Capítulo 3: Surpreendendo Céus e Terra

Dunia Es Abadi Cahaya pedang 3479kata 2026-03-11 14:33:04

— Ei, vocês acham que hoje vamos conseguir ver a famosa corrente de vinte e sete elos do ferreiro Zhang?
— Quem pode saber? Disputar técnicas de forja com uma criança... Eu, sinceramente, acho que o ferreiro Zhang nem vai mostrar seu verdadeiro talento.
— Também acho. O ferreiro Zhang só precisa forjar um utensílio comum de ferro, isso já basta para vencer aquele garoto. Ai, esses dois pequenos não têm salvação, que pena, que pena!
— Pena de quê, se são moleques ladrões? Se não forem devidamente castigados agora, amanhã ou depois não vão virar um problema pra toda a vila?
— Você acha mesmo que aquela faca de desossar foi feita pelo ferreiro Zhang?
— Que conversa fiada! Duvido muito que aquele moleque tenha capacidade de forjar algo tão bom.
— …

As vozes sussurradas da multidão naturalmente chegavam aos ouvidos de Li Bing e seus companheiros. Contudo, Li Bing mantinha-se impassível; já Fei Wu, por sua vez, demonstrava crescente inquietação, aproximou-se de Li Bing e, em voz baixa, sussurrou ao seu ouvido:
— A Bing, quando o ferreiro Zhang começar a forjar, vamos aproveitar uma brecha e fugir daqui.

Li Bing, porém, não cogitava a fuga! O ferreiro Zhang havia lançado um pontapé tão violento em Fei Wu que este cuspira sangue, e ainda tentara se apoderar da faca que ele próprio forjara. Só por essas duas razões, Li Bing não permitiria que o ferreiro Zhang levasse qualquer vantagem. Com um sorriso frio, fez sinal para que Fei Wu se calasse.

O ferreiro Zhang, sempre atento a Li Bing, observava aquele semblante confiante e, em seu íntimo, já planejava seus próximos passos. Em sua opinião, para lidar com um garoto como Li Bing, não seria preciso recorrer a técnicas de forja avançadas, bastaria fazer um utensílio de ferro comum. Contudo, Zhang sabia perfeitamente que a tal faca de desossar não era obra sua. Se o que aquele garoto dissera fosse verdade, e, com um simples tarugo de ferro comum, pudesse forjar uma lâmina de qualidade próxima ao ferro gelado, então aquele pequeno adversário de fato tinha algum talento. O fato de ousar desafiá-lo já era indício suficiente disso.

Embora o ferreiro Zhang fosse de temperamento explosivo, não lhe faltava astúcia. Além disso, perder aquela disputa estava fora de cogitação. Se Li Bing perdesse, seria natural; mas, se ele, Zhang, fosse derrotado, não apenas seu nome e a lenda construída ao longo dos anos seriam arruinados, como seu negócio poderia despencar de vez.

Maldito seja! Se não fosse provocado por aquele fedelho, jamais teria aceitado a disputa. Mas, já que as coisas haviam chegado a este ponto, não havia mais como recuar. Decidiu então empregar sua arte de forjar a corrente de vinte e sete elos entrelaçados.

Pensando nisso, o ferreiro Zhang pigarreou e declarou:
— Meus caros conterrâneos, todos sabem que eu, Zhang, domino uma arte de forja chamada corrente de vinte e sete elos entrelaçados. Hoje, diante de todos, demonstrarei essa minha habilidade, para que sirvam de testemunhas e para que toda a vila saiba que o nome do ferreiro Zhang não é fama vazia!

Ao ouvirem que Zhang forjaria a corrente de vinte e sete elos, a multidão explodiu em alvoroço.

O ferreiro, orgulhoso, lançou um olhar de superioridade à multidão, pegou a grande tenaz e, percebendo que o tarugo de ferro já estava ao ponto no forno, retirou-o com a ferramenta e depositou-o sobre a bigorna. Despiu a camisa, empunhou um cinzel com a mão esquerda e com a direita levantou o pesado martelo de ferro.

