Capítulo 6: Majestade Imponente
— Vocês não podem levar a Bing... — Ao ver que aqueles homens estavam prestes a levar Li Bing, Fei Wu quis lançar-se à frente para impedir, mas foi contido pelo pai, Wu Gang, que lhe aplicou um sonoro tapa no rosto, fazendo inchar-lhe a face, e bradou, furioso: — Cale-se, seu moleque! Já não basta a confusão que você armou?
Fei Wu ainda pretendia argumentar, mas ouviu as palavras de Li Bing: — Fei Wu, não se preocupe. Nada me acontecerá.
Assim dito, Li Bing logo foi empurrado por alguns discípulos de Wang Biao em direção à saída da aldeia Wu.
Wu Gang balançou a cabeça, soltando um suspiro. Ao ouvir da boca de Wang Biao o relato dos fatos, soube de imediato que algo terrível se avizinhava. Conhecia o ferreiro Zhang: era um sujeito mesquinho, e agora, com o braço partido, as consequências seriam previsíveis. Mesmo lamentando por Li Bing e desejando protegê-lo, Wu Gang sentia-se impotente; afinal, se não permitisse que Wang Biao levasse o rapaz, talvez toda a aldeia Wu estivesse condenada à destruição.
O velho chefe da aldeia Wu limitou-se a suspirar.
Li Bing, sob escolta, avançava na direção da cidade de Daniu, mantendo a cabeça baixa e o silêncio. Ocorriam-lhe pensamentos tumultuados, e uma onda de matança, oriunda de não se sabe onde, perpassava-lhe incessantemente o olhar.
Wang Biao cavalgava lado a lado de um homem corpulento, de sete pés de altura, dizendo: — Irmão Li, noto que seu semblante revela preocupação. Há algo que o aflige?
O homem, chamado Li Yuanxiong, era de fato um praticante do cultivo do Qi, alcançando o segundo nível, e conhecera Wang Biao no Salão dos Mortais da Seita Shenwu, amizade que já perdurava por mais de uma década. Ao ouvir a pergunta, Li Yuanxiong respondeu, despertando de seus devaneios: — Irmão, talvez não saiba, mas esta viagem desde o Salão dos Mortais deu-se a pedido do mestre Qin Yu, para que o ferreiro Zhang pudesse reparar um artefato taoista. Agora, com o braço perdido, Zhang não poderá forjar mais nada. O que farei?
Wang Biao franziu o cenho: — Será que o ferreiro Zhang tinha mesmo capacidade para reparar um artefato taoista?
Li Yuanxiong sacudiu a cabeça: — De fato, o nível de Zhang não permitiria reparar tal objeto, mas trouxe comigo um elixir de liberdade do mestre Qin Yu. Se Zhang o tomasse, poderia sacrificar-se ao demônio e, assim, forjar com poderes demoníacos. Contudo, sem o braço, Zhang não passa de um inválido.
Que personagem era aquele mestre Qin Yu do Salão dos Mortais da Seita Shenwu! Apenas por estar ligado a ele, Wang Biao já antevia um futuro promissor, mas eis que tudo se complicava. Pensando em Li Bing, Wang Biao sentiu a fúria crescer, levantou o chicote e, com toda força, desferiu-lhe um golpe nas costas. A camisa de Li Bing rasgou-se, deixando uma longa marca vermelha.
— Maldito! Tudo culpa daquele fedelho! — praguejou Wang Biao.
No semblante de Li Bing não havia sinal de dor; seus olhos frios pousaram sobre Wang Biao, cujo corpo estremeceu involuntariamente perante tal olhar gélido.
Li Yuanxiong também percebeu aquele olhar, surpreso. O calor do dia era intenso, mas ao cruzar o olhar de Li Bing, uma brisa de frio cortante lhe percorreu o peito. Tal sensação era-lhe inédita. Voltou a analisar Li Bing com mais atenção, e quanto mais o examinava, maior era o espanto: antes, pensara tratar-se de um garoto com alguma habilidade, cuja vitória sobre o ferreiro Zhang não passara de acaso. No entanto, agora percebia, de modo vago, a aura de um praticante do Qi. Notou ainda que o vergão deixado pelo chicote de Wang Biao d