhas honrarias para trazer essa carne para ti!

— Morra, maldita mosca traiçoeira! Por pouco não me pegou desprevenido! Eu inicio a canção: “Morte, não temos medo!”

— “Combate! Arde em nossos corações!”

— “Sonhos que juntos protegemos!”

— “Invades nossa terra, lutamos até a morte...”

— “Profanas nosso solo, entregamo-nos ao fim...”

— “A luz fere meus olhos! A espada atravessa as trevas infinitas!”

— “Quem fere os meus, devoro-lhe a carne, quebro-lhe os ossos! Rompemos o mar de insetos e montanhas de corpos, o sangue purifica estes tempos imundos...”

— “Na dor, juntos caminhamos! Protegemos, mesmo que banhados em sangue! O alvorecer há de romper, quem ousa barrar-nos o caminho? Mata! Mata! Mata! Mata! Quem ameaça nossas vidas? Extermínio! Extermínio! Extermínio! Extermínio!”

O canto de guerra ecoava pelo mar de insetos. Chu Xiaobai fechou os punhos, os olhos úmidos, e um sorriso nos lábios. Juntou-se ao coro:

— “Na dor, juntos caminhamos! Protegemos, mesmo que banhados em sangue! O alvorecer há de romper, quem ousa barrar-nos o caminho? Mata! Mata! Mata! Mata! Quem ameaça nossas vidas? Extermínio! Extermínio! Extermínio! Extermínio!”

— Matar! — Chu Xiaobai pegou outro rolo de ataduras, reforçando o curativo do braço esquerdo para conter o sangramento. Em seguida, apanhou uma espada longa de liga metálica, caída ao lado de um combatente morto, e lançou-se contra as moscas de sangue que irrompiam pelo círculo interno.

O tempo perdeu o significado. Chu Xiaobai já não sabia quanto decorrido. Sabia apenas que seus braços mal respondiam, a dor e o sangue escorrendo sem cessar, tingindo de vermelho as ataduras. Nas costas e pernas, feridas improvisadamente atadas.

Cada vez menos guerreiros restavam. O círculo defensivo à beira do colapso. Até Chu Xiaobai percebia: não resistiriam por muito tempo.

Diante do mar sem fim de insetos, uma sensação de desespero crescia em seu peito. Estaria Lin Xiang’er, que partira para caçar a rainha das moscas, ainda viva? E ele, conseguiria retornar ao abrigo?