Toc!

Zhang posicionou o cinzel sobre o ferro incandescente e desferiu um golpe, fazendo saltar faíscas em todas as direções; uma fenda abriu-se no tarugo. Imediatamente, seu corpo começou a girar em torno do ferro rubro, como uma sombra veloz entre chamas dançantes. O tilintar ritmado dos golpes ecoava incessante.

Aproximadamente o tempo de queimar um incenso se passou até que o ferreiro cessou o movimento, atirou martelo e cinzel de lado, soltou um longo suspiro e, pousando a palma sobre o ferro já frio, num só movimento, retirou as escórias que se desprendiam, revelando uma longa corrente que pulou à vista de todos. Tal destreza arrancou exclamações de admiração dos presentes.

Com um movimento de pulso, Zhang fez a corrente rodopiar e declarou:
— Senhores, se alguém for capaz de encontrar qualquer fenda entre os elos desta corrente, eu, ferreiro Zhang, darei vinte taéis de prata como recompensa!

Dito isso, atirou a corrente aos pés da multidão.

Um jovem de cerca de vinte anos ergueu a corrente, sentiu o calor residual ainda presente, mas não queimava. Contou cuidadosamente: nem mais, nem menos, vinte e sete elos entrelaçados.

— Que habilidade! Isso é realmente arte! — exclamou o rapaz.

A corrente passou de mão em mão, cada um admirando a obra do ferreiro Zhang, e os elogios se sucediam em ondas.

Por fim, a corrente retornou às mãos do ferreiro, que, cheio de si, foi até Li Bing e, entregando-lhe a corrente, zombou:
— Um moleque como você ousa gritar diante de mim? Tem esse direito? Quando você ainda usava calças com abertura atrás, eu já era um ferreiro de renome nestas redondezas. Agora, se ajoelhe, peça desculpas, entregue dez taéis de prata e eu deixo vocês em paz. Do contrário, vou arrancar o couro de vocês antes que saiam por aquela porta!

Li Bing nada respondeu. Apenas estendeu a mão diante do ferreiro Zhang.

Este, então, entregou a corrente recém-forjada, resmungando:
— Pegue, moleque! Abra bem os olhos!

Li Bing recebeu a corrente sem sequer lançar-lhe um olhar e disse:
— Esta corrente não passa de enfeite sem substância, basta um puxão para romper-se.

— Besteira! — berrou Zhang, irado. — Só fala asneiras! Tudo que eu faço é obra-prima. Esta corrente de vinte e sete elos, mesmo se nove bois a puxassem, não se partiria. Dizer que quebra com um puxão? Moleque, não venha com…

Craac!

A corrente rompeu-se. Entre os dedos de Li Bing, num simples puxão, a corrente de vinte e sete elos se desfez completamente, cada elo partido, restando no chão apenas um monte de sucata.

O burburinho cessou abruptamente; todos fitavam atônitos os fragmentos de ferro no solo.

O rosto do ferreiro Zhang ficou rubro; mal acabara de afirmar que nem nove bois romperiam aquela corrente e, de repente, esta se esfacelava nas mãos de Li Bing. Era como levar um tapa ardente na própria face, alternando vermelho e roxo de vergonha.

— O que aconteceu? Como a corrente se quebrou assim?
— Pois é, que coisa mais estranha! Eu mesmo examinei com atenção, não havia nem um trinca, como pode aquele moleque ter partido assim? E olhe que a corrente era grossa como um ramo de salgueiro!
— Será que o garoto usou força interior, algum poder oculto?
— Acha mesmo que ele é algum cultivador, dotado de poderes sobrenaturais? Aqui em Daniu, nem um artista marcial decente se encontra, quanto mais esse moleque ter força interior…
— Que coisa esquisita, muito esquisita!

A multidão, recuperando-se do espanto, entregou-se a discussões acaloradas.

Li Bing nada respondeu. Abaixou-se, recolheu todos os fragmentos de ferro e os depositou sobre a bigorna. Retirou o grande martelo que comprara na ferraria, respirou fundo e levantou-o com determinação.

Ting! O primeiro golpe tombou sobre a pilha de fragmentos, mas, contrariamente ao esperado, não houve dispersão nem faíscas; ao contrário, com o impacto, uma névoa tênue começou a se formar em torno dos fragmentos.

A multidão silenciou, todo olhar fixo naquela cena insólita.

Escondido entre a multidão, Qian Daotian viu a névoa e seus olhos brilharam. Aquela neblina emanava um frio intenso; nem mesmo um cultivador de segundo nível seria capaz de liberar tamanho frio. De fato, aquele garoto possuía o corpo do extremo frio. Recolhendo-se, Qian Daotian continuou a observar.

Ting! O segundo golpe de Li Bing, e a névoa ao redor do ferro tornava-se mais densa, sua cor mudando do preto opaco para um prateado lustroso.

Ting! Terceiro golpe: a névoa parecia condensar-se.

Ting! Quarto golpe: a névoa condensou-se em gelo, envolvendo todos os fragmentos, e, visto de fora, era possível perceber que os pedaços de ferro haviam se fundido, brilhando em prata.

Ting! Quinto golpe...

Ting! Sexto golpe...

Quando Li Bing desferiu o sétimo golpe, o bloco de gelo estilhaçou-se, e os fragmentos, agora completamente fundidos, tornaram-se de um branco prateado. Mas Li Bing não parou: após sete marteladas vigorosas, passou a golpear levemente. Sob o toque suave, o ferro já não mudava de cor, mas começava a se expandir, assemelhando-se a uma poça d’água espalhada uniformemente sobre uma folha de papel.

Sete marteladas fortes, sete suaves, num total de quarenta e nove, e os fragmentos reunidos haviam-se tornado tão finos quanto asas de abelha, formando uma longa lâmina em forma de lua crescente. O reflexo de Li Bing podia ser visto na superfície prateada da lâmina. Segurou a lâmina entre os dedos e, após exame minucioso sem detectar qualquer rachadura, um sorriso despontou em seus lábios.

— A Técnica das Sete Quebras finalmente está completa! — pensou Li Bing.

Foi até o monte de tarugos e, empunhando a lâmina, desferiu um golpe contra um tarugo de ferro. Um fio gélido de luz acompanhou a lâmina; ouviu-se um estalo cristalino e o tarugo partiu-se em dois, o corte tão liso quanto um espelho.

O golpe retumbante deixou a multidão boquiaberta; até o próprio ferreiro Zhang sentiu um calafrio.

— Impressionante, verdadeiramente impressionante!
— Conseguir reunir e refundir os elos partidos sem sequer usar fogo já seria algo dificílimo, mas, além disso, transformar o ferro fragmentado numa lâmina capaz de cortar ferro como se fosse lama... Que nível de habilidade é esse?
— O tarugo usado por aquele garoto era comum, desses que se encontram em qualquer esquina de Daniu, mas ainda assim forjou uma lâmina de qualidade comparável ao ferro gelado. Eu, que nem entendo do ofício, percebo o frio que emana desta lâmina. Quem, afinal, é esse garoto, dono de tamanha maestria? O ferreiro Zhang perdeu, não há dúvida!
— Ver para crer, ouvir não basta. Se não tivesse visto com meus próprios olhos, jamais acreditaria que alguém fosse capaz disso. Se ele forjou uma lâmina dessas, então, aquela faca de desossar só pode mesmo ser obra dele...

— Bravo! — a multidão irrompeu em aplausos, celebrando o prodigioso talento de Li Bing na arte da forja.